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Archive for Junho, 2016

Ainda a propósito da eutanásia: Direito a morrer?

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Ninguém pode negar aos outros o direito a morrer. Não aprovar a eutanásia é tirar às pessoas a liberdade de serem elas a decidir sobre a sua própria vida.

Quem não quiser pedir a eutanásia, por motivos religiosos, não o faça. Mas, por favor, não tire a liberdade aos outros. A lei não pode continuar a negar às pessoas o direito a uma morte digna.

Será que isto é mesmo assim?

É uma visão muito simplista de tudo aquilo que está em jogo.

E também o é o argumento tantas vezes esgrimido de que somente aqueles que acreditam em Deus são contra a eutanásia. Os argumentos contra a legalização do suicídio assistido não são religiosos — são profundamente humanos!

Pensemos com calma: que consequências trará a legalização da eutanásia ao modo de tratar os idosos, os doentes terminais, os pobres, os deficientes e, em geral, os frágeis da sociedade?

Com a aprovação de uma lei deste tipo, aqueles que são frágeis e optem pela vida correm o grande risco de serem considerados uns egoístas. Podem ser vistos como um fardo que rouba a felicidade àqueles que têm de cuidar deles.

Porque não nos enganemos: uma lei que permita a eutanásia de algum modo incentiva os idosos a tirarem a própria vida. Fá-los pensar, num momento em que mais necessitam do apoio dos seus familiares, que estão a mais e que são somente um peso inútil.

Manter a ilegalidade da eutanásia é o melhor modo de proteger os vulneráveis da sociedade. A lei, se o é de verdade, deve sempre proteger a vida e amparar os mais vulneráveis, porque são eles que necessitam de protecção.

Ao aprovar uma lei destas, o direito à morte acaba por converter-se, para muitas pessoas frágeis, no dever de morrer.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

JUBILEU DA MISERICÓRDIA: Caridade da razão

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O título deste apontamento foi retirado do livro de L. Manicardi, “A caridade dá que fazer”, aqui citado na semana passada. E tal como o título, também as linhas que se seguem ali se inspiram.

A caridade, entendida como amor que aproxima do outro, não passou de moda e, tal como ontem, continua a ser necessária e bem-vinda nos tempos que correm. Não a caridade entendida como favorzinho, esmolinha ou sinónimo de pena, mas realidade humana que é capaz de ver o outro, reconhecer necessidades e agir oportunamente.

Mas a caridade é mais abrangente do que o gesto de dar alguma coisa a alguém; entende-la e vive-la assim seria pouco ambicioso e justo. Isto é, a caridade não pode ser entendida e vivida longe da justiça. Nesse sentido, a caridade deve, também, identificar e denunciar as causas e os causadores de tudo quanto atenta contra a dignidade humana.

Assim, falar de caridade da razão é esforçar-se por ter presente “o sentido do outro”, levando a caridade a ser mais que um mero sentimentalismo ou uma vaga piedade. Porque a caridade não pode andar longe da justiça: “se a caridade é amor pelo irmão, a justiça é amor pelos direitos dos irmãos”. Nesse sentido, a justiça é o rosto social da caridade.

Importa que a caridade tenha capacidade crítica, fruto da presença da razão e da inteligência. Isto significa que a caridade tem que fazer um juízo sobre as situações e sobre as realidades e exprimir uma palavra “forte, clara e profética” sobre os males que produzem a pobreza, a desigualdade, as injustiças… Estar atento e ser responsável perante quem é malvado, sabendo dar nome às obras dos malvados, oferecendo resistência.

A caridade da razão leva a que a justiça e a caridade se encontrem e conjuguem. Dar de comer a quem tem fome, vestir os nus, ensinar… serão sempre gestos concretos de caridade. Mas também será acto de caridade denunciar quem não paga salários justos, quem agride e persegue, quem não defende a vida, etc.

A caridade procura fazer face às necessidades do outro, mas deve também procurar libertar a sociedade das causas que provocam tais situações. Caso contrário traduzir-se-á num mero assistencialismo que não promove o outro e o mantém refém da sua situação.

O cristão também testemunha a sua fé pela atenção que presta aos outro, sobretudo ao mais pobre e marginalizado. Mas o seu gesto não o dispensa de falar, de escolher, de votar e de exigir a quem tem o dever de fazer mais e melhor. O silêncio e a abstenção poderão ser cómodos, mas não ajudam a razão e limitam a caridade. Porque a maldade precisa ser denunciada.

A tarefa é de todos e de cada um. Importa fazê-lo aqui e agora, porque este é o tempo que nos é dado, inspirados no Evangelho.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Província Eclesiástica de Braga: reunão dos Tribunais

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A Diocese de Viana do Castelo e o seu Bispo, Sr. D. Anacleto Oliveira foram os anfitriões do encontro que, anualmente, reúne os membros dos Tribunais Eclesiásticos da Província Eclesiástica de Braga.

