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Livro: Mural de Valores

Capa Livro Mural

Livro com a colaboração de alunos e professor

O professor de Educação Moral e Religiosa Católica, Mário Rodrigues, deu seguimento ao projeto iniciado no ano letivo anterior no Agrupamento de Escolas Pe. João Rodrigues de Sernancelhe e publica obra poética “Mural dos Valores” com os alunos do Agrupamento de Escolas Dr. Ramiro Salgado de Torre de Moncorvo: um projeto com sentido.

Como refere o professor de E.M.R.C., Mário Rodrigues, no prefácio deste livro “Neste ano da Misericórdia, lembramos os valores inerentes à fé cristã que nos elevam à grandeza da ajuda ao próximo, à prática do bem e à multiplicação do amor porque cada um de nós é o rosto e as mãos de Deus a atuar na história”.

O projeto deste ‘Mural’ surgiu no início do presente ano letivo e desenvolveu-se nas aulas. A obra nasceu e o sonho ficou concretizado. Os alunos empenharam-se e souberam trabalhar em equipa, em união e fraternidade, o que nem sempre é fácil porque surgem ideias diferentes que têm de saber esculpidas num poema escrito a quatro ou cinco mãos. Como o próprio livro nos mostra, este mural foi construído tijolo a tijolo, palavra a palavra, rima por cima de rima, poemas e mais poemas que edificaram esta obra poética.

A solidariedade, a fraternidade, a paz universal, o amor ao próximo e a abertura ao outro fazem parte da identidade do próprio ser humano que cria experiências de encontro e de diálogo interpessoais. Marcado por estas experiências, o ser humano  cria laços que são fruto da amizade, comunhão e cooperação, mural de valores que pretendemos transpor neste livro e que nos tornam pessoas mais justas e humanamente mais ricas e autênticas.

Lembrando a Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário de Misericórdia “Misericordiae Vultus” do Papa Francisco, “Jesus é o rosto da misericórdia do Pai” e nós temos de ser o testemunho deste amor misericordioso.

Este mural de valores está patente na Sagrada Escritura, onde a misericórdia é uma palavra importante “para indicar o agir de Deus para connosco. Ele não se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias… tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns com os outros” (in Misericordiae Vultus, p.11).

Lembrando todos os intervenientes que contribuíram para o sucesso deste projeto, temos de ter uma palavra de apreço com o município de Torre de Moncorvo que  desde o início se mostrou disponível para apoiar este projeto da disciplina de EMRC e logicamente do nosso agrupamento.

Mário Rodrigues, Professor de EMRC

in Voz de Lamego, ano 86/26, n.º 4365, 31 de maio de 2016

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  1. Filipe Pereira Lamelas
    03/06/2016 às 17:18

