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Archive for Agosto, 2015

Olhar Maria para seguir Jesus Cristo

Tabuaço - Rui de Carvalho

A passagem desta mesma imagem peregrina pela nossa diocese, em 1950, foi motivo para a aparição de um livro que estará, ainda hoje, em muitas estantes paroquiais e particulares: “Roteiro de Glória”. Numa época onde as notícias não se espalhavam tão rápida e facilmente, as imagens eram escassas e os sons dificilmente gravados, a edição de tal livro registou e divulgou devidamente uma singular vivência eclesial e diocesana.

Passados 65 anos, a diocese de Lamego voltou a movimentar-se para acolher festivamente a Mãe. Sem a capacidade de bem e de tudo dizer e sem as condições para tudo registar e divulgar, o nosso jornal leva a todos algumas imagens e palavras que, para lá das evidentes limitações, ilustram a alegria de uma diocese que caminha ao colo da Mãe.

Ao longo de duas semanas foi conduzida pelos caminhos das nossas terras, num contacto próximo com realidades que nos formam, contemplada por olhares agradecidos ou suplicantes e sendo, certamente, ouvinte de tantas e tantas preces, ao mesmo tempo que todos testemunharam tantos e tantos gestos de ternura e gratidão.

Por essa diocese fora, percorrendo todas as paróquias de algumas zonas pastorais ou parando em locais mais centrais de outras, a passagem da imagem e de todos quantos a acompanharam diariamente foi, sem dúvida, mais um belo momento da nossa história. Os sinos que alertaram e chamaram, as flores que ornamentaram, as procissões que acompanharam, as velas que iluminaram, os cânticos que se entoaram, as orações que louvaram a Deus e pediram a intercessão de Maria, os grupos que se movimentaram, as associações e demais entidades que acompanharam… tudo nos fala de uma ternura filial que, estamos certos, não deixará de produzir frutos, quer de conversão em quem acolheu e rezou, quer na intercessão maternal de Nossa Senhora.

A imagem peregrina vai continuar a percorrer os recantos do nosso país, a ser notícia e momento de festa nas paróquias e a movimentar os fiéis. E todos vão tomando consciência de que foi quase há 100 anos (1917-2017) que três crianças, longe dos círculos de poder, pertencentes a uma classe social quase invisível, sem notoriedades públicas, habitando numa região pobre e cumprindo tarefas comuns, foram convidadas a divulgar uma mensagem simples e plena de oportunidade trazida pela Mãe. Muitos anos depois, contemplando tantas e tantas mudanças no mundo, a mensagem continua actual e Maria continua a contar connosco para levar a todos o convite para a conversão a Deus e ao próximo.

Por todo o lado por onde a imagem peregrina passa, nos espaços de culto onde visualizamos as imagens marianas, nos quadros ou pagelas que guardamos e transportamos, o Evangelho está sempre presente, porque nos lábios de Maria continua audível e permanente o apelo: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”. Acreditamos que tais palavras ecoaram em todos quantos a acolheram na sua passagem e a acolhem na veneração que continuamente lhe dedicam. A grande missão de Maria é mostrar-nos Jesus, o nosso Salvador. E foi a Ele que não cessou de mostra-nos quando por aqui passou; é para Ele que continua a apontar sempre que para ela olhamos.

JD, in Voz de Lamego, ano 85/38, n.º 4325, 18 de agosto

MARIA PORQUÊ | Editorial da Voz de Lamego | 18 de agosto

editorial

Depois de duas semanas de pausa, a Voz de Lamego volta à nossa comunicação.

Entre os dias 26 de julho e 9 de agosto, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, percorreu a Diocese de Lamego, no âmbito da preparação do Centenário das Aparições de Fátima que se celebra em 2017. A Imagem Peregrina vai percorrer todas as dioceses. Iniciou no passado 13 de maio e irá até 13 de maio de 2016.

A nossa Diocese já teve a dita de acolher a Virgem Peregrina de Fátima, cuja última edição da Voz de Lamego antes desta pausa já tinha dado nota. Em conformidade com as opções pastorais dos Arciprestados, a Imagem de Fátima percorreu ora as paróquias da zona pastoral ora centrando na sede da Zona Pastoral, acolhendo as pessoas das diferentes paróquias e movimentos.

