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Archive for Junho, 2016

Uma noite de Música & Missão, com o Pe. Marcos Alvim

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No dia 18 de Junho, decorreu o II DOREMIssão – Concerto Orante organizado pelos Jovens Sem Fronteiras de Vila da Ponte.

Inspirados e criativos, como sempre, os JSF de Vila da Ponte voltaram a criar o cenário ideal para mais uma noite memorável na Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Amial. Para que este Concerto Orante fosse possível, foi indispensável a presença do Padre Marcos Alvim, que abrilhantou e animou esta noite com várias músicas da sua autoria que puseram toda a gente a cantar e a rezar. Para além disso, outro factor decisivo para o sucesso desta atividade foi a forte presença da comunidade, de algumas pessoas do concelho e da diocese, bem como de outros JSF que vieram de grupos mais distantes, tais como Godim (Régua) e Santo Ovídio (Vila Nova de Gaia).

É de louvar todo o esforço necessário dos JSF de Vila da Ponte, seja para a criação do cenário, seja para a logística da atividade, principalmente porque os fundos angariados são destinados a uma causa missionária. Desta vez, esta atividade tinha como objetivo apoiar o Projeto de Desenvolvimento de Curta Duração que irá ocorrer em Kalandula (Angola), durante o mês de Agosto. Neste projeto, estarão presentes 11 JSF de todo o país, acompanhados por um Padre Espiritano.

Para guiar os jovens missionários foi escolhido o seguinte lema: “Construir Pontes de Misericórdia”, que pretende relembrar os vários projetos de voluntariado que os JSF/Solsef fizeram em Angola e, nomeadamente, em Kalandula. E Misericórdia, porque estamos de coração aberto para o povo que vamos encontrar.

O nosso muito obrigado a todos os que nos têm ajudado a dar cor a este projeto, de modo especial àqueles que tornaram possível a realização deste evento: à organização, ao Padre Marcos, aos colaboradores, a todos os que estiveram presentes e também aos que adquiriram o bilhete mesmo sabendo que não poderiam participar.

Diogo Azevedo, JSF Santo Ovídio e Pontista 2016

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Conselho Diocesano de Presbíteros: Comunicado

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Na manhã do passado dia 17 de junho, reuniu na casa de São José, sob a presidência do Sr. Bispo, D. António Couto, o conselho de presbíteros da nossa diocese.

Depois de rezarmos a hora intermédia o Sr. Bispo fez uma breve reflexão sobre a missão, que a todos nos cabe, de transportarmos sobre os ombros e no coração o povo que nos está confiado e que espera de nós gestos e palavras de misericórdia, proximidade e afeto.

De seguida ouviu os presbíteros sobre a necessidade de formação pastoral para leigos através da criação de uma escola que permita aos cristãos serem “capazes de testemunhar a fé de forma inteligente e inteligível, em diálogo com os outros. Que vivam com alegria e demonstrem vontade em servir”.

Fizeram também parte da agenda outros assuntos, nomeadamente questões respeitantes a algum do património diocesano (utilização da Casa de São José, remodelação das instalações do Seminário Maior de Lamego, possível alienação da Quinta do Revogato, ocupação da casa da Sagrada Família e situação atual da Mútua do clero), bem como a projecção do próximo ano pastoral (temática, movimentação pastoral sinodal, reorganização e avaliação das funções pastorais da Cúria Diocesana – comissões, departamentos e serviços – e possível reformulação, Carta Pastoral do Senhor Bispo).

Há necessidade de remodelar, requalificar e fazer alterações, particularmente, nos edifícios da casa de São José e do Seminário Maior, de forma a permitir a sua utilização em moldes novos para podermos prosseguir com a missão evangelizadora que os novos tempos reclamam.

Passados três anos do Decreto de constituição/criação das funções pastorais da Cúria Diocesana, sente-se a necessidade de fazer uma avaliação das novas estruturas de apoio (comissões, departamentos e serviços) e, se for o caso, reorganizar, adaptar e reformular o que não estiver a funcionar tão bem e esperar que mais cedo ou mais tarde toda a diocese possa ter acento na estrutura eclesial nacional. Há determinados departamentos que ainda não funcionam na nossa diocese mas seria importante que isso viesse a acontecer. O prelado chamou a nossa atenção para a necessidade urgente de criar estruturas paroquiais ou inter-paroquiais de apoio à pastoral, isto é, os tão reclamados conselhos pastorais.

