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Archive for 22/04/2016

De vez em quando… Batismo – o Caso de Vila Marim

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Na passada semana, passou nos telejornais da SIC e da TVI e foi publicada no Jornal de Noticias a queixa e a revolta de um casal de Vila Marim, diocese de Vila Real, contra o pároco da sua paróquia, por colocar dificuldades em baptizar-lhe um filho, com ameaças de abandonar a Igreja e mostrando uma carta de recurso que já seguira para o Papa.

O pároco, como é habitual, não quis dar explicações à comunicação social, o que eu acho uma posição errada. O povo sempre disse que “quem não deve, não teme”.

No desenvolvimento da notícia, percebeu-se claramente que o problema estava na aceitação duns padrinhos programados há muito (tal como o almoço num restaurante da região), que, afinal, não estavam em condições canónicas para exercer essas funções, por não estarem casados pela Igreja.

Ora, o Código do Direito Canónico, pelo qual nos orientamos e regemos, no cânone 874, entre outras condições, diz o seguinte a tal respeito: para alguém exercer as funções de padrinho, requer-se que tenha completado dezasseis anos de idade, seja católico, crismado, já tenha recebido a Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a Fé e o múnus que vai desempenhar.

Efectivamente, a situação de um casal em união de facto ou em casamento civil (pesem embora as suas qualidades humanas que até podem ser muitas) sempre foi considerada como estando em desacordo com os princípios ou valores da Fé e a normas disciplinares da Igreja.

Nos comentários ouvidos na televisão e lido nas redes sociais, a maior parte das pessoas chamaram aos sacerdotes “bandidos”, “salafrários”, e outros nomes que tenho a vergonha de aqui transcrever, dizendo que são uns teimosos que não fazem o que o Papa ensina e manda: – O Papa Francisco diz que todas as pessoas devem ser respeitadas e acolhidas pela Igreja, seja qual for o seu estado e a sua condição! – explicam !

De facto, o Papa repete, uma e outra vez, que todas as pessoas devem ser acolhidas e amadas pela Igreja. E está certo. E é isso o que se faz. Pelo menos, com o meu conhecimento. E não só agora, com o Papa Francisco. Até parece que o Papa nos veio “amansar” a todos! Eu, e todos os párocos que eu conheço, sempre acolhemos com bondade e simpatia os nossos paroquianos, seja qual for a sua situação, e sempre os aceitamos como elementos válidos na vida das nossas comunidades. Porém, que eu saiba, o Papa nunca disse nem escreveu claramente que os párocos devem aceitar as pessoas como padrinhos de Baptismo, seja qual for a sua situação moral ou religiosa.

Até este momento, os párocos não têm qualquer documento escrito, nem receberam qualquer ordem expressa, nem emanada dos Bispo da diocese, nem da Conferência Episcopal, nem do Papa, nesse sentido.

Assim sendo, em meu parecer, não resta aos párocos responsáveis e sérios, senão cumprir o Código em vigor, que determina o que acima ficou dito.

É que, se não existe uma norma comum, ou a interpretação dessa norma fica ao arbítrio de cada sacerdote, haverá (e já há, tal como indicam os comentários da redes sociais), quem, por comodismo, timidez ou magnanimidade pouco justificada, aceite tudo e seja um “passa-culpas”; e haverá quem, por respeito à Lei e à sua consciência, seja minimamente exigente, e será tido e tratado como “rigorista” e “autocrata”. Nós, os párocos não somos donos da Igreja. Temos normas para seguir e temos normas para cumprir, que são as mesmas para todos.

Se assim não for, e cada um fizer o que lhe parecer ou achar, transformar-nos-emos em franco-atiradores, e aumentará cada vez mais uma grande confusão na Igreja, que essa sim, nos descredibilizará a todos.

No caso em análise, e em todos os outros casos do género, não seria mais sensato e agradável que este e todos os casais, antes de marcarem o almoço no restaurante, ter combinado com o seu pároco a data do Baptismo e as condições que devem ter os padrinhos? É que os pais são quem são, e a criança não pode ser prejudicada por isso; mas os padrinhos são quem os pais escolherem. Em meu ver, era mais fácil e mais educado da parte dos pais de Vila Marim escolherem outros padrinhos, do que forçarem o seu pároco a desrespeitar as leis da Igreja e a desobedecer á sua consciência.

Pelos vistos, seguiu uma carta dos pais para o Vaticano. Fico curioso de saber qual vai ser a resposta do Papa. Tendo o Papa jurisdição universal (peço perdão aos canonistas se estou a dizer alguma asneira…), a sua decisão ou a sua interpretação do referido cânone, terá força de lei também universal, e será certamente cumprida de imediato por todos nós. Resolvia-nos muitos problemas e livrava-nos de muitas dores de cabeça.

Fico à espera.

Até lá, eu agirei como agiu o pároco de Vila Marim.

