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Jubileu da Misericórdia: Atitude Humana

DAZ112. Bangui (Central African Republic), 29/11/2015.- Pope Francis (C) opens the Holy Door duirng a Mass with priests, religious, catechists and youths in the Bangui Cathedral, in Bangui, Central African Republic, 29 November 2015. Pope Francis is on a last leg of a six days visit that will take him to Kenya, Uganda and the Central African Republic from 25 to 30 November. (Papa, Kenia) EFE/EPA/DANIEL DAL ZENNARO

Nos próximos meses, nas leituras que possamos fazer e nas celebrações em que participaremos, muitas serão as referências à misericórdia. Não apenas para elencar um dos atributos de Deus ou sublinhar o ano santo em curso, mas como atitude a protagonizar por cada um no seu comportamento.

Mas, de que falamos quando referimos a “misericórdia”?

No sentido original, a palavra “misericórdia” faz referência a um coração (cors) que se compadece e aproxima dos pobres (miseri), por quem sente afecto. Nesse sentido, a misericórdia pode ser humanamente descrita como disposição para ir em auxílio daquele que está em dificuldades e é atingido por todo o tipo de misérias, ultrapassando o egoísmo e o egocentrismo. E sair de si para ir em direcção aos outros não é sinal de fraqueza, de debilidade, mas de uma fortaleza que se assume em liberdade e que faz opções.

Na linguagem comum, aparecem outras palavras que tentam traduzir a “misericórdia”. O teólogo W. Kasper, (A Misericórdia – condição fundamental do Evangelho e chave da vida cristã, pp. 28 – 32) fala da “empatia” e da “compaixão” como “novos caminhos de acesso” para a compreensão aquela atitude. E mesmo se algum destes termos pode ter passado de moda, a verdade é que a sua prática nunca se esqueceu e facilmente é protagonizada diante de catástrofes (fomes, refugiados, terramotos…).

O termo “empatia” surge como sinónimo de compaixão e pode entender-se como “compreensão por meio da identificação afectiva”, através da qual há uma identificação com o outro, colocando-se no seu lugar para melhor entender e viver a proximidade. E o que se vive com os vizinhos também se assume com gente distante, nomeadamente através de organizações e projectos que visam prestar auxílio a carenciados.

Aquele autor refere, contudo, a necessidade de ultrapassar “uma compaixão meramente sentimental” ou uma “misericórdia sem eficácia”, entendidas unicamente como conduta caritativa, assumindo também o combate às injustiças e a luta pela justiça. Dito de uma maneira mais simples, a consciência não pode adormecer com a esmola que dá, mas deve implicar-se no acabar com as causas que provocam tais situações.

Para lá das catástrofes atrás referidas, diante das quais se evidencia e louva o imediato altruísmo humano, existem outras realidades que muito podem beneficiar com a compaixão. Neste caso, W. Kasper fala das “situações humanamente sem saída” e dos “reveses pessoais do destino” para quem “o apelo à compaixão constitui um último consolo e um último amparo”.

Será também neste sentido que o Papa Francisco fala da Igreja como “hospital de campanha”, próxima daqueles que mais precisam, e a quem prefere ver “enlameada”, por andar no terreno, do que ver distante e a defender-se atrás de posturas burocráticas (EG 49). E por aqui se vê que a misericórdia, a compaixão ou a empatia não são um floreado retórico, belo, mas inócuo. Pelo contrário, devem gerar movimento em todos os baptizados.

A compaixão é um tema humano que traduz uma experiência universal e pode ajudar a melhor compreender a misericórdia divina.

JD, in Voz de Lamego, ano 85/53, n.º 4340, 1 de dezembro

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