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Archive for 06/01/2016

Visita Pastoral de D. António Couto na Paróquia do Vilar

Vilar11

Há cerca de oito dias que S. Ex.ª o Bispo da Diocese de Lamego, D. António Couto convive quotidianamente com as Gentes da “Princesa do Távora” que o acolheu de forma apoteótica.

Durante todos os dias conversava com os doentes da freguesia, oferecendo-lhes esperança, aconselhando-os a terem coragem, reforçando a Fé em Cristo Redentor. Conversou com as associações, encorajando-os a unirem- se para conseguirem ter mais força entre eles e aproveitá-la para atingir Deus, nosso Pai. Reunira-se com a Junta de freguesia, para os encorajar a praticarem a caridade, perante os doentes, os mais débeis e os que vivem só. Reunira-se algumas vezes com um grupo de cerca de duas dezenas de Jovens como preparação para o Crisma.

As pessoas de todos os escalões etários se mostraram muito contentes por terem conversado de forma tão aberta, tão simples e tão humilde com tão sábio, tão jovem, tão eloquente e tão carinhoso Prelado. Parece que até já pertence à nossa família, contava-nos um paroquiano. O apogeu de alegria, de convivência religiosa e social com aquele Prelado viria a culminar na tarde do dia 3 de Janeiro com a apoteótica receção ao Senhor Bispo, junto ao velho templo, ora majestosamente remodelado. A procissão foi formada no adro, devido ao mau tempo. O Senhor Bispo e o Padre Ricardo, protegidos por todos os elementos das forças vivas da freguesia, fardados a rigor, seguravam o Pálio. Um grupo de cerca de duas dezenas de jovens que iam receber o crisma abria alas perante a forte multidão que, entoando cânticos religiosos, teimava em se aproximar do Pálio.

Honraram aquele brilhante e incomparável ato religioso o Presidente e o Vice-presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, o Presidente da Junta de Freguesia de Vilar com toda a sua distinta Vereação.

Por fim apinhavam-se um sem número de pessoas daquela freguesia e de outras vizinhas, bem como emigrantes que vieram de propósito da União Europeia, onde trabalham para verem com os seus próprios olhos a beleza da sua igreja remodelada e a jovialidade do seu representante e conselheiro religioso, D. António Couto. De todo o país também estiveram presentes, nas cerimónias, muitos imigrantes religiosos.

Toda a Assembleia ficou admirada pela forma como o Senhor Bispo, o Padre Ricardo e os acólitos, ungiram o novo Altar construído em granito. Começaram por benzê-lo com água benta e depois aos crismandos e a toda a população. Depois acenderam, uma braseira, sobre o altar, onde colocaram incenso, cujo fumo, subindo, significava as almas a voarem para o Céu e Jesus caminhando em sentido oposto para ir ocupar o seu lugar no Altar, porque o Altar é Cristo.

Depois ungiram a mesa do altar e ali colocaram as toalhas e acenderam os respetivos círios, para ficar pronto e ali poderem celebrar-se todas as cerimónias religiosas com o carinho e a dignidade intrínsecas, simbolizando a luz das velas os caminhos claros que cada um deve seguir com o seu próprio coração para encontrar Cristo Redentor.

Logo depois, D. António Couto procedeu à crismação. O pároco, Padre Ricardo, teceu palavras de nobreza e de louvor ao Senhor Bispo, agradecendo- lhe pelo brilho e pela santidade que por ali semeou. Agradeceu também às autoridades pela disponibilidade e pelo refulgente brilho que emprestaram a tão nobre e inesquecível cerimónia. Agradeceu também ao Presidente da Câmara Municipal e ao seu vice-Presidente, ao Presidente da Junta de Freguesia de Vilar e à Vereação, pelas ilustres presenças, bem como a todos os grupos que tornaram possível tão retumbante evento daquela paróquia. São benefícios que perdurarão no tempo e no coração de cada cidadão daquela freguesia.

O Senhor Bispo D. António Couto começara por aconselhar aos crismandos para não terem vergonha e se tornem apóstolos de Cristo, disseminando o bem sempre, ao longo do curto caminho desta terrena vida, fazendo do planeta terra um lugar de felicidade, de harmonia e de bem-estar. Como outrora a freguesia de Vilar se caraterizava pelos famosos frutos que produzia, pela manufatura da telha de caleiro e pela pecuária pela exploração do linho, as pessoas tiveram a feliz iniciativa de oferecer ao Prelado diocesano algo do que ainda se vai produzindo, embora em menor quantidade mas com superior qualidade. Frutas, hortaliças, castanhas, maçãs, etc. Como ainda existem naquela freguesia dois pastores, um deles teve a ideia de oferecer ao Senhor Bispo um cordeiro ainda vivo!

Parabéns a todos.

Manuel Fernandes Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4344, 5 de janeiro de 2016

LIBERDADE PROFUNDA | Editorial Voz de Lamego | 5 de janeiro | 2016

Editorial_Voz_Lamego

O Jubileu da Misericórdia está aí com força, depois da abertura das Portas Santas da Misericórdia outras iniciativas para tornar visível e efetiva da Misericórdia de Deus, acentuando que a Igreja é verdadeiramente Casa de Misericórdia, propondo o amor e o perdão de Deus, que se manifesta em gestos concretos de caridade, de serviço, de solidariedade.

A primeira edição da Voz de Lamego deste ano civil de 2016 segue de perto iniciativas, celebrações e reflexões à volta da Misericórdia e deste Jubileu Extraordinário, mas muitas outras temáticas, notícias, eventos, reflexões.

O Editorial Voz de Lamego, do Pe. Joaquim Dionísio, remete-nos para a Mensagem papal para o Dia Mundial da paz de 2016…

LIBERDADE PROFUNDA

O primeiro dia do ano ficou também marcado pela saudação do Papa ao mundo, nomeadamente através da mensagem para a 49.ª jornada mundial pela paz, “Vence a indiferença e conquista a paz”.

Numa época marcada pela violência de alguns e pelo sofrimento de tantos, a voz do Pontífice recorda ao homem as suas capacidades para fazer mais e melhor, permitindo-lhe manter viva a esperança e evitar a resignação e a indiferença. Por isso, descomprometer-se da edificação de um tempo e de um mundo novos será sinónimo de rejeição dos dons recebidos para o bem de si e de todos.

Mas a mensagem papal pode ser também lida como um convite à busca de uma liberdade autêntica, muito além da possibilidade de dizer ou fazer o que apetece.

Certamente que se deve buscar e preservar uma liberdade que permita, a todos e a cada um, expressar desejos e vontades ou escolher caminhos a percorrer, mas aqui tratar-se-á de uma liberdade mais profunda, espiritual, onde cada um seria também capaz de resistir à publicidade e à obrigação de consumir; uma liberdade capaz de pensar que a felicidade da vida reside, antes de mais, no encontro, na amizade, na escuta; uma liberdade graças à qual cada um seria vencedor diante do mal e da tentação. Um mal/tentação que pode chamar-se burocracia (quando asfixia e afasta), economia desencarnada (quando esquece as pessoas), ciência (quando acredita que tudo lhe é permitido), relativismo (quando o egocentrismo preside)…

Por estes dias é comum e salutar desejar um bom ano a quantos nos acompanham na caminhada da vida. Neste jornal também o fazemos, expressando o desejo de que cada um se comprometa ao serviço de uma liberdade mais profunda, aquela que dá a certeza do essencial, fruto da fé vivida.

Bom Ano.

in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4344, 5 de janeiro de 2016