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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | ARREPENDIMENTO

Misericórdia-arrependimento

A cooperação do crente na salvação oferecida por Deus é algo de assumido e sempre desejado, tal como escreveu St. Agostinho: “Aquele que te criou sem si não pode salvar-te sem ti”. E nunca será demais recordar tal realidade neste Ano da Misericórdia, sob pena de pensar-se que tudo está feito e que o crente está dispensado de agir e querer merecer a misericórdia divina. Como escreveu o filósofo dinamarquês e protestante, S. Kierkegaard, somos cristãos na medida em que tomamos consciência de sermos perdoados dos nossos pecados. Se Deus é rico de misericórdia e está sempre disponível para nos perdoar, também é verdade que ao homem se pede que tenha consciência de ser perdoado e se mostre um arrependido agradecido.

O pecado é sempre uma ofensa a Deus. Diante do reconhecimento do pecado e decorrente do pedido de perdão, Deus espera do pecador um espírito contrito, pesado pela dor de O haver ofendido (cfr. Sl 51, Miserere).

A conversão é sinónimo de mudança de direcção, de um voltar-se para uma posição oposta, e significa mudar uma conduta contrária à vontade de Deus. Uma mudança que não se deve ficar pelas intenções ou palavras, mas se deve traduzir em obras.

O arrependimento, ou contrição, faz parte do sacramento da Reconciliação e acompanha o penitente que se confessa arrependido e pronto a mudar, a converter-se. Como poderia falar-se em conversão sem arrependimento? Nesse sentido, o concílio de Trento definiu o arrependimento como “dor de ânimo e reprovação do pecado cometido, acompanhadas do propósito de não pecar mais em relação ao futuro”.

O arrependimento dos pecados chama-se “contrição” quando é inspirado pelo amor filial para com Deus, digno de ser amado sobre todas as coisas; chama-se “atrição” quando é inspirado pelo medo. Como filhos amados de Deus, o nosso arrependimento deve inspirar-se no amor de Deus, mais que no medo. Em todo o caso, o arrependimento revela o propósito de abandonar o pecado e de esforçar-se por evitar as ocasiões para cair no mesmo pecado. Tal arrependimento exprime-se exteriormente na confissão e num compromisso concreto de penitência.

Por outro lado, a tomada de consciência do pecado cometido é fundamental para o pedido de perdão e o consequente arrependimento. Como pode alguém arrepender-se se não nem consciência do mal feito? A diminuição das confissões não é sinónimo de menos pecados, mas de uma perda de sensibilidade em relação ao pecado, levando a moral cristã ao silêncio. A atmosfera social não favorece a distinção necessária entre bem e mal.

Nesse sentido, tal como referido na semana passada, nunca é demais o esforço por formar a consciência. E é neste âmbito que se convida o cristão a fazer o seu exame de consciência, como quem se olha ao espelho, nomeadamente antes de se aproximar do confessor. Fazer o exame de consciência significa avaliar a sua própria posição diante de Deus, à luz da sua Palavra e reconhecer os pecados cometidos por pensamentos, palavras, obras e omissões, graves ou leves, com plena responsabilidade ou por fragilidade.

JD,  in Voz de Lamego, ano 86/15, n.º 4352, 1 de março de 2016

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