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JUBILEU DA MISERICÓRDIA: Caridade da razão

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O título deste apontamento foi retirado do livro de L. Manicardi, “A caridade dá que fazer”, aqui citado na semana passada. E tal como o título, também as linhas que se seguem ali se inspiram.

A caridade, entendida como amor que aproxima do outro, não passou de moda e, tal como ontem, continua a ser necessária e bem-vinda nos tempos que correm. Não a caridade entendida como favorzinho, esmolinha ou sinónimo de pena, mas realidade humana que é capaz de ver o outro, reconhecer necessidades e agir oportunamente.

Mas a caridade é mais abrangente do que o gesto de dar alguma coisa a alguém; entende-la e vive-la assim seria pouco ambicioso e justo. Isto é, a caridade não pode ser entendida e vivida longe da justiça. Nesse sentido, a caridade deve, também, identificar e denunciar as causas e os causadores de tudo quanto atenta contra a dignidade humana.

Assim, falar de caridade da razão é esforçar-se por ter presente “o sentido do outro”, levando a caridade a ser mais que um mero sentimentalismo ou uma vaga piedade. Porque a caridade não pode andar longe da justiça: “se a caridade é amor pelo irmão, a justiça é amor pelos direitos dos irmãos”. Nesse sentido, a justiça é o rosto social da caridade.

Importa que a caridade tenha capacidade crítica, fruto da presença da razão e da inteligência. Isto significa que a caridade tem que fazer um juízo sobre as situações e sobre as realidades e exprimir uma palavra “forte, clara e profética” sobre os males que produzem a pobreza, a desigualdade, as injustiças… Estar atento e ser responsável perante quem é malvado, sabendo dar nome às obras dos malvados, oferecendo resistência.

A caridade da razão leva a que a justiça e a caridade se encontrem e conjuguem. Dar de comer a quem tem fome, vestir os nus, ensinar… serão sempre gestos concretos de caridade. Mas também será acto de caridade denunciar quem não paga salários justos, quem agride e persegue, quem não defende a vida, etc.

A caridade procura fazer face às necessidades do outro, mas deve também procurar libertar a sociedade das causas que provocam tais situações. Caso contrário traduzir-se-á num mero assistencialismo que não promove o outro e o mantém refém da sua situação.

O cristão também testemunha a sua fé pela atenção que presta aos outro, sobretudo ao mais pobre e marginalizado. Mas o seu gesto não o dispensa de falar, de escolher, de votar e de exigir a quem tem o dever de fazer mais e melhor. O silêncio e a abstenção poderão ser cómodos, mas não ajudam a razão e limitam a caridade. Porque a maldade precisa ser denunciada.

A tarefa é de todos e de cada um. Importa fazê-lo aqui e agora, porque este é o tempo que nos é dado, inspirados no Evangelho.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

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