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Archive for 03/02/2016

PROFETAS que se deixam conduzir por DEUS nos CAMINHOS DO AMOR

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Na Casa de São José – Lamego

Dentro da Semana do Consagrado, o Dia do Consagrado acontece a 02 de Fevereiro, dia da Apresentação do Senhor no templo. Neste ano, este dia coincide com o final do Ano do Consagrado.

Os Consagrados da diocese de Lamego celebraram este Dia no domingo, dia 31 de Janeiro, na Eucaristia das 11h30, na Sé de Lamego, que foi presidida pelo Sr. Bispo D. António José da Rocha Couto e foi concelebrada pelo Vigário episcopal para os Consagrados, Padre José Fernando Saraiva Abrunhosa, pelo Presidente da CIRP/CNISP diocesana, Padre Avelino Silva, pelo Padre Vasco Oliveira Pedrinho, responsável pela Comissão Vocações e Ministérios e pelo Pároco da Sé, Padre José Manuel Ferreira.

Estiveram presentes Servas de Maria e do Coração de Jesus e membros das seguintes Congregações e Institutos Seculares: Beneditinos, Cooperadoras da Família, Filhas de S. Camilo, Filhas do Coração de Maria, Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Franciscanos, Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus (provindas da Meda e de S. Cosmado) e Servas de Nossa Senhora de Fátima, que colaboraram no coro, nas leituras, na recolha das ofertas, no cortejo do Ofertório e, após a Homilia deram graças ao Senhor pelo dom da vocação de consagração que lhes concedeu e renovaram os seus votos, prometendo a Deus e à Igreja continuar a ser fiéis na vida de perfeição que escolheram.

Na admonição de entrada, o Padre Avelino Silva, presidente da CIRP-CNISP diocesana, citando o Papa Francisco, disse que este Ano da Vida Consagrada foi convocado para repropor à Igreja a beleza e a preciosidade desta forma peculiar de seguimento de Cristo que é a Vida Consagrada e que os carismas dos Institutos de Vida Consagrada nunca são dons para encerrar dentro de uma redoma, mas para serem inseridos no dinamismo de uma Igreja “em saída”. Terminou a sua admonição pedindo a oração de todos para que os consagrados sejam cada vez mais fiéis e mais disponíveis para o serviço da Igreja em caminho, sendo sinais da visibilidade do Reino de Deus.

Citando o Sr. Bispo na sua homilia, o consagrado deve ser um filho da Escritura, como Jesus que apenas se dedicou à Escritura e não disse nada que não viesse da Escritura. Jesus transforma a Escritura em Palavra, para que possa entrar nos ouvidos e chegar ao coração, onde é pensada, consumida, saboreada. O profeta é o que faz acontecer a história: quando Jesus citou o provérbio – “Médico, cura-te a ti mesmo”, Luc 4, 23 c – está a dizer que isso vai acontecer na cruz: “Salvou os outros, salve-se a si mesmo” Luc 23, 35 c. Jesus cita ainda outro provérbio: “Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria” Luc 4, 24 c, e logo a seguir começa a desencadear-se a reacção contra Jesus. O que Ele diz cumpre-se. Não interpreta a história passada: Ele cria a história. É assim um profeta. Quando em Jer 1, 5 se diz “Antes de te ter formado no ventre materno (…) Eu te consagrei”, Jeremias é cada um de nós, que estamos no coração de Deus desde sempre. Primeiro, Jeremias e Deus entendem-se bem. Depois, Jeremias responde ao Senhor dizendo que vê um ramo de amendoeira (Cf. Jer 1, 11), porque vê a beleza desta vida no meio dos problemas, das tempestades, do inverno e dos charcos da história. Também os consagrados, como profetas que são, devem ser capazes de ver o belo e o bom e de levar sempre esta beleza e bondade de Deus às pessoas. S. Paulo diz que o Amor é o caminho (Icor 12, 31 – 13, 13). O caminho do Amor é andarmos no amor. O Amor é a expressão máxima de Deus. No primeiro sábado da Sua vida pública, Jesus não disse nada de si próprio, deixando-nos antever o último sábado da Sua vida, em que, no túmulo, aguardando a hora da ressurreição, também não fez nada. Os consagrados, como Jesus, somos igualmente chamados a deixar-nos conduzir por Deus nos caminhos do Amor que Ele nos indicar. Devemos assim uma palavra de muita gratidão aos consagrados, pela sua proximidade e pelo clima de oração que proporcionam a todos.

