JUBILEU DA MISERICÓRDIA: A caridade dá que fazer

a.caridade.da.que.fazerAo longo das últimas semanas, de forma simples e limitada, aqui se foram fazendo referências ao ano jubilar em curso, aos ensinamentos papais, a gestos e símbolos, a textos bíblicos, a exemplos de santos e, mais concretamente, ao tema que lhe dá o mote: a misericórdia.

Mas sobre a misericórdia, por mais que se escreva ou por muitos que sejam os modelos apontados, o melhor texto e ensinamento será sempre a sua prática. E, demos graças a Deus, são muitos os exemplos que, à nossa volta, nos edificam e motivam! Só não vê e só não imita quem não quer.

E ao olharmos a realidade, facilmente concluímos que não há misericórdia sem caridade, na medida que só um amor que se aproxima e compadece é capaz de protagonizar actos semelhantes ao do bom samaritano da parábola evangélica. Por isso se pode afirmar que a caridade (amor) ocupa um lugar central da fé cristã e da vida que daí decorre. Dito de outra maneira, não há verdadeiro discípulo de Jesus que possa esquivar-se ao amor e à sua prática.

Conscientes desta afirmação, das limitações que nos acompanham e da tentação constante do facilitismo apetece-nos dizer que “a caridade dá trabalho”! Como tudo o que é importante.

O desabafo é motivado pelo título de um livro aparecido em 2011, “A caridade dá que fazer. Atualidade das obras de misericórdia”, do monge italiano Luciano Manicardi que, ainda no último Simpósio do Clero (setembro de 2015), proferiu duas conferências aos sacerdotes portugueses. Este texto, entre o muito que ensina e a que valerá a pena voltar, visa ajudar-nos a “reaprender a gramática elementar da caridade” (p.13).

Partindo da experiência protagonizada e observada, temos que concordar que a caridade cansa porque desinstala, obriga a sair da zona de conforto, a contrariar a cómoda neutralidade e a comprometer-se, a passar das palavras aos actos, a protagonizar gestos de generosidade (de bens consumíveis, mas também de tempo, de atenção, de paciência, de visita, etc).

A caridade cansa porque exige mais do que emocionadas palavras, belos discursos ou diagnósticos atentos. A caridade exige conversão do sujeito para que o gesto que se tem ou a palavra que se lança não sejam apenas algo exterior.

Perante as dificuldades que o dia-a-dia nos mostra e que os meios de comunicação nos trazem de perto e de longe, facilmente se poderá apresentar este tempo como mau, com gente a sofrer e a ser perseguida, com refugiados que ninguém quer acolher, com pobres que seria melhor não ver, com seres humanos a serem espoliados da sua dignidade…

Mas este é também o tempo, no dizer daquele autor, que nos traz a oportunidade para sair da “cultura da lamentação” e tentar avançar, através da “caridade da razão” e enxertar a “razão política na caridade e na justiça”.

Mas isso dá trabalho!

JD, in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

  1. Ainda sem comentários.
  1. 26/06/2016 às 9:01

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