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Archive for 22/01/2016

Visita Pastoral à Paróquia de São Martinho de Segões

Visita-Segões1Nos dias 8, 9 e 10 de janeiro, o sr. Bispo Dom António Couto,  iniciou a sua Visita Pastoral à paróquia de São Martinho de Segões. A Visita Pastoral é sempre um acontecimento de grande importância para a comunidade cristã. É uma visita em que o bispo, enquanto Pastor da Igreja particular, conhece, convive, dialoga, vê, ouve, recebe e partilha a sua palavra, e especialmente o Evangelho com todos os fiéis.

No final da tarde de sexta-feira, dia 8, o senhor bispo visitou as instalações da Junta de Freguesia de Segões juntamente com as respetivas autoridades civis.

Na manhã do dia seguinte, num encontro com os crismandos e padrinhos podemos anotar as primeiras impressões positivas pela facilidade e simplicidade com que dialogávamos. . Nesse encontro foi explicado que é o Sacramento da Confirmação que aperfeiçoa a graça batismal, ou seja, torna-a mais madura e plenamente desenvolvida, um traço que não pode ser apagado, algo único e que embora não possamos ver ou até mesmo tocar, é algo que todos podemos sentir dentro do nosso coração. Entre curiosidades, respostas e sorrisos, seguiu-se uma visita às instalações da Associação Recreativa e Cultural de Segões que findou num almoço e convívio com toda a comunidade. Já durante a tarde, na Igreja Paroquial de Segões e ao som de muita chuva, o bispo Dom António aqueceu os corações com as suas sábias e meigas palavras a todos os que participaram num encontro de formação sobre o ano da Misericórdia.

No Domingo, dia 10, o vento soprava com intensidade, lembrava-nos a vinda do Espírito Santo (Atos. 2, 2), o dia começou com a celebração da Eucaristia e com a administração do Sacramento da Confirmação para a qual os nove crismandos tanto se prepararam e dedicaram. Após a Eucaristia seguiu-se um almoço com os crismandos e seus familiares,  foi de sorriso nos lábios e com um sentimento de concretização pessoal que acabou mais uma etapa e se iniciou outra.

De coração cheio, queremos agradecer primeiramente a Deus, por todos os dons que nos concede, e em particular, por esta visita do nosso bispo Dom António, que com toda a sua dedicação, humildade, atenção, simplicidade e alegria deixou um pouco de si e levou um pouco de nós.

Joana Santos, in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4346, 19 de janeiro de 2016

Santo Amaro e os Alvitanos

Feira-de-Tradições-de-Alvite

METER O BEDELHO

Menino e moço subia, muitas vezes, a Serra da Nave ora ajudando o meu pai a cortar o mato que, nas cortes do gado, se havia de transformar em estrume para condimentar as terras aráveis ora explorando, com os colegas, os limites territoriais. No fundo do Outeiro Maior, havia, não sei se ainda existe, uma pequena fonte a que éramos levados por um carreirinho, o chamado “carreirinho de Santo Amaro”. O povo chamava aquela fonte, a Fonte de Santo Amaro. Uma pastora, já velhota, informou-nos que, segundo ouvira a seus avós, houvera, ali, uma Capela e um Povo –“sabem os meninos que os primeiros habitantes eram pastores, viviam nos altos para vigiarem os horizontes, depois desceram aos baixios para amanharem as terras. Só eu e poucos mais ficamos, por aqui, presas às nossas ovelhas que estimamos mais que alguns padres as suas apesar de serem humanas ” – e ficou a Capela de Santo Amaro. Abandonada, entrou em ruinas e a imagem – ela dizia ‘o Santo’- foi levada – ela dizia ‘roubada’ – para Alvite. O povo do Touro não gostou e até começou a entoar cantigas de maldizer – de “raiva” dizia ela – cujo coro, ainda, guardo na memória:

          – “Santo Amaro de Alvite

             Que é feito de amieiro,

             É irmão dos meus tamancos

             Criado no meu lameiro.”

Acrescentou, ainda, a velha pastora que até Santo Amaro ficou triste e, de noite, sentia saudades dos altos e voltava para a sua Capela. Mas os Alvitanos são espertos – ela dizia ‘finórios’ – vieram busca-lo em procissão. Depois já foi todo contente. “Sabem meninos, os Santos são rapioqueiros, gostam muito de passear nos andores. Vejam nas festas como vão todos conchos e vaidosos!”

Já em casa, o meu pai confirmou a lenda. Certa ou errada não sei nem vou investigar mas onde há lenda, há factos reais com acrescentos de muita imaginação. E que Santo Amaro é Padroeiro de Alvite também é verdade mas a imagem que se venera na ampla, funcional e linda Igreja Alvitana é das últimas décadas do século passado e não desses tempos de histórias enfeitadas com tanta fantasia. E as Gentes de Alvite veneram-no tão ao seu jeito!… Missa e Procissão seguidas dum grande Convívio Popular em que abatem uma vitela, meia dúzia de suínos e…  comem e dançam até às tantas. Gente bairrista, esta gente alvitana!…

Mas a que propósito vem esta história?

Hoje, 15 de Janeiro, é dia de Santo Amaro e reli a sua biografia e recordeo a sua fonte.

Entregue, desde criança, aos cuidados de São Bento tornou-se, pelas suas qualidades, o seu homem de confiança e seu sucessor.

Vindo uma delegação gaulesa pedir a São Bento que enviasse alguns monges para fundarem um mosteiro, enviou-lhes Amaro. E foi tão profícuo o seu trabalho que o mosteiro deu origem a uma cidade que lhe deu o nome, Saint Maur-sur-Loire.

Morreu vítima duma peste epidémica que limpou mais duma centena de monges. As suas relíquias guardam-se na Cripta da capela do mosteiro do Montecassino.

  Foram os Beneditinos com a sua paciência – a célebre “paciência beneditina” – , os reconstrutores da Europa depois da destruição do Império pelas invasões bárbaras. Com a sua regra, “Ora et labora” “reza e trabalha com alegria” – foram civilizando os bárbaros e construindo as Pátrias à sombra dos seus mosteiros. Os Beneditinos tinham, –  ainda têm?!.. – como seu, o lema romano – “age quod agis”, faz bem feito aquilo que estás a fazer. Esta “cultura do fazer bem feito” implica uma disciplina interior para resistir à tentação do fazer de qualquer maneira. Esta cultura não nasce por decreto mas por educação, por exercício da paciência.

À sombra dos mosteiros beneditinos havia e há um albergue ou hospedaria para o peregrino ou para quem deseje descansar e, – porque não?! – silenciar o barulho interior e restaurar a paz de consciência; havia uma escola diferenciada nos conteúdos donde, mais tarde, surgiram as Universidades.

Séculos mais tarde, os Beneditinos/Cistercienses tornaram-se os cantores da Mãe de Deus. Dizia S. Bernardo, o reformador beneditino:

-“Nas tentações olha para Maria, invoca Maria”.

– “O Senhor não nos quis dar nada que não viesse pelas mãos de Maria”.

E ensinou-nos aquela linda prece: –“Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria….

Uma saudação especial para os Alvitanos e que Santo Amaro, como dizia a velha pastora, “ a eles, proteja e a nós não nos desampare”.

Pe. Justino Lopes, in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4346, 19 de janeiro de 2016