Cerca de 40 pessoas, entre Vigários Judiciais e outros Juízes, Defensores do Vínculo e Notários das várias Dioceses que integram aquela Província Eclesiástica reuniram-se no Seminário Diocesano de Viana do Castelo na manhã de 16 de Junho. O Tribunal Interdiocesano Vilarealense, do qual faz parte a Diocese de Lamego, também marcou presença.

A abertura do encontro esteve a cargo do Cón. Doutor Manuel Fernando Sousa e Silva, Vigário Judicial do Tribunal Metropolitano da Arquidiocese de Braga. Na sua intervenção, deu as boas vindas a todos os presentes, e recordou algumas ideias expressas pelo Papa Francisco no último Discurso aos Prelados Auditores do Tribunal da Rota Romana, nomeadamente que a missão dos membros dos Tribunais Eclesiásticos “quer ao julgar quer ao contribuir para a formação permanente, assiste e promove o opus veritatis.” (Papa Francisco)

O encontro, que se realiza pelo sexto ano consecutivo, sempre numa Diocese diferente, prosseguiu com a análise de alguns dos elementos inovadores da reforma do processo matrimonial determinada pelo Papa Francisco. Esta análise esteve a cargo da Ir. Federica Dotti, Juíza no Tribunal Metropolitano de Braga. Seguiu-se um período de debate, de troca de ideias e experiências entre os presentes, que muito enriqueceu o encontro. A troca de ideias entre os presentes teve como preocupação central delinear linhas de orientação que permitam uma aplicação cada vez mais eficaz da reforma do processo de declaração de nulidade matrimonial determinada pelo Papa Francisco.

Coube ao Sr. D. Anacleto Oliveira encerrar os trabalhos. Nas palavras que dirigiu aos presentes, agradeceu a presença de todos e afirmou a importância de poder contar com um grupo de pessoas juridicamente bem preparadas para que cada Diocese possa implementar eficazmente a reforma dos processos matrimoniais que o Romano Pontífice determinou para os processos matrimoniais.

O Encontro terminou com o almoço oferecido pela Diocese de Viana do Castelo.

Pe. José Alfredo Patrício, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Uma noite de Música & Missão, com o Pe. Marcos Alvim

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No dia 18 de Junho, decorreu o II DOREMIssão – Concerto Orante organizado pelos Jovens Sem Fronteiras de Vila da Ponte.

Inspirados e criativos, como sempre, os JSF de Vila da Ponte voltaram a criar o cenário ideal para mais uma noite memorável na Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Amial. Para que este Concerto Orante fosse possível, foi indispensável a presença do Padre Marcos Alvim, que abrilhantou e animou esta noite com várias músicas da sua autoria que puseram toda a gente a cantar e a rezar. Para além disso, outro factor decisivo para o sucesso desta atividade foi a forte presença da comunidade, de algumas pessoas do concelho e da diocese, bem como de outros JSF que vieram de grupos mais distantes, tais como Godim (Régua) e Santo Ovídio (Vila Nova de Gaia).

É de louvar todo o esforço necessário dos JSF de Vila da Ponte, seja para a criação do cenário, seja para a logística da atividade, principalmente porque os fundos angariados são destinados a uma causa missionária. Desta vez, esta atividade tinha como objetivo apoiar o Projeto de Desenvolvimento de Curta Duração que irá ocorrer em Kalandula (Angola), durante o mês de Agosto. Neste projeto, estarão presentes 11 JSF de todo o país, acompanhados por um Padre Espiritano.

Para guiar os jovens missionários foi escolhido o seguinte lema: “Construir Pontes de Misericórdia”, que pretende relembrar os vários projetos de voluntariado que os JSF/Solsef fizeram em Angola e, nomeadamente, em Kalandula. E Misericórdia, porque estamos de coração aberto para o povo que vamos encontrar.

O nosso muito obrigado a todos os que nos têm ajudado a dar cor a este projeto, de modo especial àqueles que tornaram possível a realização deste evento: à organização, ao Padre Marcos, aos colaboradores, a todos os que estiveram presentes e também aos que adquiriram o bilhete mesmo sabendo que não poderiam participar.

Diogo Azevedo, JSF Santo Ovídio e Pontista 2016

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Conselho Diocesano de Presbíteros: Comunicado

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Na manhã do passado dia 17 de junho, reuniu na casa de São José, sob a presidência do Sr. Bispo, D. António Couto, o conselho de presbíteros da nossa diocese.

Depois de rezarmos a hora intermédia o Sr. Bispo fez uma breve reflexão sobre a missão, que a todos nos cabe, de transportarmos sobre os ombros e no coração o povo que nos está confiado e que espera de nós gestos e palavras de misericórdia, proximidade e afeto.

