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D. Alberto Cosme do Amaral . Centenário do seu nascimento . 1

D_Alberto_e_JPII_2_resizedFilho de Manuel Cosme do Amaral e de Rosa Pereira Ramos nasceu, na freguesia do Touro, a 12 de Outubro de 1916. Da casa paterna à velha Igreja Paroquial distanciava a ponte que atravessa o rio. Foi crescendo embalado pelo canto da liturgia e das horas devocionais que lhes entravam pela porta e janelas da casa. A vocação sacerdotal foi nascendo e crescendo neste ambiente cristão, amparada pelas rezas e vivência cristã dos seus tios Lautérios frequentadores e zeladores da Igreja. Por isso quando um jornalista lhe perguntou “como nasceu a sua vocação para ser padre”, respondeu:

– “Não sei como nasceu. Pertence à ordem do mistério. Tenho a certeza que a iniciativa foi de Deus. Que eu me lembre nunca desejei ser outra coisa. Ninguém me sugeriu, fosse o que fosse. Esta ânsia de ser padre nasceu comigo. Eu sei que a iniciativa é sempre de Deus, que, normalmente se serve de intermediários. Comigo não foi assim. Chamou-me diretamente. (…)”.

Depois fala da sua família humilde em bens e cultura e continua:

– ”Eu quis ser padre antes de saber rezar. (…). Quando disse em casa que queria ser padre, mandaram-me dizer isso ao senhor Abade. Eu nem sabia como fazer e dizer. Ensinaram-me. No fim da Missa, fui à sacristia e disse-lhe: – Bote-me a bença, senhor Abade, eu quero ser padre! Ele sorrindo, põe-me a sua mão sobre a cabecita e diz: Pois sim, meu menino, pois sim, quando fores grande, quando fores grande. (…). Depois, sim, vieram os intermediários. Foram tantos e tão dedicados os que me ajudaram a subir a montanha da transfiguração”.

Em 1929 entrou no seminário de Lamego onde brilhou como aluno exemplar no comportamento e no saber. Foi ordenado sacerdote a 13 de Agosto de 1939 e nomeado, em seguida, pároco das paróquias da Horta, Numão e Custoias, no arciprestado de Foz Coa.  Eram tempos difíceis. O jejum eucarístico era desde a meia-noite, o trajeto para as paróquias era a pé, não havia estradas nem transportes e a última Missa terminava já depois do meio- dia. Ainda tentou que alguém confecionasse o pequeno-almoço mas sem resultado – tempos de guerra e de fome.

Em 1943 foi nomeado diretor espiritual do seminário de Resende passando, pouco depois, para o de Lamego. Em 1947 frequentou um Curso de Direção Espiritual e de Acética e Mística no seminário de São Sulpício e Sociologia no Instituto de Cultura Católica em Paris.

Orador fluente e apostólico tanto nas grandes catedrais como nas capelinhas recônditas das aldeias. Cerimoniário da mitra e cónego da Sé, diretor da Obra das Vocações e Seminários (O.V.S.) com o seu jornalzinho, “Servindo a Messe” cujas páginas enchia de doutrina.

Mas ‘a pupila dos seus olhos’ eram os seminaristas e os padres. Queixou-se ao Bispo Diocesano, D. João Campos Neves, o abandono em que deixavam os párocos: -“Tanto cuidado a ampará-los, no Seminário, e, depois, mandámo-los para as paróquias onde os abandonamos ‘como ovelhas para o meio dos lobos”. O Bispo concordou mas andava tão preocupado com a construção do Seminário que afirmou nada poder fazer. Não desistiu, arranjou dinheiro, comprou um Citroen dois cavalos – o célebre ‘pincha’– mais tarde, um Volkswagen – o carocha –  e, todas as semanas de domingo a quinta ao almoço, atendia os seminaristas, depois, partia por essas terras de Cristo a visitar, mensalmente, os sacerdotes e suas irmãs. Muitas vezes intersetavam-no a perguntar-lhe se era o fiscal do bispo para acusarem o padre. Mas passemos-lhe a palavra:

-“ (…) metade da semana passava metido em casa a cuidar da formação dos seminaristas, escondido e silencioso. Vivia para eles dia e noite; a qualquer hora, podiam bater á porta. (…). A outra metade da semana passava-a fora do seminário, em visita aos sacerdotes espalhados pelo imenso território da Diocese. Subia montanhas de 900 metros de altitude e descia a vales fundos, muito fundos. O Douro de margens alcantiladas! Cantava, rezava, pregava, ouvia confidências, absolvia, distribuía a Sagrada Comunhão. Santos Mártires, sacerdotes abandonados, espalhados pelas serranias sem fim. Quantas lições, recebia desses colegas! Recebia muito mais do que dava. Mas era feliz”.  (Continua).

Pe. Justino Lopes, in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

Categorias:Sacerdotes, Testemunho, Vida
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