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Archive for 10/04/2016

Almacave Jovem – Retiro no Seminário de Resende

retiro 2016 1

Misericordiosos como o Pai

Realizou-se no Seminário de Resende, nos dias 1, 2 e 3 de Abril o Retiro Anual do Grupo Almacave Jovem, cuja finalidade tem vindo a ser, desde há largos anos, a integração dos jovens que se preparam para receber o sacramento da confirmação no grupo de jovens da paróquia de Almacave. Este ano, como expressão da vivência do Ano Santo da Misericórdia, alargou-se o Retiro a outros jovens, tendo esta atividade contado com cerca de 72 participantes.

“Misericordiosos como o Pai” foi o tema orientador, sendo que, no decorrer do fim-de-semana, as reflexões se centraram em dois assuntos fundamentais. No primeiro tema abordado – “Cristo, o rosto da Misericórdia do Pai” -, estes jovens foram descobrindo em Jesus o rosto visível e vivo da misericórdia do Pai (fonte de alegria, de serenidade e de paz), a partir de três Parábolas da Misericórdia do cap. 15 de São Lucas. O segundo tema – “O jovem cristão como fonte de misericórdia”, foi acima de tudo uma provocação, desafiando os jovens a ser, no seu meio, sinais vivos e atuantes da misericórdia de Deus (“Ilhas de Misericórdia”), sendo Igreja, ícone de misericórdia, mãe amorosa de todos, benigna, paciente e cheia de bondade.

Ao longo destes dias, os jovens foram descobrindo que a sua tarefa enquanto cristãos, deve passar exclusivamente por servir todos os Homens (crentes e descrentes), sendo uma Igreja acordada e vigilante, que afirme que não existe indiferença que humilha, nem habituação que anestesia o espírito, nem cinismo que destrói ou egoísmo que exclui.

Este retiro contou com diversos momentos: lúdicos, de silêncio, de oração e de reflexão. Terminou no passado dia 3 de Abril com Eucaristia na Igreja Matriz de Resende, seguindo-se um almoço convívio e uma partilha de testemunhos vividos, na presença dos pais e outros familiares dos jovens participantes. De coração cheio, todos foram reflexo dessa alegria que vem de Deus e deram graças por todos os momentos que fizeram deste retiro um sinal dessa misericórdia infinita, que nos convida a abrir o coração a quem precisa de nós para viver. Entre muitos, foi feito um agradecimento especial ao Seminário de Resende, na pessoa do Sr. Vice-Reitor, Pe. António José Ferreira, à equipa organizadora deste retiro, e às senhoras que colaboraram e acolheram estes jovens, para que tudo corresse da melhor forma.

Como manifestação prática da vivência deste retiro, assente no tema da Misericórdia, o Almacave Jovem e os restantes jovens agora convidados a integrar este grupo, irão estar presentes no próximo sábado, dia 19 de Abril, na celebração Pascal dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Lamego, presidida pelo Senhor D. António Couto, Bispo de Lamego e na recolha de alimentos, para o Banco Alimentar das Paróquias de Almacave e Sé.

Catarina Gonçalves-Almacave Jovem

in Voz de Lamego, ano 86/20, n.º 4357, 5 de abril de 2016

Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Vocações – 2016

VOCAÇÕES_2016

17 de Abril de 2016 – IV Domingo da Páscoa

Amados irmãos e irmãs!

Como gostaria que todos os baptizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto.

Por este motivo, dirijo-me a todos vós, por ocasião deste 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convidando-vos a contemplar a comunidade apostólica e a dar graças pela função da comunidade no caminho vocacional de cada um. Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, recordei as palavras de São Beda, o Venerável, a propósito da vocação de São Mateus: «Miserando atque eligendo» (Misericordiae Vultus, 8). A acção misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário.

O Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, descreveu os passos do processo da evangelização. Um deles é a adesão à comunidade cristã (cf. n. 23), da qual se recebeu o testemunho da fé e a proclamação explícita da misericórdia do Senhor. Esta incorporação comunitária compreende toda a riqueza da vida eclesial, particularmente os Sacramentos. A Igreja não é só um lugar onde se crê, mas também objecto da nossa fé; por isso, dizemos no Credo: «Creio na Igreja».

A chamada de Deus acontece através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica. O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação. O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o individualismo. Estabelece aquela comunhão onde a indiferença foi vencida pelo amor, porque exige que saiamos de nós mesmos, colocando a nossa existência ao serviço do desígnio de Deus e assumindo a situação histórica do seu povo santo.

Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, desejo exortar todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento vocacionais. Quando os Apóstolos procuravam alguém para ocupar o lugar de Judas Iscariotes, São Pedro reuniu cento e vinte irmãos (cf. Act 1, 15); e, para a escolha dos sete diáconos, foi convocado o grupo dos discípulos (cf. Act 6, 2). São Paulo dá a Tito critérios específicos para a escolha dos presbíteros (cf. Tt 1, 5-9). Também hoje, a comunidade cristã não cessa de estar presente na germinação das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 107).

A vocação nasce na Igreja. Desde o despertar duma vocação, é necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. «Um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos» (Ibid., 130). Respondendo à chamada de Deus, o jovem vê alargar-se o próprio horizonte eclesial, pode considerar os múltiplos carismas e realizar assim um discernimento mais objectivo. Deste modo, a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação. O candidato contempla, agradecido, esta mediação comunitária como elemento imprescindível para o seu futuro. Aprende a conhecer e a amar os irmãos e irmãs que percorrem caminhos diferentes do seu; e estes vínculos reforçam a comunhão em todos.

A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de formação, os candidatos às diversas vocações precisam de conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos inicialmente. Com tal finalidade, é oportuno fazer alguma experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, como, por exemplo, comunicar a mensagem cristã ao lado dum bom catequista; experimentar a evangelização nas periferias juntamente com uma comunidade religiosa; descobrir o tesouro da contemplação, partilhando a vida de clausura; conhecer melhor a missão ad gentes em contacto com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos, aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese. Para aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.

A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade. A missão de Paulo e Barnabé é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. Act 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. Act 14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna.

Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas (…). Eu sou o bom pastor» (Jo 10, 7.11). O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade.

Todos os fiéis são chamados a consciencializar-se do dinamismo eclesial da vocação, para que as comunidades de fé possam tornar-se, a exemplo da Virgem Maria, seio materno que acolhe o dom do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35-38). A maternidade da Igreja exprime-se através da oração perseverante pelas vocações e da acção educativa e de acompanhamento daqueles que sentem a chamada de Deus. Fá-lo também mediante uma cuidadosa selecção dos candidatos ao ministério ordenado e à vida consagrada. Enfim, é mãe das vocações pelo contínuo apoio daqueles que consagraram a vida ao serviço dos outros.

Peçamos ao Senhor que conceda, a todas as pessoas que estão a realizar um caminho vocacional, uma profunda adesão à Igreja; e que o Espírito Santo reforce, nos Pastores e em todos os fiéis, a comunhão, o discernimento e a paternidade ou maternidade espiritual.

Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Dai sabedoria para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo, resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e educadora de Jesus, interceda por cada comunidade cristã, para que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas para o serviço do povo santo de Deus.

Cidade do Vaticano, 29 de Novembro – I Domingo do Advento – de 2015.

Franciscus