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D. António Couto em Almacave: A Misericórdia na Bíblia

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Um bom grupo de leigos, acompanhado de alguns sacerdotes, reuniu-se para ouvir a voz do Senhor D. António Couto falar da «Misericórdia na Bíblia», enchendo um dos salões do Centro Paroquial de Almacave, nas três sessões de 8, 9 e 10 de Março corrente.

O tema, pela sua vastidão e atualidade, adivinhava-se atraente; o saber e o sabor da palavra do nosso Bispo eram outros motivos para atrair os que não querem perder um novo impulso sobre a Misericórdia, recordando o convite repetido pelo Papa Francisco.

E fomos ouvindo e aprendendo um pouco mais, sabendo que o tempo gasto nestes encontros não é tempo perdido, mas sempre uma mais-valia para a nossa formação bíblica e cristã.

Ouvimos logo que o caminho assim aberto é dos «mais úteis e práticos da Bíblia, que não vive de palavras, mas de imagens para exprimir a realidade que deseja comunicar».

Por isso, ao falar de «Misericórdia», utilizou a imagem do amor materno e o que se sente perante as manifestações desse amor; se «misericordioso» é palavra que nos mostra um atributo de Deus, o nosso Deus aparece-nos como Alguém que também reza (cfr. Isaías, 56,7) e o faz para que a Sua misericórdia «possa vencer a nossa ira, que possamos tratar os outros com o atributo da misericórdia». Classificando o texto de Êx 34, 6 e 7 como a carta magna do amor de Deus, continuou falando dos treze atributos de Deus, que constituem o «cartão» com que Se apresenta ao Seu povo.

No segundo dia, o Senhor D. António partiu de um facto concreto para nos fazer compreender o sentido das parábolas da misericórdia. Utilizou o caso da ressurreição do filho da viúva, da cidade de Naim, com o encontro de dois cortejos, um que sai e outro que entra na cidade.

Mas o ponto-chave do encontro da noite foi a interpretação das parábolas da ovelha perdida (fora de casa), da dracma (dentro de casa) e a do pai, com seu filho perdido (fora de casa). Entre os judeus, o pai dava três coisas aos filhos: pão, vestido e herança. Pedidos pelo filho mais novo, são dados pelo pai, que assim dividiu com os filhos a sua «vida».

E três coisas dirá o filho que partiu e deu conta de que não tinha pão e morria de fome: «pequei», «não sou digno de ser teu filho», «trata-me como um assalariado». Logo entra em jogo o pai «tomado de misericórdia», que manda preparar um banquete, trazer uma nova veste, sandálias, anel, tudo o que era preciso para fazer uma festa, festa que é a misericórdia em ação.

E entra também o filho mais velho, ficando no ar uma pergunta com que se começou o tema do terceiro dia: o filho mais velho entrou ou não na casa do pai?

Como o texto nada diz sobre isso, a pergunta obteve respostas diferentes no grupo. A chave de interpretação tem de ser outra: tu, eu, entramos ou não na casa do pai? Porque os textos bíblicos são implicativos, quer dizer, interpelam-nos, não nos deixam ficar indiferentes; ovelhas e dracma parecem iguais, mas a chave da parábola reside na diferença entre elas; os dois filhos parecem diferentes, mas a chave da compreensão da parábola reside naquilo em que são iguais: ambos vêem o pai como um patrão

E outra pergunta foi formulada: «quais as figuras mais escandalosas da parábola?» E a resposta vai no sentido de que haja pessoas boas, justas e santas, que são uma transparência e imitação de Deus. Em Mateus ( 5, 20) afirma-se a necessidade de uma justiça, uma maneira de viver, que vem de Deus e faz de nós homens diferentes; Paulo experimentou o que era viver longe ou perto de Jesus Cristo; e fala aos Filipenses de perda e de ganho, este fruto de uma justiça nova na sua vida.

Um texto do Papa Francisco indicou um caminho e uma meta: ir junto de todos para lhes levar a alegria do Evangelho, a misericórdia e o perdão de Deus.

Se no princípio dos três encontros se falou de «imagens» como meio de exprimir a realidade que a Bíblia quer comunicar, ficou connosco a imagem da estátua «contemplada» por Nabucodonosor, imagem que é a sociedade (eu, tu, nós), que importa e é necessário refazer, com um coração sensível, impregnado de misericórdia.

Ao Senhor Bispo foi dita uma palavra de agradecimento, extensiva aos participantes, disso se encarregando, em nome das comunidades de Almacave e Sé, o P.e José Ferreira. Ecoaram palmas na sala e fez-se o voto de que estes encontros de carácter bíblico se façam em cada ano.

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 86/17, n.º 4354, 15 de março de 2016

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