Início > D. António Couto, Eventos, Papa Francisco > Bispos portugueses em Roma | Visita ad limina

Bispos portugueses em Roma | Visita ad limina

visita-ad-limina_(9)

Descrição e finalidades

Na Carta que escreve aos Gálatas, S. Paulo refere, logo no primeiro capítulo, que subiu a Jerusalém “para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias” (Gal 1, 18). Repetiu o mesmo gesto “catorze anos depois” (cf. Gal 2, 1-2). Desde os primeiros tempos da Igreja que, à medida que esta se ia expandindo geograficamente, os Bispos se deslocavam a Roma, não só para peregrinarem à cidade onde se encontram os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, mas também para submeterem à apreciação do Romano Pontífice, sucessor de S. Pedro, os mais variados assuntos referentes às suas comunidades e ao povo de Deus que lhe estava confiado. Ao longo da história da Igreja (pelo menos desde o séc. IV), que este costume de visitar o Romano Pontífice e rezar junto dos túmulos dos Apóstolos foi sendo enriquecido com uma estrutura própria e deu lugar à actual normativa relativa à visita ad limina Apostolorum, uma expressão latina que se poderia traduzir por visita aos umbrais (ou túmulos) dos Apóstolos. A visita ad limina é, portanto, a peregrinação que o Bispo da Diocese deve realizar a Roma de cinco em cinco anos, “se de outro modo não houver sido decidido pela Sé Apostólica”, com a finalidade de “venerar os sepulcros dos Bem-Aventurados Apóstolos Pedro e Paulo” e apresentar-se ao Sumo Pontífice (cf. cân. 400 §1).

Esta visita deve ser antecedida da elaboração e envio de um relatório, que apresente os dados mais significativos e relevantes da vida da Diocese:  organização pastoral e administrativa da Diocese; dados estatísticos vários (como, por exemplo, número de sacerdotes; número de religiosos; número de católicos; número de baptismos, confirmações, matrimónios e dados relativos à prática dominical, etc.); situação e dados relativos à formação (catequese, escolas católicas, Seminários e centros de espiritualidade); descrição dos dados mais relevantes relativos à vida e ministério dos sacerdotes, movimentos e associações; etc. Este relatório deve ser enviado à Santa Sé alguns meses antes da data prevista para a realização da visita, de modo a que, quer o Santo Padre, quer os vários Dicastérios e Departamentos do Vaticano o possam ler, apreciar e delinear algumas linhas de orientação.

Quando se realiza a visita, ou seja, quando o Bispo Diocesano, juntamente com os restantes Bispos que compõem a Conferência Episcopal (ou, no caso de a Conferência Episcopal ser muito grande, com os restantes Bispos de uma determinada Região de um país) peregrinam a Roma, os dias que lá transcorrem são aproveitados para rezar junto dos túmulos dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, respectivamente nas Basílicas de S. Pedro e de S. Paulo fora de muros. Esses momentos de oração, habitualmente, materializam-se na celebração da Eucaristia. Além disso, é costume também celebrar a Eucaristia nas outras duas Basílicas Maiores (Santa Maria Maior e S. João de Latrão) e noutras igrejas de especial importância (como no caso da Igreja de S. António dos Portugueses, no caso da Conferência Episcopal Portuguesa). Para além dos momentos de oração, outro acontecimento importante é o encontro dos Bispos, quer individual, quer em grupos pequenos (por Províncias Eclesiásticas) com o Romano Pontífice. No final desses encontros, é costume o Santo Padre ter um encontro final com todos os Bispos e dirigir-lhes um discurso que, habitualmente, contém alguns elementos que deverão orientar a acção pastoral e missionaria da Igreja dawuele país ou região nos anos seguintes.

Para além da visita ao Romano Pontífice, os Bispos, quer individualmente, quer em grupo, são recebidos nos principais Dicastérios da Cúria Romana.

Como refere o Diretório para o ministério pastoral dos Bispos, “a visita, nos seus diversos momentos litúrgicos, pastorais e de encontro fraterno, tem um significado preciso para o Bispo: aumentar o seu sentido de responsabilidade como sucessor dos Apóstolos e fortalecer a sua comunhão com o sucessor de Pedro. A visita constitui ainda um momento importante para a vida da mesma Igreja particular que, através do seu representante, consolida os vínculos de fé, comunhão e disciplina que a ligam à Igreja de Roma e a todo o corpo eclesial” (n. 15).

 

Pe. José Alfredo Patrício, in Voz de Lamego, ano 85/41, n.º 4328, 8 de setembro

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: