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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | CORRIGIR OS QUE ERRAM

corrigir os que erram

A terceira obra de misericórdia espiritual convida a corrigir os que erram. Não porque quem corrige seja imaculado ou superior, mas porque o acto expressa caridade (amor e não “pena”) ao próximo. Uma correcção que, longe de ser mero moralismo prepotente, visa ajudar a encontrar o caminho, a manter o ritmo, a reformular opções, a busca a reconciliação ou a “limar arestas”. E tudo isso com paciência e respeito.

Corrigir, de forma fraternal, os que erram é o oposto da indiferença. Quantas vidas se terão reencontrado, quantas famílias mantiveram a unidade, quantos percursos profissionais foram aperfeiçoados, quantos atalhos evitados… graças à correcção amiga, desinteressada e oportuna que, no momento certo, contribuiu para ver melhor, para voltar atrás, para avançar?

São Tomás d’Aquino escreveu que “corrigir o que erra é esmola espiritual”. Nesse sentido, a advertência fraterna é um dever e é o oposto do “fechar os olhos”. Às vezes confunde-se “indiferença” com “querer bem” e a “crítica construtiva” com “perseguição e incompreensão”. Não querer saber do outro será sempre pior do que chamar à atenção de forma franca e amiga. No imediato pode até causar desconforto, mas a prazo, aquele que é corrigido reconhecerá o bem que lhe queriam; e quem corrige sempre poderá dormir de consciência tranquila.

A vida que o Senhor nos entregou para viver e o caminho que somos convidados a percorrer não estão isentos de obstáculos e as limitações acompanham-nos. Cada um precisa de estar atento para evitar o mal, mas nem sempre consegue ver tudo. Daí que a proximidade fraterna e o conselho oportuno possam ajudar, tal como nos lembra S. Paulo: “ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria” (Cl 3, 16), porque temos capacidades para nos aconselharmos uns aos outros (Rm 15, 14). E aconselha: “corrigi os indisciplinados, encorajai os desanimados, amparai os fracos, sede pacientes com todos” (1 Ts 5, 14).

A correcção, que implica proximidade e afecto, é fruto da atenção e do cuidado, visando denunciar o erro e salvaguardar a vida e a dignidade daquele que o praticou. Por isso, será sempre importante atender à forma como se faz. Não se trata de algo irreflectido, apressado, explosivo, mas fruto de um amor atento e disponível. Quantas vezes a oportunidade e a verdade do que se diz perdem eficácia por causa da maneira como se disse?

Diante de tudo o que se disse e, sobretudo, atendendo à nossa experiencia no acto “corrigir” e de “ser corrigido”, facilmente concluímos que a humildade é fundamental: quer de quem se aproxima para incentivar à mudança (às vezes seria mais cómodo permanecer indiferente), quer de quem é chamado a acolher o avisado conselho (a tentação da auto-suficiência).

Por mais eloquente que seja o mensageiro e oportuna a mensagem, dificilmente se conseguirá ensinar algo a alguém que se considera acima de qualquer contributo.

Ao contrário, a abertura humilde e confiante para dizer e para escutar quebra a auto-suficiência e acolhe a correcção como um dom.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/23, n.º 4362, 10 de maio de 2016

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