O lema da próxima Carta Pastoral do nosso Bispo tomará a dinâmica de São Marcos em que o horizonte da acção pastoral é todo o universo: “Ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a toda a criatura”( Mc 16,15).

Houve ainda tempo para as últimas informações sobre o Dia da Família Diocesana a celebrar na Senhora da Lapa no dia 25 de junho e também da  da revisão dos estatutos por parte de um canonista e do conselho permanente.

António José Ferreira, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Equipas de Nossa Senhora: encerramento de atividades

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O Setor de Lamego das Equipas de Nossa Senhora realizou no sábado, 18 de Junho, o Encerramento das suas Actividades deste Ano Pastoral 2015/2016. Convidou todos os seus membros do Movimento a fazê-lo, num encontro convívio concretizado no Mosteiro de Singeverga, onde reside actualmente o senhor Padre Abel Matias, Conselheiro Espiritual da Equipa Lamego 7.

Partimos de Lamego às dez horas, num mini autocarro e após uma hora e meia de viagem, chegámos às portas do Mosteiro, onde tínhamos à espera o Sr. Padre Abel que nos acolheu com muita alegria e guiou-nos às partes visitáveis do edifício, onde residem actualmente 32 Monges Beneditinos.

Seguiu-se o almoço na “Adega Amarela”, restaurante próximo e recomendado pelo anfitrião que nos acompanhou no saboroso repasto.

Às dezasseis horas, e de novo no Mosteiro, na sala do capítulo, tivemos uma hora de reflexão, orientada pelo Conselheiro Espiritual do Sector de Lamego, Sr. Padre José Abrunhosa, subordinada ao tema: Evangelização. Ler mais…

Bodas de Prata Sacerdotais do Pe. Agostinho Ramalho

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Saudação inicial do Pároco, Pe. Hermínio Lopes

Ao iniciarmos esta Eucaristia pertence-me como Pároco de S. Sebastião de Bigorne dizer uma palavra de acolhimento, de homenagem e de reconhecimento.

Congrega-nos um distinto e amigo sacerdote que aqui nasceu em 1964, daqui partiu para o Seminário, lá se formou e aqui celebrou, há 25 anos, a “sua missa nova”, precisamente em junho de 1991. Celebrar as Bodas de Prata Sacerdotais é um privilégio que constitui sempre uma bela e nobre oportunidade de alegria.

Quero interpretar em uníssono os sentimentos de todos, a quem saúdo. Hoje é dia de festa. Aceitamos o convite que o Sr. Padre Agostinho Ramalho nos dirigiu e aqui, com ele, queremos louvar e agradecer ao Senhor da Messe por estes 25 anos de serviço bondoso, nobre e proveitoso. Ser sacerdote é ser servidor de Cristo na pessoa dos mais pobres e humildes. Foi nessa linha de serviço que o P. Agostinho sempre procurou testemunhar e viver na simplicidade, na retidão e na caridade.

Todos nós sacerdotes, aqui presentes, somos convidados a ser Igreja que acolhe as lágrimas dos que choram, que ampara os que vacilam, que levanta os que perdem a coragem, que corrige as injustiças, que ouve os silenciados pela vida e que oferece razões de esperança às crianças, aos jovens e às famílias! Ler mais…

Seminário Maior Interdiocesano de S. José Comunidade alagada

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No passado dia 7 de Junho, o Seminário Interdiocesano de São José reuniu a sua comunidade mais alagarda em Braga. Num encontro de trabalho, comunhão e partilha estiveram reunidos os Bispos das quatro dioceses, a equipa formadora, os seminaristas, os reitores dos seminários diocesanos, entre muitos outros colaboradores e amigos.

Do programa da jornada de trabalho fez parte a habitual reunião da equipa formadora com o Bispos e os reitores dos Seminários diocesanos, da ordem de trabalhos fez parte o balanço deste ano lectivo que agora finda e aquilo que serão as linhas orientadoras para o seminário Interdiocesano de São José. À Semelhança de encontros anteriores seguiu-se um almoço onde foi permitido à comunidade estreitar os laços fraternos que a une e trocar impressões sobre o decorrer deste ano lectivo.

