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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | Visitar os enfermos

visitar os enfermos

A 5.ª obra de misericórdia corporal convida a visitar os enfermos, não como gesto de cortesia ou mero acto social, mas como oportunidade para estar e fazer caminho com aquele que sofre. Se é verdade que a doença pode isolar e conduzir ao rol dos socialmente invisíveis, a visita suaviza e dignifica quem sofre. Quantas vezes um ouvido atento e um coração compreensivo são sinónimo de alívio e ocasião decisiva para a desejada empatia!

Mas pode ser, também, uma oportunidade de crescimento de quem vai ao encontro, na medida em que tal presença e gesto podem contribuir para o autoconhecimento, o hierarquizar das prioridades e o relativizar o acessório. Porque também o visitador transporta consigo as suas enfermidades e feridas, tal como lembra Henri J. M. Nouwen, no livro “O Curador Ferido”: no meio do nosso sofrimento podemos tornar-nos fonte de vida para os outros. Isto é, o processo pode humanizar.

O sofrimento, a doença ou a deficiência incomodam e deixam sem palavras. Não é fácil estar diante ou ao lado de quem já perdeu o futuro, seja pelo desespero da dor seja pela falta de perspectiva de cura. E quantas vezes está também presente a revolta de quem não compreende nem aceita!

Por outro lado, para o crente, pensar na doença como castigo é sofredor e afasta de um Deus que se revela como Pai e Amor. Lembremos o bíblico Job. Sofre com a perda da saúde, dos familiares e dos bens, mas sofre também ao ouvir os seus visitadores falarem de um Deus castigador. Job protagoniza o exemplo do inocente sofredor que se recusa a aceitar os seus males por causa de algum mal que nunca praticou e que os seus amigos tentar colocar como justificação para a sua situação. Diz-se que o teólogo Romano Guardini, no leito da morte, terá dito: “No dia do juízo responderei às perguntas que Deus me fizer. Mas também terei algumas perguntas para fazer: porquê o sofrimento dos inocentes?”. Nesse sentido, estar diante do doente é estar diante do mistério.

A visita ao doente precisa de serenidade, capaz de proporcionar uma gradual comunicação e contribuir para uma crescente confiança entre as partes. Por outro lado, a atenção do visitador deve olhar também para os que cuidam dos doentes.

Por essas terras fora ou à nossa volta, quanto amor testemunhado por pais, filhos, familiares, amigos ou profissionais que, durante anos, cuidam, protegem, alimentam e acompanham quem não tem forças ou está limitado por doenças incapacitantes!

Lembremos também as pessoas anónimas, os membros de grupos/movimentos paroquiais, os voluntários dos hospitais… tanta gente que, sem receitas e sem cursos de medicina, passa pelas casas dos doentes ou por entre as camas hospitalares para se inteirar do que se passa, em atitude de serviço (nem que seja para o evangélico “copo de água”) ou, simplesmente, permanecendo em compreensivo silêncio!

O termo “visita” pode fazer pensar que o acto termina com a distância do enfermo. Mas há uma ligação e uma continuidade que se estabelecem e que podem passar pela oração oferecida, pelo interesse em saber novas, pela vontade em regressar e pelo continuar a acompanhar outros que aparecem…

JD, in Voz de Lamego, ano 86/20, n.º 4357, 5 de abril de 2016

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