No final da Missa os consagrados ofereceram ao Sr. Bispo um ramo de amendoeira em flor – que coincidiu maravilhosamente com o que o Sr. Bispo dissera na homilia – e um quadro bordado por uma Irmã, com os dados biográficos do Sr. Bispo D. António manifestou-se muito agradecido por estes presentes singelos que, no final deste Ano do Consagrado, quiseram expressar a união e a amizade dos consagrados desta diocese pelo seu Bispo.

Após a Missa, os consagrados dirigiram-se à Casa de São José aonde almoçaram e conviveram fraternalmente e tiveram com eles o Sr. Bispo e o seu Pró-Vigário, Pe. João Carlos Morgado.

Ir. Teresa, in Voz de Lamego, ano 86/11, n.º 4348, 2 de fevereiro de 2016

MISERICÓRDIA e CAPACIDADE | Editorial Voz de Lamego | 2.fevereiro

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A Quaresma é um tempo significativo de preparação próxima para a celebração festiva da Páscoa, Ressurreição do Senhor Jesus. A vivência quaresmal tem uma enorme relevância nas comunidades cristãs, acentuando-se, por vezes, melhor o tempo da Quaresma que o tempo da Páscoa. Porém, quando melhor se viver a Quaresma, como preparação, como antecipação, como conversão para ACOLHER Jesus ressuscitado, mais sentido terá a Páscoa que renova e nos abre as portas para uma vida nova.

A edição desta semana do nosso Jornal diocesano já nos coloca a refletir sobre a Quaresma, com a Mensagem do papa Francisco, com a insistência a viver as obras de Misericórdia, corporais e espirituais, sublinhando também o envio, para todo o mundo, dos missionários da Misericórdia, as 24 Horas para o Senhor, a 4 e 5 de março. O Editorial, proposta de reflexão do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, versa sobre este tempo que se inicia no próximo dia 10 de fevereiro, com a Quarta-feira de Cinzas, tempo de oração, de conversão, de partilha, para nos tornarmos capazes de misericórdia:

MISERICÓRDIA E CAPACIDADE

No próximo dia 10, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma, oportunidade de preparação da festa da Páscoa, coração da fé cristã, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.

Nesse sentido, a Quaresma é entendida como tempo de conversão que assenta na oração, na penitência e na partilha, fruto de uma renúncia consciente e assumida. E porque se fala muito de penitência, importa lembrar que esta não tem o fim em si mesma, mas a procura de uma maior disponibilidade interior. Podemos passar horas de joelhos sem escutar Deus ou dar esmolas sem experimentar proximidade com o próximo…

Na mensagem quaresmal, o Papa faz referência, como seria de esperar, ao jubileu em curso, convidando cada um a experimentar o “amor fiel” de Deus que habilita o homem para protagonizar a misericórdia.

O Ano da Misericórdia não se destina a ser uma oportunidade para coleccionar iniciativas e vivências, individuais ou comunitárias; o grande objectivo é levar cada um a descobrir-se amado por Deus e a agir em conformidade, tornando-se imagem da misericórdia divina, aqui e agora. No fundo, tudo se orienta para que o homem se descubra “capaz de misericórdia”, que testemunhará com naturalidade após a conversão de coração.

Por isso, se apresenta a Quaresma como um “tempo favorável à conversão”, propício para cada um reconhecer a situação em que se encontra, já que “o pobre mais miserável é aquele que não aceita reconhecer-se como tal”. E Francisco acrescenta que este libertar-se da “própria alienação existencial”, acontece graças “à escuta da Palavra e às obras de misericórdia”.

Os quarenta dias quaresmais simbolizam o tempo de preparação para novos começos.

O Ano da Misericórdia pode ser ocasião singular para preparar um novo começo… Porque não há conversão sem caminhada e esta exige sempre um primeiro passo.

in Voz de Lamego, ano 86/11, n.º 4348, 2 de fevereiro de 2016