Como corolário da jornada foi celebrada, na capela do Seminário Interdiocesano, a Eucarístia sob a presidência do Bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, e que por estes dias comemora o jubileu sua ordenação sacerdotal ocorrida há 25 anos, e onde concelebraram o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, e o Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, a equipa formadora e os reitores dos Seminários diocesanos.

Na homilia o Bispo de Bragança-Miranda recordou que é no pecado do homem que se encontra o receptáculo da misericórdia de Deus, é na medida que somos pecadores e nos arrependemos que recebemos o perdão da parte de Deus misericordioso.

Esta foi a ultima vez em que a comunidade alagada do Seminário Interdiocesano esteve reunida neste ano lectivo, depois do convívio e da partilha desta jornada preparam-se nas próximas semanas a época de exames, uma fase bastante exigente para os seminaristas que vivem e estudam nesta instituição sediada em Braga.

Diogo Domingues Jesus, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Irmandade Militar de Nossa Senhora da Conceição na Lapa

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No passado dia 18 de Junho, a Irmandade Militar de Nossa Senhora da Conceição foi em peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa. Após a entrada devota e respeitosa pela Porta Santa, houve oportunidade para uma visita guiada e muito bem explicada pela Drª Ana Nunes, Directora do Museu da Lapa.

Seguiu-se um momento de oração colectiva e reflexão sobre o tema da Misericórdia que antecedeu a Santa Missa celebrada para o efeito pelo Senhor Reitor do Santuário, Rev. P.e Amorim. Assim se cumpriu um dos desígnios religiosos desta Irmandade, no presente ano.

A finalizar o dia, num dos restaurantes da Lapa, reuniu-se em confraternização o grupo dos Irmãos presentes num lanche ajantarado.

IMNSC, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

DIOCESE-FAMÍLIA

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Na variedade de temas, notícias e reflexões, semana a semana a Voz de Lamego aproxima-nos da região e aproxima das comunidades paroquiais, os movimentos eclesiais e a vida da Diocese de Lamego.

A chamada de capa desta semana vai para a Feira Medieval realizada na cidade de Lamego e para as Bodas de prata Sacerdotais do Pe. Agostinho Ramalho. Mas há muitos outros motivos de interesse para ler, refletir, e voltar a ler o Jornal Diocesano. Em vésperas do Dia da Família Diocesana – próximo sábado, 25 de junho, no Santuário da Lapa -, aí está a informação, com os horários e outras informações práticas e o Editorial, do Pe. Jaoquim Dionísio, que nos apresenta a Diocese como Família, reunida à volta do Bispo diocesano.

DIOCESE-FAMÍLIA

O documento conciliar sobre o múnus pastoral dos bispos (Christus Dominus) descreve a diocese como “porção do Povo de Deus que se confia a um Bispo para que a apascente com a colaboração do presbitério”. Esse povo, reunido pelo bispo “no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual está e opera a Igreja de Cristo, una santa, católica e apostólica” (CD 11).

Membros desta diocese de Lamego, somos um povo a caminho, com ritmos diferentes e sensibilidades diversas, marcados pelo chão que pisamos e pelos tempos que correm. Neste peregrinar, acompanha-nos a gratidão aos que nos precederam, a consciência do que somos e a confiança no Senhor providente que nos precede.

O Dia da Família Diocesana, marcado para o próximo sábado, no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, é mais uma oportunidade para celebrar com alegria a Igreja local que formamos e experimentar a proximidade que faz de nós um Povo. Em ambiente festivo e descontraído, este acontecimento permite-nos visualizar uma diocese que é sempre mais que o meu arciprestado, a minha zona, a minha paróquia, o meu grupo ou movimento.

Pertencer à diocese é mais do que habitar no seu território, identificar as suas fronteiras, conhecer factos históricos, saber quem é o seu bispo ou rezar pelos fiéis que a formam. Tudo isso é bom, mas também se exige a cada um que sinta com esta Igreja, se ocupe e preocupe com a caminhada comum, que apareça e participe. Numa palavra, não podemos viver esta pertença de forma telescópica, à distância, com receio de misturas e da proximidade.

Aceitar o convite e rumar até à Lapa é assumir uma pertença comum e manifestar a vontade de participar na edificação de um corpo que precisa de cada um para crescer e se santificar.

