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Jubileu da Misericórdia: Cooperação

solidariedade

A misericórdia de Deus mantém viva a esperança do pecador, na medida em que tal atributo divino é sinónimo de não abandono do homem por parte do Criador. Deus não rejeita ninguém e revela-se como um Deus próximo, sempre pronto a acolher e a conceder novas oportunidades a quantos se descobrem e assumem como pecadores. Acreditamos que a misericórdia é a opção de Deus pela vida, a prova do Seu amor pelos homens de todos os tempos e lugares.

Mas este discurso eclesial sobre a misericórdia não será nunca um convite ao facilitismo ou, como escreveu W. Kasper, “a mensagem da misericórdia divina não é a mensagem de uma graça barata”. A citação bíblica que dá o mote a este jubileu é clara no convite e exigente na sua vivência: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

Por isso, o Ano Santo em curso não pode levar a olhar a misericórdia como um “deixar andar” ou “deixar fazer”, sinónimo de um “cristianismo light” ou convite para um “ser-cristão de borla”. Porque, tal como já aqui foi referido, a misericórdia “põe-nos em movimento” e se tal não acontecer é fruto da nossa pouca adesão.

Assim, não podemos conceber uma misericórdia que perdoa sem nenhuma cooperação do homem. Pelo contrário, a todos deve acompanhar a convicção de que Deus conta com a vontade e o empenhamento de cada um, de acordo com os talentos recebidos. Por mais discretos ou pouco numerosos que sejam, tais dons não podem ser escondidos ou guardados. Aliás, a melhor forma de os preservar é fazê-los render, gastando-os. Tal como ensinou Santo Agostinho: “Aquele que te formou sem ti, não poderá salvar-te sem ti!”. Sem o compromisso e a cooperação do homem que deseja ser salvo, poderíamos cair num “banal optimismo salvífico”, pensando que a misericórdia de Deus premeia preguiçosos!

Poderíamos então, ao longo deste ano jubilar, ter como referência a parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37). Protagonizar a misericórdia é cooperar com Deus, servindo os mais frágeis (os feridos no corpo e na alma, os desiludidos da vida, os das periferias existenciais, os que foram “descartados”, os que anseiam ser compreendidos, ensinados ou perdoados…); não porque Deus necessite do nosso tempo e forças, mas porque a nossa conversão passa por aí, quando traduzimos em obras a nossa fé (Tg 2, 14-26).

No início de mais um ano civil, altura escolhida por muitos para fixar objectivos, enunciar propósitos e adoptar novas posturas, porque não viver e marcar este Ano da Misericórdia? Porque não aceitar o convite da Igreja e protagonizar algo de diferente, novo e salutar? E mesmo que os gestos possam parecer discretos ou quase insignificantes serão, certamente, marcantes na caminhada.

Aceitemos contemplar, dando graças, a misericórdia divina, mas também a responsabilidade de a protagonizar no ambiente familiar, laboral, eclesial…

JD,  in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4344, 5 de janeiro de 2016

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