A edição desta semana dá amplo destaque á Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima na nossa Diocese de Lamego, e também assim o Editorial com o qual o Pe. Joaquim Dionísio nos ambienta:

MARIA PORQUÊ

Entre nós, o verão ficou também marcado pela passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, entre os dias 26 de Julho e 09 de Agosto. Apesar dos relatos e das imagens, não será fácil descrever a onda festiva que percorreu as catorze zonas pastorais da diocese, envolvendo com alegria os milhares e milhares de fiéis que saíram de suas casas, do seu repouso ou trabalho e se abeiraram, individualmente e em grupo, para rezar, saudar, agradecer, suplicar, contemplar, fazer silêncio… Porquê?

Nos santuários marianos, maiores ou menores, não têm conta os peregrinos que chegam de longe e de perto sem fazer ruído, que cumprem as suas promessas sem esperarem pela fotografia, que rezam com o coração e com o corpo, indiferentes a quem passa ou olha. Porquê?

Nas nossas paróquias, populosas ou desertificadas, há festas em honra de Maria, invocada sob os mais diversos títulos e nunca faltam flores nos seus altares ou nichos. Porquê?

Entre os membros das nossas comunidades cristãs, há tantos e tantos que, ao longo da vida, não adormecem sem lhe rezar, a sós ou em família, a ela recorrendo nas tribulações e dela esperando a intercessão que acalma e anima. Porquê?

Porque Maria é Mãe. E encontrar a “mãe” é sempre sinónimo de colo e de aconchego, de gratuidade, segurança e paz. Amamos Maria e queremos seguir o seu exemplo. Eclesial e afectivamente, a sua presença é importante para nós. Daí o louvor e o fervor!

E não apenas no verão ou em dias de festa. Tal como em Caná, ao longo de todo o ano, Maria está sempre presente, discreta, para nos conduzir a Cristo. Porque também ela se deixou transformar pelo Espírito para acolher livremente Cristo. E guia-nos nesse caminho de Vida. Porque é Mãe.

in Voz de Lamego, ano 85/38, n.º 4325, 18 de agosto

Dia Mundial do Migrante e do Refugiado | Mensagem do Papa Francisco

Dia_Migrante_Refugiado

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO – 2015

“Igreja sem fronteiras, mãe de todos”

Queridos irmãos e irmãs!

Jesus é «o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 209). A sua solicitude, especialmente pelos mais vulneráveis e marginalizados, a todos convida a cuidar das pessoas mais frágeis e reconhecer o seu rosto de sofrimento sobretudo nas vítimas das novas formas de pobreza e escravidão. Diz o Senhor: «Tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36). Por isso, a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-Lo e amá-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie. Assim, neste ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado tem por tema: Igreja sem fronteiras, mãe de todos.

Com efeito, a Igreja estende os seus braços para acolher todos os povos, sem distinção nem fronteiras, e para anunciar a todos que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). Depois da sua morte e ressurreição, Jesus confiou aos discípulos a missão de ser suas testemunhas e proclamar o Evangelho da alegria e da misericórdia. Eles, no dia de Pentecostes, saíram do Cenáculo cheios de coragem e entusiasmo; sobre dúvidas e incertezas, prevaleceu a força do Espírito Santo, fazendo com que cada um compreendesse o anúncio dos Apóstolos na própria língua; assim, desde o início, a Igreja é mãe de coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras. Aquele mandato abrange já dois milénios de história, mas, desde os primeiros séculos, o anúncio missionário pôs em evidência a maternidade universal da Igreja, posteriormente desenvolvida nos escritos dos Padres e retomada pelo Concílio Vaticano II. Os Padres conciliares falaram de Ecclesia mater para explicar a sua natureza; na verdade, a Igreja gera filhos e filhas, sendo «incorporados» nela que «os abraça com amor e solicitude» (Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14).

A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável. A comunidade cristã, se viver efectivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho, acompanha com paciência, solidariza-se com a oração e as obras de misericórdia.

Nos nossos dias, tudo isto assume um significado particular. Com efeito, numa época de tão vastas migrações, um grande número de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperança com uma bagagem cheia de desejos e medos, à procura de condições de vida mais humanas. Não raro, porém, estes movimentos migratórios suscitam desconfiança e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.

