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Archive for 10/09/2015

Bispos portugueses em Roma | Visita ad limina

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Descrição e finalidades

Na Carta que escreve aos Gálatas, S. Paulo refere, logo no primeiro capítulo, que subiu a Jerusalém “para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias” (Gal 1, 18). Repetiu o mesmo gesto “catorze anos depois” (cf. Gal 2, 1-2). Desde os primeiros tempos da Igreja que, à medida que esta se ia expandindo geograficamente, os Bispos se deslocavam a Roma, não só para peregrinarem à cidade onde se encontram os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, mas também para submeterem à apreciação do Romano Pontífice, sucessor de S. Pedro, os mais variados assuntos referentes às suas comunidades e ao povo de Deus que lhe estava confiado. Ao longo da história da Igreja (pelo menos desde o séc. IV), que este costume de visitar o Romano Pontífice e rezar junto dos túmulos dos Apóstolos foi sendo enriquecido com uma estrutura própria e deu lugar à actual normativa relativa à visita ad limina Apostolorum, uma expressão latina que se poderia traduzir por visita aos umbrais (ou túmulos) dos Apóstolos. A visita ad limina é, portanto, a peregrinação que o Bispo da Diocese deve realizar a Roma de cinco em cinco anos, “se de outro modo não houver sido decidido pela Sé Apostólica”, com a finalidade de “venerar os sepulcros dos Bem-Aventurados Apóstolos Pedro e Paulo” e apresentar-se ao Sumo Pontífice (cf. cân. 400 §1).

Esta visita deve ser antecedida da elaboração e envio de um relatório, que apresente os dados mais significativos e relevantes da vida da Diocese:  organização pastoral e administrativa da Diocese; dados estatísticos vários (como, por exemplo, número de sacerdotes; número de religiosos; número de católicos; número de baptismos, confirmações, matrimónios e dados relativos à prática dominical, etc.); situação e dados relativos à formação (catequese, escolas católicas, Seminários e centros de espiritualidade); descrição dos dados mais relevantes relativos à vida e ministério dos sacerdotes, movimentos e associações; etc. Este relatório deve ser enviado à Santa Sé alguns meses antes da data prevista para a realização da visita, de modo a que, quer o Santo Padre, quer os vários Dicastérios e Departamentos do Vaticano o possam ler, apreciar e delinear algumas linhas de orientação.

Quando se realiza a visita, ou seja, quando o Bispo Diocesano, juntamente com os restantes Bispos que compõem a Conferência Episcopal (ou, no caso de a Conferência Episcopal ser muito grande, com os restantes Bispos de uma determinada Região de um país) peregrinam a Roma, os dias que lá transcorrem são aproveitados para rezar junto dos túmulos dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, respectivamente nas Basílicas de S. Pedro e de S. Paulo fora de muros. Esses momentos de oração, habitualmente, materializam-se na celebração da Eucaristia. Além disso, é costume também celebrar a Eucaristia nas outras duas Basílicas Maiores (Santa Maria Maior e S. João de Latrão) e noutras igrejas de especial importância (como no caso da Igreja de S. António dos Portugueses, no caso da Conferência Episcopal Portuguesa). Para além dos momentos de oração, outro acontecimento importante é o encontro dos Bispos, quer individual, quer em grupos pequenos (por Províncias Eclesiásticas) com o Romano Pontífice. No final desses encontros, é costume o Santo Padre ter um encontro final com todos os Bispos e dirigir-lhes um discurso que, habitualmente, contém alguns elementos que deverão orientar a acção pastoral e missionaria da Igreja dawuele país ou região nos anos seguintes.

Para além da visita ao Romano Pontífice, os Bispos, quer individualmente, quer em grupo, são recebidos nos principais Dicastérios da Cúria Romana.

Como refere o Diretório para o ministério pastoral dos Bispos, “a visita, nos seus diversos momentos litúrgicos, pastorais e de encontro fraterno, tem um significado preciso para o Bispo: aumentar o seu sentido de responsabilidade como sucessor dos Apóstolos e fortalecer a sua comunhão com o sucessor de Pedro. A visita constitui ainda um momento importante para a vida da mesma Igreja particular que, através do seu representante, consolida os vínculos de fé, comunhão e disciplina que a ligam à Igreja de Roma e a todo o corpo eclesial” (n. 15).

 

Pe. José Alfredo Patrício, in Voz de Lamego, ano 85/41, n.º 4328, 8 de setembro

DIA INTERNACIONAL DA CARIDADE

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Desde 2013, que as Nações Unidas declararam como Dia Internacional da Caridade o dia 5 de setembro, o mesmo dia em que se assinala a morte de Madre Teresa de Calcutá. Este ano, não se pode assinalar esta efeméride sem dirigirmos o nosso olhar e coração indignados para a chacina que o mundo está a permitir, tornando-se cúmplice da morte de tantas vidas que mais não querem do que se refugiar do medo da morte, de torturas várias, de falta de condições mínimas de subsistência.

Neste dia, e sempre, deveria ressoar na consciência dos indiferentes, dos ‘estrategas políticos’, dos escravizados pelas regras financeiras, dos mais poderosos deste mundo, a pergunta de Deus a Caim: “Que fizeste? Ouve! Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim” (Gn 4, 10) ou como nos foi recomendado por Jesus: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a ele…” (Mt 7,12).

Sem dúvida que a Europa tem uma missão crucial a desempenhar na resposta a este drama que não pode passar apenas pelo apelo ao controlo de fronteiras terrestres, marítimas ou aéreas. Adiantam pouco medidas securitárias, pois o “estômago” e o medo são mais fortes que qualquer outra estratégia por muito inteligente. A Cáritas Portuguesa acredita que a resposta não pode estar só pendente de um continente, deve envolver todo o mundo. Por isso, defende, que se dê mais força às Nações Unidas para que possa haver uma intervenção adequada nos países de origem e uma solidariedade mais abrangente de todos os outros.

Para já é necessário acautelar as condições de sobrevivência aos que estão a procurar refúgio, criando condições dignas de acolhimento.

A Cáritas, em Portugal, não regateará esforços no seu contributo para esta imperativa missão. Neste momento, analisa que recursos humanos, logísticos e financeiros próprios poderá afetar para minorar este indigno e revoltante flagelo. Anuncia, desde já, que parte do valor angariado através da Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz”, realizada, anualmente, no tempo de Natal – será canalizada para esta causa.

Mas não se fechará a quaisquer outras iniciativas que possam surgir para socorrer os nossos irmãos que estão a ser chacinados pela loucura dos seus governantes e pela indiferença de uma boa parte da humanidade.

Caritas Nacional, in Voz de Lamego, ano 85/41, n.º 4328, 8 de setembro