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Sugestão de Leitura: Contra a Eutanásia

untitled_34235de44Sobre o livro Contra a Eutanásia, Luís Paulino Pereira, médico e autor do prefácio, disse que a obra «é um verdadeiro apelo à vida de um indivíduo que se diz agnóstico. E de que forma faz um apelo à vida? Primeiro, citando as verdadeiras maravilhas da medicina. Depois, tudo aquilo que é preciso fazer para preservar a vida.» Luís Paulino Pereira refere que o livro tem uma linguagem acessível, «que toda a gente entende» e deixou um incentivo a que todos leiam o livro para que cada um tire as suas conclusões.

O livro Contra a Eutanásia é escrito em estilo de entrevista com Lucien Isräel, um não-crente e homem da ciência. Este francês foi médico e professor universitário de Pneumologia e Oncologia. Deu aulas em França, Estados Unidos da América, Canadá e Japão. Fez parte também de várias organizações da área da oncologia e da investigação, chegando mesmo a fundar o Laboratório de Oncologia Celular e Molecular Humana, em Paris. Foi membro da Academia de Ciências de Nova Iorque.

in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

JUBILEU DA MISERICÓRDIA: A caridade dá que fazer

a.caridade.da.que.fazerAo longo das últimas semanas, de forma simples e limitada, aqui se foram fazendo referências ao ano jubilar em curso, aos ensinamentos papais, a gestos e símbolos, a textos bíblicos, a exemplos de santos e, mais concretamente, ao tema que lhe dá o mote: a misericórdia.

Mas sobre a misericórdia, por mais que se escreva ou por muitos que sejam os modelos apontados, o melhor texto e ensinamento será sempre a sua prática. E, demos graças a Deus, são muitos os exemplos que, à nossa volta, nos edificam e motivam! Só não vê e só não imita quem não quer.

E ao olharmos a realidade, facilmente concluímos que não há misericórdia sem caridade, na medida que só um amor que se aproxima e compadece é capaz de protagonizar actos semelhantes ao do bom samaritano da parábola evangélica. Por isso se pode afirmar que a caridade (amor) ocupa um lugar central da fé cristã e da vida que daí decorre. Dito de outra maneira, não há verdadeiro discípulo de Jesus que possa esquivar-se ao amor e à sua prática.

Conscientes desta afirmação, das limitações que nos acompanham e da tentação constante do facilitismo apetece-nos dizer que “a caridade dá trabalho”! Como tudo o que é importante.

O desabafo é motivado pelo título de um livro aparecido em 2011, “A caridade dá que fazer. Atualidade das obras de misericórdia”, do monge italiano Luciano Manicardi que, ainda no último Simpósio do Clero (setembro de 2015), proferiu duas conferências aos sacerdotes portugueses. Este texto, entre o muito que ensina e a que valerá a pena voltar, visa ajudar-nos a “reaprender a gramática elementar da caridade” (p.13).

Partindo da experiência protagonizada e observada, temos que concordar que a caridade cansa porque desinstala, obriga a sair da zona de conforto, a contrariar a cómoda neutralidade e a comprometer-se, a passar das palavras aos actos, a protagonizar gestos de generosidade (de bens consumíveis, mas também de tempo, de atenção, de paciência, de visita, etc).

A caridade cansa porque exige mais do que emocionadas palavras, belos discursos ou diagnósticos atentos. A caridade exige conversão do sujeito para que o gesto que se tem ou a palavra que se lança não sejam apenas algo exterior.

Perante as dificuldades que o dia-a-dia nos mostra e que os meios de comunicação nos trazem de perto e de longe, facilmente se poderá apresentar este tempo como mau, com gente a sofrer e a ser perseguida, com refugiados que ninguém quer acolher, com pobres que seria melhor não ver, com seres humanos a serem espoliados da sua dignidade…

Mas este é também o tempo, no dizer daquele autor, que nos traz a oportunidade para sair da “cultura da lamentação” e tentar avançar, através da “caridade da razão” e enxertar a “razão política na caridade e na justiça”.

Mas isso dá trabalho!

