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Os Santos e a Misericórdia: São Camilo de Lelis (1550-1614)

Camilo Lellis

Que a misericórdia nos dê um olhar como o de Cristo que , por sua vez encarnou do mesmo modo como o Pai olha para “cada homem”. Isso depende do facto de Jesus ser principalmente contemplado, com uma intensidade que impele até à identificação com Ele.

De outra forma não se poderia realmente explicar a maneira como São Camilo de Lelis agiu: não só pretendia o melhor para os seus doentes, o que levou a querer dirigir o hospital inteiro, mas também exigia em primeiro lugar – de si e dos seus colaboradores – “a ternura”.

Cada doente era recebido pessoalmente por ele à porta do hospital com um abraço; eram-lhe lavados e beijados os pés; depois,era despido dos seus farrapos, revestido com roupa limpa e levado para uma cama bem feita. Camilo queria pessoas que o ajudassem «não por um salário, mas que voluntariamente e por amor de Deus servissem os doentes com aquele amor com que as mães tratam os próprios filhos enfermos». Os seus colaboradores observava-no para aprenderem: «Quando ele pegava num doente nos braços para lhe mudar os lençóis, fazia-o com tanta afeição e diligência que parecia estar a tocar na própria pessoa de Jesus Cristo.» Por vezes ralhava com os colaboradores, clamando: «Mais coração, quero ver mais afeto materno!» Camilo não temia sujar as mãos nuas com os rostos dos doentes devorados pelo cancro, e depois beijava-os, explicando aos presentes que «os pobres enfermos são pupila e o coração de Deus e por isso tudo o que se fazia a esses pobrezinhos, era a Deus que se fazia».

Os doentes eram para ele como um prolongamento da humanidade sofredora de Cristo. Isso via-se também em certas atitudes que às vezes assumia, quase sem se aperceber. Um biógrafo seu refere: «Numa noite, viram-no de joelhos junto de um pobre enfermo que tinha um tão pestilento e fétido cancro na boca, que não era possível tolerar tanto fedor. E contudo, Camilo falava-lhe absolutamente perto dele, “respiração com respiração”, e dizia-lhe palavras com tanta afeição, que parecia estar enlouquecido de amor por ele, chamando-o especialmente: “Meu senhor, alma minha, que posso eu fazer em vosso serviço?” Procedia assim, por pensar que ele fosse o seu amado Senhor Jesus Cristo…»

Houve outra testemunha que chegou a afirmar: «Muita vez o vi a chorar devido à comoção veemente de que no pobrezinho estivesse Cristo, de tal forma que adorava aquele enfermo como se fosse a pessoa do senhor.»

As expressões podem parecer exageradas, mas não era certamente exagerada a impressão que Camilo deixava em quem o observava: entre a misericórdia concreta para com o próximo necessitado e a ternura para com a pessoa de Cristo, ele não deixava que houvesse nenhuma diferença, tanto que chegava ao ponto de contar a chorar a alguns doentes os pecados da sua vida passada, convencido de que falava com o seu Jesus. Aos seus olhos e no seu coração, Jesus nunca se transformava num ideal, num valor, numa causa, ou num motivo para agir; mas era e permanecia uma Presença adorável e adorada.

 

Ir. Francisca, in Voz de Lamego, ano 86/26, n.º 4365, 31 de maio de 2016

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