Por um lado, no sacrário da consciência, adverte-se o apelo a tocar a miséria humana e pôr em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou, quando Se identificou com o estrangeiro, com quem sofre, com todas as vítimas inocentes da violência e exploração. Mas, por outro, devido à fraqueza da nossa natureza, «sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).

A coragem da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam dos dramas humanos. Jesus Cristo está sempre à espera de ser reconhecido nos migrantes e refugiados, nos deslocados e exilados e, assim mesmo, chama-nos a partilhar os recursos e por vezes a renunciar a qualquer coisa do nosso bem-estar adquirido. Assim no-lo recordava o Papa Paulo VI, ao dizer que «os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros» [Carta ap. Octogesima adveniens (14 de Maio de 1971), 23].

Aliás, o carácter multicultural das sociedades de hoje encoraja a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização. Na realidade, os movimentos migratórios solicitam que se aprofundem e reforcem os valores necessários para assegurar a convivência harmoniosa entre pessoas e culturas. Para isso, não é suficiente a mera tolerância, que abre caminho ao respeito das diversidades e inicia percursos de partilha entre pessoas de diferentes origens e culturas. Aqui se insere a vocação da Igreja a superar as fronteiras e favorecer «a passagem de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização (…) para uma atitude que tem por base a “cultura de encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 2014).

Mas os movimentos migratórios assumiram tais proporções que só uma colaboração sistemática e concreta, envolvendo os Estados e as Organizações Internacionais, poderá ser capaz de os regular e gerir de forma eficaz. Na verdade, as migrações interpelam a todos, não só por causa da magnitude do fenómeno, mas também «pelas problemáticas sociais, económicas, políticas, culturais e religiosas que levantam, pelos desafios dramáticos que colocam à comunidade nacional e internacional» [Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 62].

Na agenda internacional, constam frequentes debates sobre a oportunidade, os métodos e os regulamentos para lidar com o fenómeno das migrações. Existem organismos e instituições a nível internacional, nacional e local, que põem o seu trabalho e as suas energias ao serviço de quantos procuram, com a emigração, uma vida melhor. Apesar dos seus esforços generosos e louváveis, é necessária uma acção mais incisiva e eficaz, que lance mão de uma rede universal de colaboração, baseada na tutela da dignidade e centralidade de toda a pessoa humana. Assim será mais incisiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a violação dos direitos fundamentais, contra todas as formas de violência, opressão e redução à escravidão. Entretanto trabalhar em conjunto exige reciprocidade e sinergia, com disponibilidade e confiança, sabendo que «nenhum país pode enfrentar sozinho as dificuldades associadas a este fenómeno, que, sendo tão amplo, já afecta todos os continentes com o seu duplo movimento de imigração e emigração» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 2014).

À globalização do fenómeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação, a fim de se humanizar as condições dos migrantes. Ao mesmo tempo, é preciso intensificar os esforços para criar as condições aptas a garantirem uma progressiva diminuição das razões que impelem populações inteiras a deixar a sua terra natal devido a guerras e carestias, sucedendo muitas vezes que uma é causa da outra.

À solidariedade para com os migrantes e os refugiados há que unir a coragem e a criatividade necessárias para desenvolver, a nível mundial, uma ordem económico-financeira mais justa e equitativa, juntamente com um maior empenho a favor da paz, condição indispensável de todo o verdadeiro progresso.

Queridos migrantes e refugiados! Vós ocupais um lugar especial no coração da Igreja e sois uma ajuda para alargar as dimensões do seu coração a fim de manifestar a sua maternidade para com a família humana inteira. Não percais a vossa confiança e a vossa esperança! Pensemos na Sagrada Família exilada no Egipto: como no coração materno da Virgem Maria e no coração solícito de São José se manteve a confiança de que Deus nunca nos abandona, também em vós não falte a mesma confiança no Senhor. Confio-vos à sua protecção e de coração concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Setembro de 2014.

