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ROTEIRO DA GLÓRIA | Virgem Peregrina na Diocese de Lamego | 1950

Távora - Rui de Carvalho (6)

À porta do gabinete de Voz de Lamego assomou um rosto conhecido e que, breves momentos depois, desdobrou um exemplar do nosso jornal, aquele em que se fala de uma jovem Acólita que escreveu uma carta ao Santo Padre, pois gostava de estar em Roma e acolitar numa Eucaristia celebrada pelo Papa Francisco; é sua sobrinha!

Ditas as palavras julgadas convenientes para o caso, outras também sobre a família e a terra onde agora vive a D. Leonor, ela tirou da sua mala um livro de que se falou antes da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Diocese de Lamego e que tem por título aquele que damos a este artigo: «Roteiro de Glória». Houve quem quisesse saber alguma coisa do que se passou em 1950 e a pergunta também chegou aos nossos ouvidos; era o livro, o que nele se descrevia, o quê e o como ali se desenvolvia o tema. Houve respostas, não da nossa parte, pois pensamos ter o livro, mas onde se encontra ele?

O jovem daquele tempo ainda retém na sua memória muito do que viveu naqueles dias, deslocou-se à terra vizinha onde a Senhora pernoitou, voltou a sua casa, mas não parou enquanto a Senhora não passou à terra para onde caminhava e que era e é limite de freguesias, concelhos e até distritos. Sempre a pé, horas e horas, com outros companheiros, entusiasmados também com o que se passava.

A Senhora pernoitou em Sebadelhe, no dia seguinte atravessou a Horta, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, e dali seguiu para os Pereiros, já no concelho de S. João da Pesqueira.

Uma palavra ouvida em Sebadelhe, uma pergunta ao Pároco que estava de saída das suas paróquias: «porque é que Nossa Senhora não faz aqui um milagre?» E o Padre Magalhães respondeu: «querem outro além do das pombas que não largam o andor de Nossa Senhora?»

Efectivamente duas ou três pombas acompanhavam sempre o andor e não saíam dali, com todo o barulho que se fazia a cantar e a rezar, o movimento de passagem do andor de ombro para ombro de todos os que queriam pegar no mesmo, o que eu fiz também já no caminho, estrada para os Pereiros.

Mas, dizia a D. Leonor: «porque não se fez (ou faz) outro livro da passagem e peregrinação deste ano»? A resposta não pode ser minha e, hoje, pouco mais se poderá dizer para além do que foi relatado para Voz de Lamego. Sabemos que houve uma palavra do Pró-Vigário da Diocese ao Secretariado do Movimento da Mensagem de Fátima, não sabemos se ainda se pensa no caso, mas ao folhear o livro sobre a passagem de 1950, dei conta da riqueza histórica que ele contém para a vida da nossa Diocese.

A conversa já se alargou e soubemos que dos sacerdotes da Diocese naquele ano só vivem três; pudemos ver nomes e rever rostos de alguns que depois conhecemos pessoalmente, de quem fomos amigos e que já partiram; de outros, ficou-nos apenas o nome e a alegria interior de um acontecimento mariano que provocou tanto entusiasmo na Diocese, percorrida de modo diferente, por caminhos e estradas, em pleno verão de calor intenso, com o andor aos ombros dos cristãos lamecenses, as autoridades a consagrar concelhos e distritos a Maria, crianças, jovens e adultos a colaborar alegremente nas celebrações, a querer pegar no andor. Todos a rezar e a cantar os louvores da Senhora, estrada fora, pelos caminhos que também eram da Mãe e Rainha, muitas famílias a assinar o compromisso de rezar o terço todos os dias, e muito, muito mais que os Padres Bento da Guia e Rodrigues da Cunha nos puderam e bem souberam transmitir. No tempo da escrita à mão, da tipografia letra a letra, da fotografia em zincogravura que tinha de ser preparada em oficinas próprias, fez-se um livro pelo qual se pergunta e se gostava de ter. Daqui a sessenta e cinco anos o que se lembrará ou perguntará da nova passagem da Virgem Peregrina pela Diocese de Lamego?

De então se disse: «… Antes de o cortejo chegar ao Rossio, a cidade estava rendida ao Coração de Maria! Gentes de Mazes, Perafita, Lazarim, Lalim, Salzedas, Melcões, Meijinhos, Britiande, Moimentinha, Várzea de Abrunhais, Alvelos, Samodães, Ferreiros de Avões, Régua, Cambres, Sande, Valdigem, Armamar, Magueija, Arneiroz, Lamelas, Póvoa, Juvandes, Ferreirim, Gralheira, Panchorra, Gozende, Penajóia, etc, etc, ali estavam para referendar, na moção do seu querido Bispo, um VOTO de confiança no GOVERNO da Suave e Formosa RAINHA.»

Dá gosto ler, impossível tudo reproduzir, percorrer estradas agora conhecidas, atravessar serras e vales, rezar e cantar com todos os povos, aldeias, vilas e a cidade por onde a Virgem passou, onde pousou para alegria dos naturais e descanso de quem A acompanhava de terra em terra.

Ao livro não posso chamar «meu», pelo que não me vou descuidar de o ler antes de o entregar a quem mo confiou; não tem discursos nem outras palavras que não se gravaram, mas lembra cânticos de então e de sempre, como fala de Avè Marias rezadas com amor Àquela que o Anjo saudou, Isabel recebeu em sua casa e nós gostaríamos de fazer, a Igreja perpetuou em orações e amor e muitos de nós sentimo-nos herdeiros dos que, então, acompanharam Maria através da nossa Diocese.

Façamos silêncio; a Senhora voltou, chegou e partiu; esteve connosco e levou-nos consigo; é o amor da Mãe que está sempre com os Seus filhos. E tristes daqueles que não têm nem querem Maria na sua vida; mas não se esqueçam de, um dia, dizer: Avè , Maria. Ela ouvirá.

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 85/48, n.º 4335, 27 de outubro

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