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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | VISITAR OS PRESOS

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A 6.ª Obra de Misericórdia (OM) convida os fiéis a visitarem os presos, tal como ensinou Jesus (Mt 25, 36). Uma visita que não serve para julgar ou condenar, nem para fazer de conta que nada aconteceu, mas que servirá, certamente, para recordar que há mais vida à espera de ser vivida, que há um Deus que ama e está disposto a perdoar, que o mal deve ser condenado e o pecador perdoado…

Falar de “prisão” é, não apenas dar nome ao edifício que alberga detidos que esperam ser julgados ou condenados que cumprem penas, mas referir a privação de liberdade de movimentos e de outras comodidades. Nesse sentido, prisão é sinónimo de espaço fechado e de tempo para espiar culpas. Por isso, a prisão é sempre uma realidade dolorosa, quer para os que ali passam meses ou anos da sua vida quer para familiares e amigos.

O facto da prisão ser local onde se cumprem castigos faz com que seja visto como espaço para pessoas “más”, diminuindo a vontade de ir, de conhecer, de escutar… Mas, embora o castigo seja o mais evidente, a verdade é que a missão da prisão é mais que a privação de movimentos, prolongando-se na promoção da recuperação e reinserção dos seus reclusos. E há muitos que naquele espaço encontram objectivos para a vida, obtêm formação e são capazes de recomeçar quando dali partem.

Neste contexto, em que a justiça humana procura reparar um mal feito, julgando e condenando aquele que errou, parece difícil conciliar a realidade da prisão com a misericórdia. Como visitar, ser próximo e cordial com quem prejudicou conscientemente, ceifou vidas inocentes ou maltratou semelhantes?

Apesar do convite evangélico, estamos limitados pela nossa ideia de justiça (vingativa) e longe da justiça divina (salvífica). Porque de Deus o perdão não chega depois de cumprida a pena; o perdão é imediato e efectivo. Tal como no-lo revela Jesus (Jo 8, 1-11), o perdão não é uma conclusão, mas fonte e sinónimo de um novo começo.

Concretizar esta OM não é sinónimo de esquecimento das vítimas ou esforço para encontrar atenuantes que desculpem. Isso seria uma falsa misericórdia.

A misericórdia na prisão não visa apagar o mal feito, mas reconhecer a importância da vida e a dignidade de cada um, mesmo daqueles que protagonizaram comportamentos condenáveis. Nesse sentido, visitar os presos e ser arauto da vida e de um Deus que concede novas oportunidades, é protagonizar uma misericórdia que liberta mais do que qualquer pena.

A pastoral nas prisões é uma realidade, concretizada por ministros ordenados, consagrados e tantos fiéis leigos que se voluntariam para o efeito. Pela palavra oportuna, pela escuta atenta e pelo tratamento fraterno vão semeando esperança e contribuindo para a mudança, apesar de ser um serviço discreto e limitado por regras de segurança.

Por último, esta OM passará, também, pelo proporcionar de condições de acolhimento e de apoio aos reclusos que terminam o cumprimento das suas penas. Nesse sentido, o ideal seria que, uma vez saído da prisão, cada ex-recluso encontrasse o seu caminho e o seu ritmo.

JDin Voz de Lamego, ano 86/21, n.º 4358, 12 de abril de 2016

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