PAPA FRANCISCO

Homilia de D. António Couto na despedida da Virgem Peregrina

imagem peregrina de fatima em lamego 2015 rui pires (24)

EUCARISTIA NA DESPEDIDA DA VIRGEM PEREGRINA DE FÁTIMA

  1. Vê-se uma beleza a perder de vista quando se vê o mundo pelos olhos de Jesus e de Maria. Entrando nesse mundo novo e belo, vemos logo que só se nos oferece uma alternativa: ser alcançado por Deus, sem fugir dele,/ ou fugir de Deus, em vão, porque Ele nos agarra na mesma.

  1. Aos judeus, que dizem conhecer bem a identidade de Jesus, porque conhecem o seu pai e a sua mãe (João 6,42), Jesus responde, apontando para o seu verdadeiro Pai, que os judeus desconhecem: «Ninguém pode vir a Mim (eltheîn prós me), se o Pai, que me enviou, não o arrastar (élkô)» (João 6,44). Os judeus falam do pai de Jesus, José. Mas Jesus fala do seu verdadeiro Pai, Deus. Aos judeus, Jesus aponta o seu verdadeiro Pai, o único que nos arrasta até Jesus, o pão vivo descido do céu, que é a sua «carne», isto é, biblicamente falando, a sua forma de viver, a sua verdadeira identidade. Lição para todos nós: não basta conhecer Jesus em termos genealógicos, históricos e geográficos. É preciso conhecer o Jesus descido do céu, e aderir à sua forma de viver, fazer nossa a sua vida, deixar entrar em nós a vida eterna, aquele pão descido do céu. Não basta falar de Jesus; é preciso «vir ter com Jesus». Mas ninguém pode vir ter com Jesus, se o Pai não o arrastar até Ele. O IV Evangelho ensina-nos que é Jesus que explica o Pai (João 1,18) e que conduz ao Pai (João 14,6). Na passagem do Evangelho de hoje, ficamos a saber também que é o Pai que explica Jesus e que conduz, por arrasto, a Jesus.

  1. Vê-se bem, por debaixo do falar de Jesus, o teclado do Antigo Testamento. Em dois momentos. Um é aquele: «Todos serão ensinados por Deus» (João 6,45), que é uma citação de Isaías 54,13. O outro é aquele: «Ninguém pode vir a Mim (eltheîn prós me), se o Pai, que me enviou, não o arrastar (élkô)» (João 6,44), que tem por debaixo Jeremias 31,3 [38,3 LXX], que refere textualmente: «Com um amor eterno Eu te amei; por isso te arrastei (mashak TM; élkô LXX) com carinho (hesed)». É demasiado pobre não reparar nisto. É demasiado belo reparar nisto. Há neste amor de Deus por nós uma paixão declarada, força ou coação que o verbo arrastar traduz bem. Mas a expressão completa é: «arrastar com carinho». Entendamos então, amados irmãos e irmãs, que Deus luta por nós, arrasta-nos tantas vezes, mas sempre com carinho!

  1. No Evangelho de hoje, os judeus «murmuram» de Jesus, afastando-se dele. Murmurar é pensar mal e dizer mal de alguém. Dizer bem, bendizer, é unir. Dizer mal, maldizer, é separar. Como os judeus, também Elias «murmura», diz-nos o célebre texto de 1 Reis 19,4-8, que hoje tivemos a graça de ouvir. No dizer de Elias, Deus não age como devia agir, o mundo está todo pervertido, anda tudo ao contrário, e já não faz sentido continuar a viver. Porque Deus não age como ele quer, porque o mundo não é como ele quer, Elias, desgostoso e desanimado, corre para a morte, que ele vê como a única saída para a sua vida sem sentido. Tudo somado, e como ele diz, Elias não é mesmo melhor do que os seus pais (1 Reis 19,4), os do tempo do Êxodo e da travessia do deserto, e, tal como eles, também murmura, falando mal de Deus, dos outros e do mundo. Às vezes, também nos assalta este pensamento perverso: «está tudo errado, menos nós!».

