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CASA DO GAIATO: Obra de Rapazes, Para Rapazes, Pelos Rapazes

Casa_do_Gaiato_Penafiel_Paco_Sousa

Desde pequena que conheço a Casa do Gaiato. Ainda sem ter noção de tudo o que representa para a sociedade e, em particular, para os rapazes necessitados e suas famílias, achei que era algo bom, algo que eu também gostaria de fazer quando fosse crescida – o que eu via era uma casa onde se recolhiam rapazes pobres ou sem estruturas familiares e se dava Amor. Também comida, abrigo e escola, mas principalmente Amor. Via com olhos de criança (costumam estar muito perto do coração), por isso via o essencial.

Com o tempo, apercebi-me que não era assim tão fácil.

Afinal, o Amor, na sociedade em que vivemos, também foi transformado em algo muito burocrático e escrutinado. Todos acham que devemos dar muitos subsídios e cumprir muitas regras – principalmente os senhores e senhoras dos gabinetes, que acham sempre muita coisa sobre muita gente, e se zangam muito quando não é tudo como eles acham.

Mas se este estado de coisas afasta e assusta muita gente de bem, e que muito bem poderia fazer, não assustou nunca os Padres da Obra de Rua. Independentes e perseverantes, apoiados pela presença constante do Padre Américo, seguem as linhas educativas e de gestão que ele deixou como legado na sua Obra. Apoiadas exclusivamente pela comunidade de amigos, as Casas do Gaiato continuam a acolher e educar rapazes necessitados, em ambiente de família, partilhando tarefas e responsabilidades, tal como partilham benesses e privilégios, sempre com a segurança de terem um lar onde são amados e as suas necessidades básicas satisfeitas.

Podem não ter tudo o que materialmente se pode ter numa instituição do Estado, mas que preço tem ter um pomar, ver um bezerro recém-nascido, partilhar afetos e trabalhos como quem partilha brincadeiras, receber festas e repercussões com a mesma ternura, a ternura de quem educa por Amor?

Quantas famílias, quantas instituições, têm tudo e têm crianças sedentas de Amor? Enquanto não abrirmos os olhos e virmos onde está a falha que nos leva a descurar as necessidades emocionais das nossas crianças, substituindo-as pelos bens materiais e critérios técnicos, de nada nos vale invocar “o superior interesse da criança”.

Não sou técnica, não sou especialista. Sou mãe, catequista, eduquei três filhos. Sou fã da metodologia educativa da Casa do Gaiato e não me dei mal…

Regras, com Amor.

Disciplina, com Amor.

Limites, com Amor.

Não será este o Caminho?

Isilda Montenegro, in Voz de Lamego, ano 86/15, n.º 4352, 1 de março de 2016

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