    NOSSA SENHORA DOS REMÈDIOS, a ROMARIA DE PORTUGAL que já foi” Obviamente de qualquer lamecense (também de Penude) ao passar pelo baconino mês de Setembro, para além do fim das “malhadas”, da “arranca”, dos primeiros “abais”, da embriagues das vindimas (do vinho fino e outros mostos menos generosos que as margens do nosso vizinho rio Douro oferenda aos homens da terra) lembrar-se-á, de certeza, dessa festividade que já foi “A ROMARIA DE PORTUGAL”, ou seja das festas de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade de Lamego. Com ela veio-me também à memória a palavra “ROMEIRO”, expressão que neste mês e nos tempos de criança tinha um sentido quase mágico. Lembro-me, como se fosse hoje, em que eu e meus irmãos (Carlos, Isidro, Fátima) andávamos por aquelas “lameiras” (Decavaleiro, Decanhardo, Cortes, S. Silvestre, Morqueijo, Tapada, Lameira Solta) e serras (Meadas) com o gado a pastar (vacas, burra, cabras, etc) e víamos pelos caminhos ancestrais (térreos ou graníticos, que lavravam celticamente aquelas terras “do demos” mas também de um Deus que nos ensinaram e piamente acreditávamos e metodicamente ainda acredito, “mutais mutandis”…) fileiras intermináveis de ROMEIROS se movimentando serranias abaixo que nem o enorme terço de minha mãe desfiado ordeira e piamente rumo à “salva rainha, mãe de misericórdia” e ao “abença pai abença mãe”! Que criatura felizes eram estes PEREGRINOS de Nossa Senhora dos Remédios! A pé ou a cavalo nas suas mulas, éguas, burras ou a pé, uns ante outros, como eu os estou a ver, descendo, descendo até desaguarem pelo largo da feira em Lamego. Traziam consigo sonhos, agradecimentos (pela “nobidade” que foi melhor de nos demais anos, promessas (de uma “maleita” curada ao rapazeco ou à patroa (ou aos gadinhos, que ali também eram gente…). Para além da cura da alma estes ROMEIROS de Nossa Senhora dos Remédios que passavam por todos os caminhos (hoje de silvas, mato e outro entulho) do vale da freguesia de Penude, traziam os alforges dos cavalos, mulas e burrecas, repletos de manjares tão bons, tão deliciosos, tão paradisíacos que não há metáforas que os comparem ao quer que seja! Ok, não encontrando melhor expressão, direi então, que eram di-vi-nais ! Ainda eles vinha descendo por aquelas veredas que entaipavam as nossas “lameiras” e, já a umas centenas de metros sentíamos o cheiro a bola de bacalhau, a salpicão da língua, a presunto, a moira, a postas de bacalhau no ovo ou farinha frita. Para já não falar dos garrafões de vinho dependurados ou em “pipitos de beber”. E nem imaginam, caros leitores, como estas “pingas” vindas lá das serras desta gente deviam ser “daqui” (de trás da orelha!!!). Sim porque estes nossos ROMEIROS vinham quase sempre a cantar por ali abaixo, quase não sentindo a dor dos pés naquela caminhada agreste de caminhos acidentados. Cantavam cações religiosas e profanas, numa mistura a que o tal deus Baco não era nada indiferente… Estas vozes de homens e mulheres (raramente se via uma criança…um dia havia de chegar a sua vez, ao contrário de hoje que querem e lhes damos tudo, como “não houvesse um tempo”) eram acompanhadas por uma ou outra concertina e muitos “realejos” bailando naqueles beiços que nem moça serrana em primeiro coito nupcial (que, como sabem, também já não existem…). Cantavam “Ó Manel da rola tens as calças rotas, tens os olhos tortos as pernas marotas”; “Óh oliveira da serra”; e também cantigas bentas. Por onde passavam estes bons ROMEIROS procuravam, de quando em vez, ter gestos de “bons cristãos” e então ora davam um pedaço de bola a um pedinte, a uma criança que apascentava o gado por aqueles campos (na altura não existia trabalho infantil…). Tanto assim era que, numa ocasião em que eu e meus irmãos Carlos Manuel e Isidro “andávamos com as vacas” numas terras que o nosso pai tinha em S. Silvestre, lembramo-nos de irmos “pedir uma esmola” aos ROMEIROS que peregrinavam por ali rumo à Senhora dos Remédios. Então pegamos nas roupas mais velhas que os 3 tínhamos vestidas para o Carlos vestir, assim dando a ideia de pobrezinho! Assim vestido da pior roupita dos 3, o coitado do moço lá se foi aproximando do caminho onde eles não tardariam a passar (ficando nós, eu e Isidro) escondidos cá em cima atrás de uns amieiros, instruindo o Carlos a dizer “Dê-me um esmoalhau)molinha que sou pobrezinho”…E elas davam! E eles davam! Bola (de bacalhau), salpicões, chouriças, biscoito, presunto e broa….E lá iam eles por ali abaicho, caminhos e carreiros entaipados por pedras deformadas e graníticas (eternas!). desciam serra abaixo planalto de Penude fora, desaguando na lendária cidade de Lamego, recebidos maternalmente entre seios das Senhora dos Remédios, por onde andavam noite e dia numa festança baconina (por entre promessas feitas à senhora pelas maleitas desaparecidas, amores reencontrados, etc). A esses bons romeiros que por mim passaram…vais este meu “rosário de recordações”

    Filipe Pereira Lamelas a 2016
    filipelamelas@gmail.com

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