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Archive for 29/10/2015

D. António Couto aos Consagrados: Seguir Jesus no Caminho

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No sábado passado, 24 de outubro de 2015, reunimo-nos cerca de trinta consagrados no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, para vivermos uma manhã de reflexão com o nosso Bispo D. António Couto. Este encontro teve o seu momento culminante na Eucaristia, à qual se seguiu um almoço de partilha fraterna entre todos os presentes.

No final, saímos mais ricos e agradecidos, em especial ao Senhor Bispo e também às Irmãs que servem neste santuário, pelo acolhimento e generosidade com que nos receberam.

A reflexão do Senhor Bispo centrou-se no episódio do cego de Jericó (Mc 10, 46-52), evangelho do domingo XXX do Tempo Comum.

Com o pedido insistente do cego, que, quando o mandaram calar, ainda gritava mais por Jesus, Marcos ensina-nos que a nossa oração deve ser insistente e persistente. Ao vê-lo, Jesus disse-lhe, Que queres que Eu te faça? porque nós temos que dizer a nossa vida a Jesus. Marcos ensina-nos, assim, a rezar.

O cego, ao atirar fora o manto, no qual recolhia as moedas, atirou fora tudo o que tinha: ficou sem nada, deu um salto e foi ter com Jesus, o Único que tem soluções fortes para a vida humana. Ficou logo a ver e passou a seguir Jesus no caminho. Estava à beira do caminho e entra no caminho vocacional da missão de Jesus.

Em Mc 10, 35-45, João e Tiago que iam com Jesus no caminho também estavam cegos, ao quererem sentar-se em bons lugares, quando Jesus lhes ensinara que deviam procurar o último lugar. E os outros dez apóstolos, indignados com o pedido destes dois, também eram cegos, e nós com eles, quando nos consideramos melhores que os outros, por sermos consagrados.

Em Mc 10, 28, o evangelho mostra-nos outro cego: Pedro que se dirige a Jesus, dizendo, Nós deixámos tudo e seguimos-Te! Como nós por vezes, Pedro sentia-se com méritos sobre os outros, como se Deus tivesse que nos pagar o que nos deve…

O homem rico (Mc 10, 17-22) é alguém que tão depressa entra no caminho de Jesus, como sai dele, tal como acontece às vezes connosco, inconstantes, quando as coisas não nos correm bem, o que ocorre normalmente pelo apego a alguma coisa.

Como a nós, que também sabemos bem Quem Jesus é, mas tantas vezes nos colocamos à frente d’Ele e não O deixamos andar, nem falar nas nossas vidas – e ninguém pode evangelizar sem ser com Jesus – em Mc 8, 29, Pedro respondeu certo à pergunta de Jesus – E vós, quem dizeis que Eu sou?- mas, de facto, não sabia bem Quem Ele era, pois, logo a seguir, em Mc 8, 32, repreende Jesus quando este lhes fala da Sua Paixão. Jesus responde, Vai para trás de Mim, Satanás! porque Pedro se tinha posto à frente do caminho de Jesus, tinha-se atravessado à frente. Jesus chama-o a tomar o seu lugar de discípulo.

Destes vários cegos, o único que vai vendo alguma coisa é o cego de Jericó…

No seu evangelho, Marcos nunca menciona a palavra discípulo, mas discípulos, pois quer ensinar-nos que o evangelizador não vai sozinho, pois só em comunidade pode viver. A nossa missão é a de arranjar outros evangelizadores, pois qualquer pessoa se pode transformar num evangelizador. O cego não sabia a doutrina nem os mandamentos…

Segui-l’O verdadeiramente é ir buscar outros. Ao ouvir os gritos do cego, Jesus pára: comunga da situação daquela pessoa que ali está, ensinando-nos a fazer o mesmo. O Senhor Bispo terminou a sua reflexão, pedindo-nos insistentemente para irmos à procura das pessoas, começando pelas que se aproximam de nós, sabendo acolhê-las, entusiasmando-as por Cristo e pelo seu evangelho, como Jesus nos ensinou a fazer, para que haja muito mais gente dedicada ao evangelho.

Irmã Teresa Frias, Serva de Nossa Senhora de de Fátima, CIRP diocesana

in Voz de Lamego, ano 85/48, n.º 4335, 27 de outubro

Zona Pastoral de São João da Pesqueira | Tomadas de Posse

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No passado domingo, dia 25 de Outubro, tomaram posse do espaço pastoral deixado vago pelo falecimento do P. Manuel João, os padres Manuel Abrunhosa, António Júlio e José Filipe Pereira. O Pe. Adelino tomou posse, como administrador paroquial, da parte da manhã, das paróquias de Pereiros, Vilarouco e Valongo dos Azeites; de tarde, o P. António Júlio tomou posse, também como administrador paroquial, de Vale de Figueira a Velha e o P. José Filipe como vigário paroquial da mesma, com o encargo pastoral de Vale de Vila. Os administradores paroquiais foram apresentados pelo P. João Carlos Morgado, em representação do senhor bispo.

A memória e a gratidão da vida e do ministério do Pe. Manuel João esteve sempre presente na mente e nas palavras dos intervenientes nas celebrações. Nas palavras de saudação ao novo pastor, Filipa Almeida em nome do Povo de Valongo dos Azeites assim se expressou: “Nesta hora de alegria em que o recebemos de coração e braços abertos, não podemos deixar de prestar a nossa mais sentida homenagem ao seu antecessor, Pe. Manuel João Nogueira Amaral que, embora esteja já na presença de Deus, estará sempre nos nossos corações, lugar que conquistou pela sua bondade, alegria, humildade, dedicação e estima pelo povo valonguense. E até ao reencontro será sempre recordado com amor, carinho e gratidão”.  E apontando para o futuro e para o Pe. Manuel Abrunhosa, continuou: “Sabemos e temos noção da importância que a sua vinda tem no seio da nossa comunidade paroquial a fim de nos ajudar a fortalecer na fé que nos guia até ao Bom Pastor, Jesus Cristo.”

 A maturidade e serenidade das comunidades diante dos desígnios da Providência que motivaram esta movimentação do clero, esteve patente também na saudação de Heloísa Varela que, desta forma, saudou o P. António Júlio: “Os paroquianos da paróquia de Nossa Senhora do Rosário, de Vale de Figueira juntam-se a mim para lhe dar as boas vindas. Temos total certeza que o seu nome já estava escrito nos planos de Deus para hoje estar no meio de nós, para connosco caminhar, sendo aquele que nos orientará a partir de hoje.”

O Pe. Manuel Abrunhosa manifestou a sua alegria por regressar à zona pastoral onde há 45 anos começou o seu ministério sacerdotal. Prontificou-se a respeitar as tradições dos povos na medida das suas forças e do tempo disponível que os outros encargos pastorais o permitam. A mesma disponibilidade foi manifestada pelos padres António Júlio e José Filipe Pereira, cuja proximidade geográfica os fazia já conhecidos e estimados pelos povos que os acolheram e onde já pontualmente ajudavam o seu antecessor.

Estão pois de parabéns estas comunidades pela maturidade que manifestaram nestes tempos difíceis da sua história, em que em menos de cinco anos viveram o luto de dois dos seus párocos e pela forma familiar, simples e disponível com que acolheram os seus novos responsáveis espirituais. A diocese está reconhecida aos sacerdotes que, já sobrecarregados de trabalho, manifestaram sentido de Igreja e aceitam servir o Povo de Deus que peregrina nestas populações.

in Voz de Lamego, ano 85/48, n.º 4335, 27 de outubro