Início > Evangelho, , Formação, Igreja, Jesus Cristo, Jubileu da Misericórdia > JUBILEU DA MISERICÓRDIA | ENTERRAR OS MORTOS

JUBILEU DA MISERICÓRDIA | ENTERRAR OS MORTOS

enterrar os mortosA última das Obras de Misericórdia corporais convida a sepultar os mortos. Embora não fazendo parte do elenco das boas obras louvadas por Jesus (Mt 25, 31-46), a Igreja inspirou-se nos gestos de Tobite para este acrescento (Tb 1, 15-18).

Num ambiente rural e cristão como o nosso, a morte de alguém é suficientemente divulgada e o acompanhamento acontece com naturalidade. Há sempre familiares, amigos e outros paroquianos que estão presentes e raros são os funerais sem cerimónia religiosa. Mas pode acontecer que, em ambientes mais urbanos, onde o anonimato facilmente se instala, alguns defuntos não sejam acompanhados e honrados.

O nosso tempo, tão marcado pela eficiência e pela cultura da aparência, tende a marginalizar quem já não tem forças, quem se apresenta com rugas ou deixou de ser autónomo. No mesmo sentido, e apesar de fazer parte da vida, a morte tende a ser “escondida” e deixam-se de lado certos rituais, quer em relação ao defunto quer em relação a familiares e amigos. Como alguém escreveu, “o secularismo em voga esconde a morte, censura o luto, delega as práticas de despedida”.

Sepultar os mortos revela respeito por quem chega ao fim da sua caminhada terrena, pela sua memória, pela sua herança. Trata-se de um último gesto para com o corpo humano, o mesmo que, em virtude da sua fragilidade, precisou de ser cuidado desde o seu nascimento. Por outro lado, sepultar é assumir a separação, já que o corpo do defunto não nos pertence.

Na celebração das exéquias, a Igreja encomenda a Deus os mortos e reanima a esperança dos fiéis e dá testemunho da fé na futura ressurreição com Cristo. Por isso, sepultar os mortos é uma obra de misericórdia para com um irmão que chegou ao fim da sua peregrinação, é um acto de louvor ao Criador e Senhor da vida, é uma oportunidade para se ver confrontado com a sua própria fragilidade e contingência, mas é também uma manifestação de fé e de esperança na Vida que continua.

Por outro lado, não se pode esquecer o acompanhamento e apoio devidos aos que choram, aos ficam mais sós e desamparados, aos que ficam mais desprotegidos, fragilizados e expostos. Porque não é fácil gerir um desaparecimento. A proximidade expressa comunhão e manifesta solidariedade e respeito nestas horas difíceis.

A este propósito, uma palavra de louvor e gratidão para quem se disponibiliza e arranja tempo para acompanhar quem chora e sofre. As muitas, belas e caras flores que se podem enviar não substituem nunca uma presença amiga e reconfortante, por mais discreta que seja. E a oração de sufrágio, não as estrondosas palmas, continuará a ser a mais bela e oportuna homenagem a quem parte, mesmo se marcada pelo silêncio. O Ritual das Exéquias lembra que “evitando as formas de exibicionismo vão, é justo que se dê a devida honra aos corpos dos fiéis defuntos” (Preliminares, n.º 3).

JD, in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: