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Seminário de Resende acolhe antigos seminaristas

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O dia 6 de Junho foi o escolhido para o «reencontro» dos seminaristas que frequentaram o Seminário de Resende na década de cinquenta. Sem barreiras a ultrapassar, com boa vontade a funcionar, cerca de cinquenta foram chegando, uns acompanhados das Esposas, outros na sua solidão, que quer dizer viuvez; uns bem conhecidos de todos, outros a serem muito interrogados sobre a sua origem e nome, pois o tempo não perdoou e a memória não chegava para tudo e para todos; eis que tudo se vai desdobrando em abraços, dando e ouvindo notícias de outros que não puderam vir, mas que bem gostariam de estar presentes…

As inscrições tinham sido feitas e só era preciso dizer: «presente», aceitar o crachat de identificação, para melhor sermos reconhecidos… É que alguns, à distância de vários, muitos anos, já não tinham o aspecto juvenil que ostentavam ao deixar o Seminário.

Havia saudades, havia alegria e bastante curiosidade ao rever fotografias de «velhas» equipas de futebol, onde o «quem é este» era pergunta sacramental. Boa ideia a do Vasco, que nos deixou essas preciosidades de uma meninice que nem se sonhava ter existido.

A Capela esperava por todos para a Eucaristia, a que presidiu o Senhor D. Jacinto Botelho, que falava do «seu velho Seminário» e aguçou a curiosidade de alguns que já não conheceram o velho refeitório, situado na parte original do edifício. Os meus cinco anos de Resende nunca me permitiram esse conhecimento e não me foi possível constatar o segredo, que nem sequer existia como tal.

O J. Pereira Pinto mostrou os seus dotes ao órgão, o coro (geral) não desafinou, a palavra fez-se ouvir, o Vasco mostrou que ainda sabe de rimas, de métricas e de sonoridade nos seus poemas, pelo que o seu soneto em honra da  Senhora de Lourdes bem merece a honra de ser conhecido por um número maior de leitores do que o dos ouvintes daquele dia e naquele lugar. O Senhor D. Jacinto fez ainda relembrar a imagem que veio de França e alguns não deixaram de a olhar ao sair da Capela.

A tarde começava a mostrar as suas leis e a caravana dirigiu-se ao Restaurante onde foi servido o almoço, lá no alto de Resende, ainda por cima da velha igreja, que todos recordámos, mesmo que só de passagem. O Douro, lá ao fundo, empresta o seu nome ao Restaurante, e o olhar podia atingir a bela paisagem de dali se desfruta, com o Marão a servir de pano de fundo ao verde da montanha e ao amarelo que, ali mais perto, se podia admirar nas giestas em flor. Já padre, tive de passar do outro lado e ver que a paisagem do «nosso» lado nada ficava a perder à que revíamos naquele dia.

Findava o repasto, começavam as apresentações para relembrar nomes e terras, o que somos e fazemos. Foi o momento do convívio humano que nos fez recordar nomes e terras, lembrar o passado e conhecer o presente de cada um. Feliz andava o Celestino Baptista, o organizador do «reencontro»; trabalhou, descobriu, apontou, perguntou por outros mais e declarou a sua alegria por ver premiado o seu esforço para levar a bom termo este convívio. Cerejas não casam bem com Vinho do Porto; aquelas, este ano a fazer greve em quantidade e qualidade, não ficaram no prato, não senhores; e o dito Vinho chegou mais tarde e não consta que alguém se tenha sentido mal por esse lado.

A alegria da chegada ia dando lugar à tristeza da partida; teimavam alguns em alargar conversas e os pequenos grupos fizeram sentir que, afinal, ainda nos lembramos de muitas pessoas e coisas, Professores e colegas, peripécias e factos que se relembravam com satisfação.

Ó Zé Lopes, marca lá um encontro em Alvarenga ou outro lugar, leva o Teles, os irmãos Mendes, convida o J. Pereira Pinto, não esqueças o Celestino, nem o Armando que talvez tenha marcado alguns golos na baliza que tão bem defendias.

Ó Rocha, ó Henrique Costa, ó Ramos, Pardal e Maurício, o Douro tem muito para mostrar e nós queremos ver, até eu que também sou duriense; Resende foi lugar de conhecimento, encontro e pode ser lugar para mais «reencontros». Mas a vida continua e nós queremos continuar a viver em pequenos ou grandes encontros, que não deixem perder nem esquecer amizades antigas, afinal, os grandes momentos da nossa vida.

E vós, outros, que é impossível nomear, não vos esqueçais de nós, que não vamos esquecer-vos, sobretudo depois do dia 6 de Junho.

Obrigado aos que vieram, um abraço amigo para os que queriam, mas não puderam vir.

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

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