De seguida ouviu os presbíteros sobre a necessidade de formação pastoral para leigos através da criação de uma escola que permita aos cristãos serem “capazes de testemunhar a fé de forma inteligente e inteligível, em diálogo com os outros. Que vivam com alegria e demonstrem vontade em servir”.

Fizeram também parte da agenda outros assuntos, nomeadamente questões respeitantes a algum do património diocesano (utilização da Casa de São José, remodelação das instalações do Seminário Maior de Lamego, possível alienação da Quinta do Revogato, ocupação da casa da Sagrada Família e situação atual da Mútua do clero), bem como a projecção do próximo ano pastoral (temática, movimentação pastoral sinodal, reorganização e avaliação das funções pastorais da Cúria Diocesana – comissões, departamentos e serviços – e possível reformulação, Carta Pastoral do Senhor Bispo).

Há necessidade de remodelar, requalificar e fazer alterações, particularmente, nos edifícios da casa de São José e do Seminário Maior, de forma a permitir a sua utilização em moldes novos para podermos prosseguir com a missão evangelizadora que os novos tempos reclamam.

Passados três anos do Decreto de constituição/criação das funções pastorais da Cúria Diocesana, sente-se a necessidade de fazer uma avaliação das novas estruturas de apoio (comissões, departamentos e serviços) e, se for o caso, reorganizar, adaptar e reformular o que não estiver a funcionar tão bem e esperar que mais cedo ou mais tarde toda a diocese possa ter acento na estrutura eclesial nacional. Há determinados departamentos que ainda não funcionam na nossa diocese mas seria importante que isso viesse a acontecer. O prelado chamou a nossa atenção para a necessidade urgente de criar estruturas paroquiais ou inter-paroquiais de apoio à pastoral, isto é, os tão reclamados conselhos pastorais.

O lema da próxima Carta Pastoral do nosso Bispo tomará a dinâmica de São Marcos em que o horizonte da acção pastoral é todo o universo: “Ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a toda a criatura”( Mc 16,15).

Houve ainda tempo para as últimas informações sobre o Dia da Família Diocesana a celebrar na Senhora da Lapa no dia 25 de junho e também da  da revisão dos estatutos por parte de um canonista e do conselho permanente.

António José Ferreira, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Equipas de Nossa Senhora: encerramento de atividades

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O Setor de Lamego das Equipas de Nossa Senhora realizou no sábado, 18 de Junho, o Encerramento das suas Actividades deste Ano Pastoral 2015/2016. Convidou todos os seus membros do Movimento a fazê-lo, num encontro convívio concretizado no Mosteiro de Singeverga, onde reside actualmente o senhor Padre Abel Matias, Conselheiro Espiritual da Equipa Lamego 7.

Partimos de Lamego às dez horas, num mini autocarro e após uma hora e meia de viagem, chegámos às portas do Mosteiro, onde tínhamos à espera o Sr. Padre Abel que nos acolheu com muita alegria e guiou-nos às partes visitáveis do edifício, onde residem actualmente 32 Monges Beneditinos.

Seguiu-se o almoço na “Adega Amarela”, restaurante próximo e recomendado pelo anfitrião que nos acompanhou no saboroso repasto.

Às dezasseis horas, e de novo no Mosteiro, na sala do capítulo, tivemos uma hora de reflexão, orientada pelo Conselheiro Espiritual do Sector de Lamego, Sr. Padre José Abrunhosa, subordinada ao tema: Evangelização. Ler mais…

Bodas de Prata Sacerdotais do Pe. Agostinho Ramalho

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Saudação inicial do Pároco, Pe. Hermínio Lopes

Ao iniciarmos esta Eucaristia pertence-me como Pároco de S. Sebastião de Bigorne dizer uma palavra de acolhimento, de homenagem e de reconhecimento.

Congrega-nos um distinto e amigo sacerdote que aqui nasceu em 1964, daqui partiu para o Seminário, lá se formou e aqui celebrou, há 25 anos, a “sua missa nova”, precisamente em junho de 1991. Celebrar as Bodas de Prata Sacerdotais é um privilégio que constitui sempre uma bela e nobre oportunidade de alegria.

Quero interpretar em uníssono os sentimentos de todos, a quem saúdo. Hoje é dia de festa. Aceitamos o convite que o Sr. Padre Agostinho Ramalho nos dirigiu e aqui, com ele, queremos louvar e agradecer ao Senhor da Messe por estes 25 anos de serviço bondoso, nobre e proveitoso. Ser sacerdote é ser servidor de Cristo na pessoa dos mais pobres e humildes. Foi nessa linha de serviço que o P. Agostinho sempre procurou testemunhar e viver na simplicidade, na retidão e na caridade.

Todos nós sacerdotes, aqui presentes, somos convidados a ser Igreja que acolhe as lágrimas dos que choram, que ampara os que vacilam, que levanta os que perdem a coragem, que corrige as injustiças, que ouve os silenciados pela vida e que oferece razões de esperança às crianças, aos jovens e às famílias! Ler mais…