Início > Evangelho, Jesus Cristo, Vida > EUTANÁSIA : ERRO DELES… ou meu.

EUTANÁSIA : ERRO DELES… ou meu.

medical doctor comforting senior patient

Um grupo de pessoas que dizem ser importantes (???) da nossa sociedade reuniu-se para apresentar um manifesto a favor da eutanásia.

Ao ouvir a notícia pelos meios de Comunicação Social, confesso que fiquei indignado. Não imaginava que pessoas “importantes” – há quem diga que são intelectuais – viessem apresentar ao País que o que os move é o favorecimento da morte. País miserável este se se deixar arrastar por personalidades com semelhante “ importância” e semelhante “ intelectualidade”.

Gostaria de ver personalidades a pugnar pelo direito `a vida (não pelo direito à morte), a promover reuniões e congressos acerca de como viver dignamente e quanto mais tempo melhor! Que houvesse cientistas e que fossem incentivados por mais pessoas cultas (que não estas, obviamente) no sentido de tentarem descobrir a eliminação de mais doenças e de mais anos de vida! Isso sim. Agora, aparecerem-nos “ pessoas cultas”, cuja cultura que nos apresentam é a defesa para que as pessoas se matem ou deixem matar …, que passem bem, muito obrigado. Tais pessoas só podem caminhar para a derrota definitiva, mesmo que neste tempo histórico haja quem lhe bata palmas, satisfazendo o seu ego.

Reduzir o ser humano a um simples objecto, ou seja, coisificar o ser humano, não ter uma visão de transcendência, é tudo, menos cultura digna desse nome, ou então é cultura nivelada por baixo, ao sabor de consensos. Pior, perder a vergonha de considerarem o ser humano submetido a leis de grupo e negando-se o Direito e os direitos da pessoa humana, em geral, é alarmante.

Que se elimine a dor, claro que sim, mas apontar que a dignidade do ser humano está na busca da morte para a eliminar, é erro de civilização.

Defendo, como princípio, que o direito à vida não deve ser referendado, tal como já considerava o caso do aborto, mas perante semelhante investida das “ilustres personalidades”, temos que ser activos, demonstrando o perigo em que se cairá e as consequências imprevisíveis que daí advirão.

Cada século crtica – e bem- o mal que se cometeu no século anterior e, infelizmente, acaba por cometer as maiores crueldades contra o respeito da vida humana : quantas milhões de crianças foram impedidas de viver, por culpa da sociedade que autorizou legislação para a sua eliminação, com a colaboração dos próprios pais !

Mas o certo é que estes mentores e outros vão conseguindo destruir os valores humanos que devem reger a sociedade. Conseguiram legalizar a morte de seres humanos antes de nascer, deixando à deriva que se possam eliminar os nossos semelhantes que não convêm e dispor deles a seu modo. São atitudes indignas do ser humano. A dignidade pessoal é inerente ao indivíduo e fundamenta-se na unicidade e na irrepetibilidade do ser humano. Entendo, por mim, que, desde que se trate da vida humana e da sua defesa, sejam quais forem os governantes e sejam quais forem os homens de “cultura”, não bastará termos princípios assentes, mas antes temos de ter actuação activa na defesa dos direitos humanos e denunciando publicamente os erros e a destruição a que nos levam os senhores “ cultos” da morte. Não basta lavar as mãos como Pilatos.

O CIC é claro: “Assim, uma acção ou omissão que, de per si ou na intenção, cause a morte com o fim de suprimir o sofrimento, constitui um assassínio gravemente contrário à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus Vivo, seu criador.

….

Mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. O uso de analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo correndo o risco de abreviar os seus dias pode ser moralmente conforme com a dignidade humana, se a morte não estiver nas intenções, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável”.

De igual modo, a Evangelium Vitae : “ Hoje, na sequência dos progressos da medicina e num contexto cultural frequentemente fechado à transcendência, a experiência do morrer apresenta-se com algumas características novas. Com efeito, quando prevalece a tendência para apreciar a vida só na medida em que proporciona prazer e bem-estar, o sofrimento aparece como um contratempo insuportável, de que é preciso libertar-se a todo o custo.

Num tal contexto, torna-se cada vez mais forte a tentação da eutanásia, isto é, de apoderar-se da morte, provocando-a antes do tempo e deste modo, pondo fim “docemente” à vida própria ou alheia. Na realidade, aquilo que poderia parecer lógico e humano, apresenta-se quando visto em profundidade, como absurdo e desumano. Estamos aqui perante um dos sintomas maia alarmantes da cultura da morte que avança sobretudo nas sociedades do bem-estar, caracterizadas por uma mentalidade eficientista que faz aparecer demasiadamente gravoso e insuportável o número crescente das pessoas idosas e debilitadas. Com muita frequência, estas acabam por ser isoladas da família e da sociedade, organizada quase exclusivamente com base em critérios de eficiência produtiva, segundo os quais uma vida irremediavelmente incapaz já não tem valor.”.

A sociedade não fica livre dos perigos da eutanásia. Como é que as pessoas idosas e os doentes passam a ter confiança em Hospitais, médicos…, onde o clima estivesse infestado de morte. É que erro gera erro e cai-se no “normal”. De início pode-se apregoar que a eutanásia é só para quem quer, mas depois …Quando se vai ao médico, pretende-se a cura. Agora, ir ao médico e receber um conselho sobre se não será preferível eliminar a própria vida!… Os próprios cuidados paliativos e os medicamentos e tratamentos para a eliminação da dor irão acabar por ser desincentivados, com o andar dos tempos. Que ninguém tenha dúvidas. Ao deixarmos de ser produtivos, não faltarão personalidades “ cultas” a opinar sobre os gastos desnecessários do Estado, para uma vida que já não presta. O médico serve para curar, não para matar.

A morte, através da eutanásia, nunca pode ser um direito humano e não se pode brincar como alguns pretendem.

Por isso entendo que a eutanásia é um erro: deles ou meu.

Júlio Beleza da Costa in Voz de Lamego, ano 86/14, n.º 4351, 23 de fevereiro de 2016

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: