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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | Dar pousada aos peregrinos

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A peregrinação, entendida como marcha crente rumo a um lugar de oração, é algo valorizado neste ano jubilar. Porque só caminha quem é capaz de sair de si, da sua casa, da sua zona de conforto… Neste contexto, peregrinos são sinónimo de crentes a caminho de um santuário ou da terra santa que sabem de onde vêm, para onde vão e quais as razões da sua caminhada (esperança).

Entre nós, por exemplo, são notícia os milhares de peregrinos que passam ou daqui partem, em maio, rumo ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Para os que vêm da zona a norte do rio Douro e passam por Lamego, o Movimento da Mensagem de Fátima organiza acolhimento (Eucaristia, refeições, banhos, tratamentos de enfermagem…). Ainda bem que as condições em que tal peregrinação se realiza hoje são bem diferentes das de outrora: os apoios existentes e os meios envolvidos permitem outra comodidade e segurança.

Por outro lado, e atendendo à nossa situação, cada um de nós é sempre hóspede na Terra e peregrino do Além; estamos de passagem, numa habitação provisória (tenda). Uma verdade nem sempre presente, mas que sendo conscientemente assumida poderia contribuir para relativizar aquilo que não é essencial e para valorizar o realmente importante.

Desta forma, se todos somos peregrinos, todos precisamos ser acolhidos e todos podem acolher, não é preciso estar na rota dos que passam em direcção a um santuário ou levar algo a alguém que mora longe para cumprir esta OM; basta estar atento e disponível para ver a realidade envolvente e cuidar da dignidade de todos quantos estão perto. Porque o acolhimento não se limita ao proporcionar de mesa ou cama, já que podemos estar à mesa ou residir na mesma casa com alguém a quem não acolhemos verdadeiramente. Acolher é uma atitude do coração que se deixa interpelar pela realidade do outro.

Dito de outra forma, dar pousada ao peregrino é acolher e respeitar qualquer ser humano, o que permite entrar na lógica da gratuidade e concretizar a boa nova evangélica. Passa por aqui, também, o testemunho crente que permite cumprir a missão. Como bem referiu o Papa, na sua recente viagem ao Paraguai, “na lógica do Evangelho não se convence com as argumentações, com as estratégias nem com as táticas, mas simplesmente aprendendo a acolher, a hospedar” (Assunção, 12/07/2015).

Nos nossos dias, entre todos os peregrinos que a Terra sustenta, merecem particular destaque e atenção os refugiados que fogem de zonas em conflito ou que são injustamente perseguidos. Milhares e milhares de pessoas aflitas e desesperadas buscam uma oportunidade para viver, batendo à nossa porta e confiando na hospitalidade europeia. E as respostas vão aparecendo, apesar do cobarde comportamento de alguns terroristas que semeiam o pânico e a morte, provocando medo e desconfiança.

Acolher quem passa, abrir a porta a quem bate e partilhar algo do que se tem é importante, já que nos outros acolhemos o Outro. Como escreveu o autor da Carta aos Hebreus, “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos” (13, 2).

JD, in Voz de Lamego, ano 86/19, n.º 4356, 29 de março de 2016

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