JD, in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

Seminário de Resende acolhe antigos seminaristas

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O dia 6 de Junho foi o escolhido para o «reencontro» dos seminaristas que frequentaram o Seminário de Resende na década de cinquenta. Sem barreiras a ultrapassar, com boa vontade a funcionar, cerca de cinquenta foram chegando, uns acompanhados das Esposas, outros na sua solidão, que quer dizer viuvez; uns bem conhecidos de todos, outros a serem muito interrogados sobre a sua origem e nome, pois o tempo não perdoou e a memória não chegava para tudo e para todos; eis que tudo se vai desdobrando em abraços, dando e ouvindo notícias de outros que não puderam vir, mas que bem gostariam de estar presentes…

As inscrições tinham sido feitas e só era preciso dizer: «presente», aceitar o crachat de identificação, para melhor sermos reconhecidos… É que alguns, à distância de vários, muitos anos, já não tinham o aspecto juvenil que ostentavam ao deixar o Seminário.

Havia saudades, havia alegria e bastante curiosidade ao rever fotografias de «velhas» equipas de futebol, onde o «quem é este» era pergunta sacramental. Boa ideia a do Vasco, que nos deixou essas preciosidades de uma meninice que nem se sonhava ter existido.

A Capela esperava por todos para a Eucaristia, a que presidiu o Senhor D. Jacinto Botelho, que falava do «seu velho Seminário» e aguçou a curiosidade de alguns que já não conheceram o velho refeitório, situado na parte original do edifício. Os meus cinco anos de Resende nunca me permitiram esse conhecimento e não me foi possível constatar o segredo, que nem sequer existia como tal.

O J. Pereira Pinto mostrou os seus dotes ao órgão, o coro (geral) não desafinou, a palavra fez-se ouvir, o Vasco mostrou que ainda sabe de rimas, de métricas e de sonoridade nos seus poemas, pelo que o seu soneto em honra da  Senhora de Lourdes bem merece a honra de ser conhecido por um número maior de leitores do que o dos ouvintes daquele dia e naquele lugar. O Senhor D. Jacinto fez ainda relembrar a imagem que veio de França e alguns não deixaram de a olhar ao sair da Capela.

A tarde começava a mostrar as suas leis e a caravana dirigiu-se ao Restaurante onde foi servido o almoço, lá no alto de Resende, ainda por cima da velha igreja, que todos recordámos, mesmo que só de passagem. O Douro, lá ao fundo, empresta o seu nome ao Restaurante, e o olhar podia atingir a bela paisagem de dali se desfruta, com o Marão a servir de pano de fundo ao verde da montanha e ao amarelo que, ali mais perto, se podia admirar nas giestas em flor. Já padre, tive de passar do outro lado e ver que a paisagem do «nosso» lado nada ficava a perder à que revíamos naquele dia.

Findava o repasto, começavam as apresentações para relembrar nomes e terras, o que somos e fazemos. Foi o momento do convívio humano que nos fez recordar nomes e terras, lembrar o passado e conhecer o presente de cada um. Feliz andava o Celestino Baptista, o organizador do «reencontro»; trabalhou, descobriu, apontou, perguntou por outros mais e declarou a sua alegria por ver premiado o seu esforço para levar a bom termo este convívio. Cerejas não casam bem com Vinho do Porto; aquelas, este ano a fazer greve em quantidade e qualidade, não ficaram no prato, não senhores; e o dito Vinho chegou mais tarde e não consta que alguém se tenha sentido mal por esse lado.

A alegria da chegada ia dando lugar à tristeza da partida; teimavam alguns em alargar conversas e os pequenos grupos fizeram sentir que, afinal, ainda nos lembramos de muitas pessoas e coisas, Professores e colegas, peripécias e factos que se relembravam com satisfação.

Ó Zé Lopes, marca lá um encontro em Alvarenga ou outro lugar, leva o Teles, os irmãos Mendes, convida o J. Pereira Pinto, não esqueças o Celestino, nem o Armando que talvez tenha marcado alguns golos na baliza que tão bem defendias.

Ó Rocha, ó Henrique Costa, ó Ramos, Pardal e Maurício, o Douro tem muito para mostrar e nós queremos ver, até eu que também sou duriense; Resende foi lugar de conhecimento, encontro e pode ser lugar para mais «reencontros». Mas a vida continua e nós queremos continuar a viver em pequenos ou grandes encontros, que não deixem perder nem esquecer amizades antigas, afinal, os grandes momentos da nossa vida.

E vós, outros, que é impossível nomear, não vos esqueçais de nós, que não vamos esquecer-vos, sobretudo depois do dia 6 de Junho.

Obrigado aos que vieram, um abraço amigo para os que queriam, mas não puderam vir.

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016