Início > Ano Pastoral, Evangelho, Eventos, , Formação, Jesus Cristo, Sacerdotes, Seminários, Vocações > Simpósio do Clero | Encontro fraterno e formação

Simpósio do Clero | Encontro fraterno e formação

clero_aveiro

Encontro fraterno, ajuda mútua e formação permanente

Simpósio do clero

A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios promoveu, entre os dias 31 de Agosto e 03 de Setembro, em Fátima, o VIII Simpósio do Clero. O encontro, intitulado “O Padre, irmão e pastor”, congregou cerca de quatro centenas de sacerdotes, entre os quais uma dúzia da nossa diocese, a que se juntaram alguns bispos, atarefados nestes dias a preparar a ida a Roma. Sem a pretensão de tudo dizer, aqui ficam algumas notas sobre o primeiro dia, esperando que os textos ali proferidos possam, brevemente, ser divulgados.

O Padre, irmão e pastor

Como afirma o Decreto Presbyterorum Ordinis, cujo cinquentenário se assinala em dezembro, os presbíteros “Não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações”. Para isso, o Concílio elenca algumas virtudes: bondade, sinceridade, fortaleza de alma, constância, justiça, delicadeza. (PO 3)

Neste sentido, o simpósio pretendeu ser um itinerário teologal de reflexão da identidade presbiteral e de leitura prospectiva da sua concretização pastoral: 1.º dia – Presbíteros (identidade e missão), do Concílio à actualidade; 2.º dia – Pastores: caridade e santidade; 3.º dia A beleza da consagração; 4.º dia – O Padre e o entusiasmo na evangelização.

O Padre não é o centro

A manhã trouxe-nos o Padre Carlos Carneiro, jesuíta, que nos falou da identidade e missão dos presbíteros no decreto Presbyterorum Ordinis. Partindo da actualidade, em que alguns meios parecem querer dispensar a fé cristã e o padre aparece como estranho que vive o “seu calvário”, alertou para a dificuldade em compreendermos o mundo. Para o conseguirmos, disse-nos que devemos ser pobres por opção e não por consequência. Porque só um pobre pode questionar o mundo, a Igreja, a paróquia. E o que é ser pobre neste âmbito? É aceitar que não se é o centro de ninguém.

É na oração que se aprende a ser homem, pastor, irmão. O Senhor faz-nos continuamente e precisamos deixar-nos ordenar todos os dias, numa Ordem que não se assemelha a uma ONG, mas que nos aproxima, todos os dias, da atitude do Senhor. A humanidade foi a paixão do Senhor e deve ser também dos padres. Nesse sentido, as nossas prioridades, interesses, podem esperar, ao contrário das prioridades das ovelhas.

Ser padre é passar a vida a amar os outros. Mas tem que estar também preparado para ser “irrelevante”, culturalmente ameaçado por um mundo que parece não gostar nem precisar de si. Daí que seja importante uma oportuna leitura da vida, da história, para nos sentirmos chamados e enviados. Porque a humanidade procura a Igreja, os descrentes procuram crentes.

Aflorou também o conceito de “representação” para ilustrar a identidade e missão do padre, o serviço é que é chamado. Representamos Cristo, não porque o substituímos, mas porque o apresentamos. O Senhor Jesus está presente na minha acção e torna-a eficaz.

Ao concluir deixou-nos três notas:

– o pastor só é bom se não deixar de ser ovelha. É preciso caminhar com os outros, com o risco de perder-se e ser reencontrado;

– o padre é homem da Palavra. Mas há palavras (angústia, ressentimento, opinião, solidão…) que deveriam calar diante da Palavra de Deus;

– somos chamados à esperança. A mais bela e ousada das profecias não é a mudança, mas a esperança. Como é que somos ventre para Deus como foi Maria? Adoptando e servindo todos.

E terminava questionando: “Que fizemos de tantos beijos recebidos nas mãos aquando da nossa ordenação e de tantas expectativas geradas?” Se o nosso sacerdócio for agradecido será oferecido. Descansa-nos tanto saber que estamos salvos! Mas será que o testemunhamos?

Atentos e clarividentes

Ao início da tarde do primeiro dia, um painel moderado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, em que intervieram a escritora Lídia Jorge, o comentador Pedro Mexia e o cientista Henrique Leitão. A todos foi pedido um depoimento sobre os desafios à vida dos padres, a partir da literatura e da arte, da cultura e da ciência.

A escritora falou do padre como “interprete visível de uma vontade colectiva de superação”, uma pessoa comum que é visto como visionário, confidente, sábio e santo a quem se exige que não falhe. Continuou dizendo que ao padre se exige que saiba “ler o seu tempo” e interprete o tempo que está para vir, num exercício de clarividência. Nesse sentido, a atenção à literatura e à arte deve ser contínua, porque estas realidades “visitam o que de mais profundo existe no homem”. E concluía apelando para um uso mais frequente da parábola na pregação.

Das palavras de Pedro Mexia a afirmação de que “as pessoas procuram ver-se representadas nos seus padres” e que não será fácil para estes estarem disponíveis e à altura de tantas expectativas, acompanhar ritmos diferentes e ser ponte entre sensibilidades tão díspares.

Henrique Leitão, entre o muito que disse, desafiou a não recear a crítica. É verdade que a Igreja, às vezes, não é ouvida nem aplaudida. Mas, concluía, “para uma Igreja que apresenta o crucificado não deve existir a preocupação de ser aplaudida”.

Sem receitas ou decretos

Antes da Eucaristia, a terminar o primeiro dia, falou-nos D. Francisco dos Santos, bispo do Porto, convidado a dissertar sobre a vida e o ministério do presbítero na actualidade. Do muito que disse, a certeza de que “nada se faz a partir de receitas ou decretos”.

Por isso, deixou alguns conselhos aos sacerdotes:

– viver no Espírito (oração, interiorizar livremente, comunhão, abertura);

– maturidade na afectividade (correcta postura, celibato não é holocausto, fraternidade sacerdotal, gratidão);

– conhecer-se a si mesmo (aceitar-se para não ser ressabiado);

– sentir a missão universal e viver a missão particular (abertura, interparoquialidade, sentido diocesano);

– capacidade de diálogo (sensato, atento, interpelativo, frontal, verdadeiro);

– aprofundar a formação (uma fé adulta, lugar para todos);

– atento aos distantes (periferias, ver longe e fora, formar para irem ao encontro dos que não vêm).

JD,  in Voz de Lamego, ano 85/41, n.º 4328, 8 de setembro

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: