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Archive for 22/12/2015

Cáritas Diocesana e a Tarifa social na fatura da Luz

Caritas_Tarifa_social

A EDP associou-se à Cáritas Portuguesa, num projecto aberto a todos as outras empresas do sector energético, para a divulgação da tarifa social e promoção da adesão a todos os clientes, em situação de carência, que ainda não tenham tarifa social. Para tal, a EDP criou uma série de materiais promocionais sobre a tarifa social, bem como um sistema simplificado de adesão à tarifa social, que fará com que os beneficiários possam aderir, no momento do atendimento social, à tarifa social. Para isso as pessoas que efectuem o atendimento social terão à sua disposição um formulário para preencherem com os dados do beneficiário, uma linha de apoio telefónico para obtenção de esclarecimentos e um endereço de e-mail para enviarem a digitalização dos formulários. Em anexo envio um folheto da EDP onde, na página 1, se explica o que é a tarifa social e na página 2 se explica o funcionamento deste sistema simplificado.

Após um pequeno programa piloto a EDP vai arrancar com este projecto a nível nacional, já em Janeiro de 2016, com as seguintes actividades:

– formação sobre a tarifa social e o modo de funcionamento deste projecto, dada pela EDP, a todos os que efectuem atendimento social. A formação será dada em cada uma das Dioceses, caso haja uma participação elevada de representantes da Diocese, através das suas paróquias.

 Caso contrário a EDP utilizará a divisão do país em áreas  (área Norte, Centro, Sul, Lisboa e Vale do Tejo), escolhendo-se para cada área um ponto central onde será dada a acção de formação para as Cáritas Diocesanas e respectivas  paróquias:

– envio de material de comunicação sobre esta campanha.

Depois da formação todos aqueles que efectuem atendimento social ficarão aptos a utilizar o sistema simplificado criado pela EDP e a disseminar essa informação.

Mas, para que a EDP possa planear as acções de formação, é necessário que nos indiquem:

– quantos representantes dentro das vossas Paróquias estarão interessados em participar neste projecto e aceder à formação ministrada pela EDP.

Para que a nossa Cáritas Diocesana possa aderir a este  projecto, será necessário que nos indiquem se estão ou não interessados nesta formação.

Para que o projecto se possa iniciar em 2016 é necessário que nos enviem esta informação, idealmente, até dia 29 de Dezembro.

 

Cordiais saudações Natalícias

A Presidente da Cáritas Diocesana de Lamego

Isabel Duarte Mirandela da Costa

in Voz de Lamego, ano 85/55, n.º 4343, 22 de dezembro

Mensagem de Natal de D. António Couto

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ENCANDEADOS POR JESUS

Neste Natal vai até Belém

Vence o mal com o bem

Na tua história

Entrará o Rei da glória

Não deixes ir embora

O único rei que não reina desde fora.

  1. No Livro de Isaías 42,1-4, perícope conhecida como «Primeiro Canto do Servo», Deus apresenta o seu Servo com um conjunto de notas de singular mansidão, de que realço, em 42,2: «Não fará ouvir desde fora a sua voz». Comentando este passo em Difficile liberté. Essais sur le judaïsme, Emmanuel Levinas, com a sua habitual argúcia e finura, diz do Messias que «é o único rei que não reina desde fora». Entenda-se: não empunha a espada, não impõe a força, não lança impostos, não age por decreto. Traz consigo um domínio novo, que se insinua mansamente e sana a nossa velha e estafada humanidade desde dentro, desde o coração.
  1. É nesse novo coração iluminado que se acende a música dos anjos nos campos de Belém. Atónitos, os pastores decantam essa luz e trauteiam essa música. É assim, em bicos de pés e cântaros de luz, pássaros de dança e música estelar, que vão até Belém. Encontram o amor que os embalava. Levam-no de volta para os campos. Os pesados guardas, se bem que interpelados, nada entendem (cf. Cântico dos Cânticos 3,3-4; 5,7). Ídolos metalizados. Insensíveis. Inúteis. Nenhuma música inebria as estátuas de alegria.
  1. O Natal é intransitivo. O mapa desenrola-se por dentro. Alta tensão, toda a atenção no coração. Só o Amor pode dissolver este nevão. Só o Bem pode vencer o mal (cf. Romanos 12,21). O Bem não combate. Se combatesse, já não seria Bem. Seria mal. Mais mal, portanto, adviria. Só o Bem pode vencer, sem combater, este combate. Só o Amor. O Amor ama também o mal. É aí que o vence.
  1. Entremos por aí. Escreveu recentemente o Cardeal Karl Lehmann, Arcebispo de Mogúncia (Mainz), em Carta Pastoral à sua Diocese, por ocasião dos 1250 anos da morte de São Bonifácio, Apóstolo da Alemanha: «Tornámo-nos um mundo velho. Deixámo-nos vencer pelo cansaço […]. É necessário um radical revigoramento missionário da nossa Igreja. Não se trata apenas de reformar as estruturas. É preciso começar por cada um de nós. Se não estivermos entusiasmados pela profundidade e pela beleza da nossa fé, não podemos verdadeiramente transmiti-la nem aos vizinhos nem aos filhos nem às gerações futuras. […] É necessário também ganhar outras pessoas para a nossa fé cristã e arrastar os cristãos que cederam ao cansaço ou que até abandonaram a Igreja […]. Devemos difundir verdadeiramente o Evangelho de casa em casa, de coração a coração».
  1. Nesta Carta Pastoral, o Cardeal Lehmann traça um quadro realista de uma Igreja que parece envelhecida e cansada, mas aponta também, com mestria e clarividência, as coordenadas que devem moldar o rumo do futuro: não basta reformar por fora estruturas e edifícios; é preciso reformar por dentro, mudar o coração, acendê-lo com a luz nova de Cristo e do seu Evangelho. É preciso conversão pessoal e pastoral. É preciso Natal.
  1. E Quem é o Natal? É um imenso caudal de luz e de alegria, hemorragia de Jesus. Há quem pense amansá-lo e enlatá-lo, domesticá-lo, e depois tomá-lo em pequenos comprimidos, mais ou menos à razão de um por dia. Mas o Natal não se pode comprá-lo ou aviá-lo por receita. Nem cumprimentá-lo, quer com a mão esquerda quer com a direita. O Natal não tem regra ou etiqueta. Não se pode semeá-lo na jeira ali ao lado. Não se pode trocá-lo por qualquer bugiganga à venda no mercado. Este vendaval, que se chama Natal, só podemos deixá-lo entrar por nós adentro aos borbotões, até que rebentem os portões, e caiam um a um todos os botões. Também o mofo e o verdete que há nos corações serão levados na torrente, e também tudo o que apenas é corrente, banal ou indiferente.
  1. O Natal é Jesus. Por isso também, meu irmão de Dezembro, vai até Belém. Põe-te a caminho da Paz e do Carinho. Experimenta abrir o coração à Concórdia. Abraça a Misericórdia. Celebra agora o nascimento do único Rei que não reina desde fora.
  1. Desejo a todos os meus irmãos, sacerdotes, diáconos, consagrados/as e fiéis leigos, doentes, idosos, jovens e crianças das 223 Paróquias da nossa Diocese de Lamego, e da Igreja inteira, um Santo Natal com Jesus sempre no meio e um Novo Ano cheio de Misericórdia. Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, «Ide, e fazei da Casa de meu Pai Casa de Oração e de Misericórdia»!

Vem, Senhor Jesus. Bate à nossa porta. Encandeia a nossa vida.

Lamego, 20 de dezembro de 2015, IV Domingo do Advento

+ António, vosso bispo e irmão