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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | PERDOAR AS INJÚRIAS

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A quinta obra de misericórdia convida a perdoar as injúrias, a ultrapassar actos e palavras que ofenderam. No fundo, trata-se de concretizar a promessa feita de cada vez que o Pai Nosso é rezado: “perdoai-nos… assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Tal como é pedido o pão para cada dia, também se assume o compromisso de perdoar diariamente. Ou seja, temos tanta necessidade de pão como de perdão: no casal, na família, no trabalho, no grupo, na comunidade… Porque, sem perdão, nenhum amor e nenhuma relação humana são possíveis. Quem nunca falhou? Quem nunca desejou uma nova oportunidade? Quem nunca sentiu a consciência pesada e os remorsos diante de algo menos bom? Quem nunca sentiu a alegria de ser perdoado?

A este propósito, será salutar recordar a parábola evangélica que nos fala de um devedor a quem muito é perdoado, mas que não é capaz de perdoar uma pequena dívida que alguém tem para consigo (Mt 18, 21-35). A compaixão do senhor que perdoa não é imitada por aquele a quem muito se perdoou.

Todos nós estamos retratados na figura deste grande devedor: alegramo-nos com o perdão divino e humano diante das nossas falhas, mas nem sempre protagonizamos igual prática quando somos nós os ofendidos. Nessa altura, somos constantemente invadidos por um desejo natural de vingança quando queremos justiça diante de factos que nos prejudicaram ou fizeram sofrer.

Jesus não cessa de nos ensinar a separar o pecado do pecador, a condenar aquele e a dar novas oportunidades a este, porque o homem é sempre maior que a sua falha. Como tantos outros ensinamentos recebidos, também este é mais fácil de compreender do que praticar.

O perdão não é sinónimo de fraqueza ou ausência de amor-próprio; pelo contrário, demonstra grandeza de alma e muita coragem. O mais fácil seria “pagar na mesma moeda”, relembrar constantemente o sucedido, mostrar-se continuamente ofendido e não sair de um registo de vitimização. Mais difícil será fazer um esforço por perdoar e avançar, mesmo que não se seja capaz de esquecer.

Por outro lado, a experiência mostra como o ódio e a vingança devoram quem deles não se liberta, por causa da inquietação provocada. Quantas pessoas encontramos marcadas por alguém a quem não querem perdoar e que, por causa desse “fardo”, continuam presas a uma situação pouco saudável? Ao contrário, o perdão acalma e traz serenidade, na medida em que liberta de sentimentos vingativos. Pode demorar tempo a chegar, mas nunca será tarde.

Um dia, o apóstolo Pedro quis saber quantas vezes deveria perdoar a um irmão que o ofendesse, adiantando que “sete vezes” lhe parecia suficiente. Jesus provoca-o e desafia-o a ir até “setenta vezes sete”, ou seja, sempre!

Se nos perguntarem quantas vezes queremos ser perdoados, responderemos “sempre”!

E os outros,  quantas vezes o merecem?

JD, in Voz de Lamego, ano 86/25, n.º 4364, 24 de maio de 2016

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