                                                                                             Pe.  J. Correia Duarte,

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

IV Feira Medieval no Externato D. Afonso Henriques – Resende

Foto1 Feira Medieval Externato - Resende

No passado dia 15 de abril, o Externato D. Afonso Henriques, em Resende, voltou, pelo quarto ano consecutivo, num notável crescendo de dimensão, a entrar na máquina do tempo que nos levou até à idade média para a IV Feira Medieval da nossa escola.

Muitos foram os alunos, funcionários e professores que tiveram uma semana atarefada para que fosse possível realizar esta feira, quer contribuindo para a organização, quer preparando atividades para apresentar ao longo deste dia.

O mau tempo não foi obstáculo à realização da feira que, por isso, se realizou no interior do pavilhão desportivo do Externato, que nesse dia se transformou numa verdadeira praça da época medieval recriada através das barracas com artigos, instrumentos, produtos, jogos tradicionais da altura e dos alunos vestidos a rigor.

Tudo começou com o típico desfile no qual se junta toda a gente com os seus disfarces medievais, desfile que abre a feira ano após ano, sendo a primeira de muitas atividades que acontecem neste dia, entre danças, teatros, demonstrações e até mesmo refeições medievais, fazendo tudo remontar àquela época. Tudo isto decorre durante todo o dia, prolongando-se pela noite dentro com um sarau onde a comunidade envolvente pôde também participar.

E assim se passou mais um dia em que o Externato, pela quarta vez, recuou no tempo até à época medieval.

Pe Miguel Peixoto, in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

Encontro Nacional de alunos de EMRC do ensino secundário

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Nos dias 8 e 9 do corrente mês de abril, a cidade de Lamego encheu-se de jovens que vieram participar no VI Encontro Nacional dos Alunos de Educação Moral e Religiosa Católica do Ensino Secundário.Visitaram-nos cerca de 1440 alunos e 160 professores em representação de 13 Dioceses do País. O acolhimento dos alunos teve lugar no estádio dos Remédios por volta das 17.00h do dia 8 nas instalações do Complexo Desportivo de Lamego, com a maioria das actividades a decorrerem no  campo sintético do referido Estádio. Foram diferenciadas as actividades nos múltiplos ateliers propostos: música, dança, teatro, pintura, graffiti. A alegria e a interacção de alunos dos mais diversos pontos do País contagiavam tudo e todos. Após o jantar e forças retemperadas com uma sopa deliciosamente confeccionada pelo CTOE, os alunos desceram o escadório do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios em direcção ao Pavilhão Multiusos. Aí deram continuidade às actividades e surge o primeiro momento de compromisso da e com a disciplina de EMRC: os alunos tinham à sua disposição uma “rede de camuflagem” colocada para o efeito pelo CTOE e eram convidados a escrever uma mensagem sobre a temática do Encontro “…às voltas com o Amor”.

A noite prolongou-se até às 24.00h, em que se dá o 2º momento da noite com o lançamento de centenas de balões de ar quente. O céu encheu-se de cor.

Era hora de descansar (?) e os alunos recolheram ao Pavilhão Multiusos onde tudo estava preparado para uma noite de algum descanso.

O dia 9 de abril “despertou” com alguma chuva que, no entanto, não foi suficiente para desmobilizar. Logo após o pequeno-almoço os alunos receberam das mãos dos militares do CTOE uma carta topográfica para realizarem o moralcaching pelos diversos pontos da cidade de Lamego. O colorido e a movimentação colocavam nas pessoas algumas interrogações: quem são estes jovens? O que andam a fazer?

O Encontro iria terminar na Sé catedral de Lamego com dois momentos significativos: um Itinerário da Misericórdia em 10 passos, no interior da Sé e Claustros, e a Celebração do Envio sob a presidência do Sr. D. António Couto, Bispo de Lamego. Foi um momento muito significativo desta jornada. Não sei se estariam todos os alunos no interior da Sé mas fica uma certeza: não cabia mais ninguém na Sé. O silêncio fez-se: A Parábola do Filho Pródigo foi escutada e reflectida. A mensagem do nosso Pastor foi interiorizada e, alunos e professores, partiram com o coração cheio do amor misericordioso do Pai que dá muitas voltas para nos procurar até nos encontrar. Este Amor de Deus provém do íntimo como um sentimento profundo, natural, feito de ternura e compaixão, de indulgência e perdão.

O Encontro teve um outro desafio que foi proposto aos alunos uns tempos antes, nas suas escolas e com os respectivos professores, na sequência dos desafios do Papa Francisco quando nos convida a sairmos de nós próprios e fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais. Por isso os alunos foram convidados a participar com um bem muito específico – fraldas para crianças e idosos – a entregar a duas Instituições locais: a Cáritas Diocesana e a Santa Casa da Misericórdia de Lamego. A adesão foi fantástica.

Uma palavra final. O nosso profundo agradecimento à Câmara Municipal de Lamego, ao CTOE, à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lamego, à PSP, ao coral do Grupo de Jovens da Sé.

Pel’ A Equipa Coordenadora

Prof. João Ferraz, membro da Equipa Nacional do SNEC,

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016