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ASSUMIR AS IMPERFEIÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 7 de junho

Assumir a Imperffeição

Assumir a Imperfeição

O primeiro destaque da Voz de Lamego desta semana, a partir da primeira página, vai para a Peregrinação Arciprestal a pé ao Santuário da Lapa das paróquias que constituem o Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe e Tabuaço, mas muitos outros temas estão evidência, como a Visita Pastoral de D. António Couto na paróquia de Vila da Ponte, o CONVITE para toda a Diocese para participar no DIA DA FAMÍLIA DIOCESANA, que se realizará a 25 de junho, também no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, bem assim como a informação sobre a Peregrinação Anual, de 10 de junho, do referido Santuário da Lapa… entre muitas outras notícias e reflexões.

Iniciamos a leitura do Jornal Diocesano com o Editorial que nos propõe o nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, num desafio a viver o mês de junho: “no mês dos santos populares, no ano da misericórdia, importa acolher o convite à santidade e assumir com esperança o tempo que vem”.

ASSUMIR A IMPERFEIÇÃO

As festas em honra de alguns santos, o convívio entre familiares e amigos, bem como os feriados municipais contribuem para a popularidade do mês de Junho. E tudo isso é importante e necessário: o exemplo dos santos edifica, a celebração congrega, o convívio familiar aproxima e a pausa laboral permite o repouso e o encontro.

Para os cristãos, celebrar e exaltar a memória e o exemplo dos santos é sempre uma oportunidade para contemplar a santidade, louvando percursos de vida e enaltecendo opções. Mas é também a ocasião para renovar o seu próprio compromisso na mesma caminhada. Porque a santidade é ponto de chegada, meta de uma procura consciente e responsável, prémio para a perseverança fiel; não é herança ou fruto do acaso, mas o resultado de um caminho de transformação iluminado pela prática das virtudes cristãs e humanas.

E nesta caminhada, marcada por diferentes ritmos e sujeita a avanços e recuos, o primeiro passo consiste em assumir os próprios limites. A imperfeição e a fragilidade fazem-nos companhia.

E é neste contexto de imperfeição, de seres frágeis, fracos e, às vezes, rebeldes que Deus oferece a sua santidade como caminho de felicidade. E ninguém fica excluído deste chamamento (LG 39). Aliás, a recusa a este convite só poderá vir daqueles que o julgam supérfluo (já se consideram sem mácula) ou dos que desesperam dos seus limites (duvidar do perdão divino). Se no primeiro caso a imodéstia alimenta uma ilusória auto-suficiência, no segundo há uma deficiente compreensão de Deus que exclui a misericórdia divina.

No mês dos santos populares, no ano da misericórdia, importa acolher o convite à santidade e assumir com esperança o tempo que vem. Porque, como bem escreveu Orson Welles, se todo o santo tem passado, todo o pecador tem um futuro.

in Voz de Lamego, ano 86/26, n.º 4365, 31 de maio de 2016

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