  1. Mas Deus, o verdadeiro Deus, não fala mal de Elias, mas ama Elias, e vai conduzi-lo, isto é, arrastá-lo com carinho, ao caminho certo. Não deixa morrer Elias, e vai dar-lhe lições de vida verdadeira. Deus também não fala mal de nós, mas ama-nos. Na linha do que bem nos fala hoje o Apóstolo Paulo na Carta aos Efésios (4,30-5,2): «Nada de azedumes, irritação, cólera, insultos, maledicências, maldade» (Efésios 4,31). Em vez disso, Paulo quer que nós sejamos «imitadores (mimêtês) de Deus, como filhos amados (tékna agapêtá)» (Efésios 5,1). Outra vez: Deus não fala mal de nós, mas ama-nos! E, porque nos ama, arrasta-nos, luta por nós, já não pode viver sem nós!

  1. Sejamos então nós também, amados irmãos e irmãs, não murmuradores, mas imitadores, de um Deus que nos ama e por amor nos arrasta, lutando por nós até ao fim:

Tão pouco e tanto

Nos pede Jesus,

E para espanto nosso,

O Filho de Maria

Vem vestido de irmão nosso

De cada dia.

Ele anda por aí,

Ao frio e ao calor,

Rico e pobrezinho,

Nosso Senhor.

Vem, Jesus,

Senhor do mundo,

Do sol e da lua,

Bate à minha porta,

Entra em minha casa,

E que, por graça,

Possa eu entrar também na tua.

E também Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, Virgem Peregrina de Fátima, hoje no meio de nós, se fez «imitadora» de Deus e do seu Filho Jesus, sem reticências, sem «ses» e sem «mas»:

Assim te entregaste a Deus,

De coração inteiro,

Como um tinteiro

Todo derramado numa página.

Sim, tu és a mais bela página de Deus,

A Deus doada, apresentada, dedicada,

Mãe da vida consagrada,

Ensina-me a tua tabuada,

A tua suave e terna alegria,

A luz do Evangelho que te aquece e alumia.

Eu te saúdo, Maria,

Neste dia da tua peregrinação.

E porque os teus filhos, estes teus filhos queridos, sabem bem o valor e o calor de uma Mãe como tu:

Vão os teus filhos

Em procissão de amor,

Atrás do teu andor,

Na mão uma flor.

Recebe-a, mãe,

E acolhe-nos sob a tua proteção,

Hoje e em cada dia,

Ave-Maria.

E pelo teu amor de mãe, Senhora,

Recebe, nessa flor, a nossa gratidão,

Enche os nossos pés de prontidão,

As nossas mãos de paz,

Os nossos lábios de oração,

Os nossos gestos de perdão.

E caminha connosco,

Dá-nos a mão,

No que falta cumprir da nossa procissão. Amen!

Lamego, Eucaristia na despedida da Virgem Peregrina de Fátima, 9 de Agosto de 2015

+ António, vosso bispo e irmão

Paróquia de Távora | Celebração do Sacramento do Crisma

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Grupo do Crisma | Paróquia de São João Batista de Távora

Após a devida preparação, que decorreu ao longo do ano, teve lugar, no passado dia 25 de julho, na Igreja Paroquial de Távora, a celebração do Sacramento do Crisma, ministrado a 17 jovens desta Zona Pastoral de Tabuaço.

Presidida por D. António Couto, Bispo da Diocese de Lamego, o rito do Crisma integrado na Eucaristia, foi coadjuvada pelo pároco local, senhor padre Manuel Gonçalves.

Com a igreja toda engalanada, o senhor Bispo proferiu palavras de encorajamento aos jovens, lembrando que o acto e o juramento ali feito, não era mais que a confirmação da fé em Cristo, que os padrinhos fizeram por eles no dia do baptismo. E porque era dia de festa, foi feito o ofertório pelos jovens, colocando nas mãos do Prelado vários objectos, com destaque para o pão e o vinho que simboliza o Corpo e Sangue de Jesus Cristo.

A Igreja neste dia foi pequena, porque os jovens crismandos estavam acompanhados por familiares e amigos que assim testemunharam este passo dado, no seguimento de mais uma etapa que os leva a professar a religião que os tornou cristãos através do baptismo. Com este Sacramento, ficaram estes jovens mais responsabilizados porque pessoalmente fizeram o juramento e para que a efeméride fique registada pela partilha – segundo as palavras do senhor Bispo na homilia – todos conviveram no final com um lanche oferecido ao ilustre visitante.

Rui Costa Carvalho, in Voz de Lamego, ano 85/27, n.º 4324, 28 de julho