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Archive for 24/12/2015

NATAL EM MISSÃO | Almacave Jovem

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Este ano o grupo Almacave Jovem decidiu comemorar o seu Natal de uma forma ainda mais preenchida do que os anos anteriores. Não havia melhor forma de inaugurar esta semana natalícia com o grande Sarau Cultural no passado sábado, que já vai na sua II edição, e que contou com a participação e empenho de diversos talentos do grupo Almacave Jovem. Com o tema “Histórias da nossa História”, o sarau desenrolou-se de acordo com a história do Almacave Jovem, apresentando ao público as diversas formas que este grupo já teve, as suas diferentes atividades, os seus diferentes elementos, mas sempre com as mesmas motivações e os mesmos propósitos. Começando com a dança, passando pela música, o teatro, a comédia, terminamos o Sarau com um pequeno momento de Oração que nos uniu ainda mais ao público. Um dos momentos mais altos da noite foi a homenagem que prestamos ao nosso grande amigo Manuel João que já não está entre nós, entre lágrimas e boas lembranças, recordamos atentamente as palavras que ele sempre nos transmitia, “Vivemos para sermos felizes”.

Este Sarau iniciou assim uma semana de grande atividade no grupo. Comemorando a solidariedade, a fraternidade e a misericórdia. No dia 21 estaremos presentes numa reflexão com o tema “Na senda do Ano da Misericórdia” no Convento das Irmãs Dominicanas, já a nossa tarde vai ser passada na Associação “Portas p’rá vida”, sabemos que é urgente criar laços e dar-nos mais às pessoas e foi isso que nos levou a planear esta atividade. Os dias 22 e 23 vão ser dedicados aos doentes da nossa paróquia. As nossas visitas são frequentes mas o nosso sentido de Missão deve, primeiramente, começar pelos nossos doentes, e esta época é a perfeita para consolidar este espírito. Na véspera de Natal, o nosso dia vai ser dedicado aos doentes que estão hospitalizados, escolhemos sempre este dia porque achamos que devemos levar sorrisos e esperança a quem passa uma noite tao bonita como a de Natal de forma tão debilitada. Já depois do Natal, a nossa missão continua, mas também temos momentos lúdicos entre nós e de grande partilha. No dia 21 fazemos a nossa típica Ceia de Grupo, e ainda no dia 28 uma Caminhada Natalícia. Por fim, no dia 31 celebramos a eucarística com os reclusos do Estabelecimento Prisional de Lamego.

É com grande responsabilidade que devemos encarar esta semana de Natal em Missão, porque além de “sal na Terra”, nós queremos ser luz porque, como diz o Papa Francisco, “Um Natal sem luz não é Natal. Que exista a luz na alma, no coração; que exista o perdão aos outros; que não existam inimizades, que são trevas. Que exista a luz de Jesus, tão bela.”

Grupo Almacave Jovem, in Voz de Lamego, ano 85/55, n.º 4343, 22 de dezembro

Homenagem a Monsenhor Cândido de Azevedo

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Visitei-o a última vez, pelos Santos, no Lar da Misericórdia de Sernancelhe. Já não parecia o mesmo, condicionado como estava pela doença. Em pouco mais de um mês, a 13 de Dezembro, o P. Cândido Azevedo entregou a alma ao Criador.

Bem conhecido no arciprestado, na diocese e no país, o Padre Cândido era uma das figuras que sempre prestigiaram a presença e acçao da Igreja. Uma das qualidades que mais o impunham era o seu culto da palavra. Além dos dotes naturais no uso do verbo, falado ou escrito, havia nele um impulso de procura, de saber mais, de investigar, que fazia dele uma fonte de informação no campo da história local (e não só) e das artes, o que significava encontrar nele um interlocutor fácil, disponível, agradável e útil.

Conheci-o e convivi com ele durante vários anos de formação no seminário, durante as férias. Com ele contei sempre nos momentos difíceis e dolorosos do percurso. Como pastor, foi sempre zeloso, dedicado e reconciliador.

Um encontro com ele significava sempre o conhecimento de algo de novo, mediante a narração de qualquer episódio, a referência a algum personagem ignorado do comum dos mortais. Com humor, com espirito crítico, enraizado em princípios sólidos, construía as suas narrativas cheias de arte e sabor, com que se comprazia e deleitava os ouvintes. Para além da retorica que por vezes o dominava, sob a capa de bairrismo, escondia-se um amor à sua terra pátria e à sua língua materna que o enchiam de orgulho, em comparação da mediocridade e a ignorância de alguns que não se dispunham a escutá-lo.

No entusiasmo do seu discurso ninguém o superava. Sempre igual a si mesmo, era capaz de se comover em alguns dos seus sermões ou homilias. O seu zelo pastoral estendia-se às lições de catequese nas paróquias, à presidência dos actos litúrgicos e das procissões, servindo-se, para as deslocações, nos primeiros anos, de uma lambretta. É justo lembrar estes exemplos de uma identidade sacerdotal que, do tempo anterior ao Concilio Vaticano II até aos dias de hoje, soube manter a sua fidelidade à Igreja. Entre outros, há um gesto que ele tinha com o grupo de seminaristas de Penso na década de 50, que não deve ser ignorado e que era o de os convidar para o pequeno-almoço, a seguir à Missa.

Nos encontros de reflexão e de programação, deixei de o acompanhar, mas imagino como ele sempre terá participado, enquanto arcipreste responsável, de forma activa, interessada e critica. Quando se apercebia das dificuldades, havia nele um impulso que o fazia “explodir” e isto era, por vezes, um apelo à correcção, outras vezes, um convite à diversão.

 No campo cultural, ao qual ele era particularmente sensível, o P. Cândido deve ter tido um peso maior do que aquele que se pensa. Por mim, creio que sobretudo a ele se ficou a dever o relevo que hoje tem em Sernancelhe a memória do P. João Rodrigues e do Abade Vasco Moreira. A ele se fica a dever o Museu com o seu nome, a monografia sobre a igreja românica de Sernancelhe, assim como a monografia sobre a casa da Ordem de Malta, além de muitos artigos, publicados geralmente na «Voz de Lamego». De modo particular, recordo a sua presença em Roma, como membro do grupo sernancelhense de visita ao Vaticano.

Homens como o Padre Cândido fazem falta na sociedade e na Igreja: antes de quebrar que torcer, mesmo com defeitos! Ele pode ser apresentado como exemplo do homem de Fé, capaz de abraçar com alegria a Ciência. Nele se abraçam a Religião, a História e a Arte. Para ele chegou a hora de Deus. Esperemos que não tarde a hora do reconhecimento agradecido dos homens!

A. PINTO CARDOSO, in Voz de Lamego, ano 85/55, n.º 4343, 22 de dezembro