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Restauro de retábulos põe a descoberto pintura mural

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Restauro de retábulos põe a descoberto pintura mural

A Igreja Matriz de Peravelha no concelho de Moimenta da Beira ganhou a partir do mês de Março uma nova representação religiosa.

A intervenção de conservação e restauro realizada nos retábulos colaterais da Igreja, revelou a existência de pintura mural. Os altares do séc. XVIII, embora se encontrem muito alterados, apresentam características do Barroco estilo Nacional.Encontravam-se em mau estado de conservação, tendo patologias muito diversificadas: repintados com tinta plástica, inseto xilófago ativo, podridão da madeira,utilização de madeiras inadequadas, instabilidade estrutural, entre outras alterações.A intervenção realizada teve em conta as especificidades materiais, técnicas, estéticas e históricas da obra e o seu estado de conservação. Pelo facto de não se tratar de uma obra isolada, mas um conjunto, a intervenção foi pensada para que o todo se apresentasse coeso.

Após a descoberta das pinturas, foi necessário proceder à sua preservação. Identificaram-se do lado da Epistola pequenos fragmentos que não permitem identificar a temática da pintura, enquanto do lado do Evangelho se encontra uma imagem mais completa. Trata-se de uma Nossa Senhora com o Menino envolvida pela mandorla, provavelmente Nossa Senhora do Rosário, não sendo possível identificar as representações laterais.

Na montagem dos retábulos optou-se por recolocar o retábulo colateral direito no local onde se encontrava,após tratamento dos fragmentos de pintura mural e registo fotográfico para memória futura.O retábulo esquerdo ficou avançado relativamente à sua posição inicial, de forma a criar um espaço onde se torne possível visualizar a pintura. Pelo tipo de pintura, técnica e cromatismo, trata-se de uma pintura executada nos finais do séc. XVI, início do séc. XVII. Conjeturamos que a pintura ocupasse uma maior extensão, abrangendo toda a área do arco cruzeiro.

Após a desmontagem dos retábulos foi possível definir com exatidão o estado de conservação da pintura. Registava-se a presença de diversas lacunas ao nível do suporte causadas pela fragilização e decaimento da argamassa, assim como pela colocação de elementos de fixação da estrutura retabular, nomeadamente um barrote que atravessava horizontalmente toda a pintura do lado esquerdo, na zona do rosto de Nossa Senhora. Identificou-se ainda a presença de fissuras de diferentes dimensões, sendo o aspeto mais preocupante a existência de ocos entre a argamassa e a alvenaria, que colocavam em causa a estabilidade da obra. A policromia apresentava diversas lacunas, desgaste, manchas, escorrências e acumulação de sujidades várias, assim como risco de destacamento. O primeiro passo consistiu na estabilização do suporte e fixação da policromia, de forma a conseguir a segurança necessária para a remoção do barrote e a continuação das diferentes etapas necessárias à conservação da pintura.

A pintura, de inegável valor cultural, constitui um exemplar de relevância artística no quadro da pintura mural, sendo o único exemplar visível no concelho de Moimenta da Beira.

A execução deste trabalho foi possível graças ao apoio do Pároco Paulo Esteves e toda a comunidade.

Ana Carla Roçado

Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Lamego

in Voz de Lamego, ano 86/20, n.º 4357, 5 de abril de 2016

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