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Archive for 28/08/2015

Virgem Peregrina de Fátima | Zona Pastoral de Cinfães

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Nos dias seis e sete de Agosto, a zona pastoral de Cinfães teve a dita honra de ser presenteada com a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora, cumprindo-se assim mais uma etapa do programa definido pela Diocese de Lamego, no quadro do plano definido pelo Santuário de Fátima para preparação da celebração do centenário das aparições em que todas as dioceses serão agraciadas com a Sua presença.

A imagem da Virgem de Fátima, vinda de Castro Daire, foi acolhida, pelas 18H00,  nas Portas do Montemuro, por uma vasta multidão de crentes fervorosos de rostos comoventes.

Após a celebração de acolhimento, seguiu-se a caminhada processional num cortejo apreciável de automóveis até a Igreja Matriz de Cinfães onde foi rezado o santo rosário. No percurso, nas localidades de Fermentãos, Meridãos, Mourelos e Marcelim o cortejo automóvel teria de fazer uma breve paragem em razão das pessoas que se reuniram junto à estrada para com cânticos e flores saudarem a passagem da imagem peregrina.

O ponto alto deste dia aconteceu noite dentro, que teve o seu início, ás 21 horas, com a celebração da Eucaristia em recinto preparado para o efeito, no largo da Feira em Cinfães,  concelebrada por todos os párocos desta zona pastoral, contando-se com a presença de alguns milhares de pessoas das dezoito paróquias, devidamente enquadradas pelos respetivos estandartes e bandeiras de associações e movimentos paroquiais.

Após a Santa Missa, e a procissão de velas seguiram-se horas de veneração á Santíssima Virgem para que intercedesse junto do Seu Filho Jesus Cristo as bênçãos de que todos necessitam, com orações e cânticos apropriados e cuja responsabilidade coube a diversas equipas pastorais do arciprestado, terminado altas horas da madrugada.

No dia seguinte e após a Santa Missa na Igreja de Cinfães, a Imagem da Santíssima virgem rumou até á paróquia de Nespereira, passando por Vilar de Peso e Ervilhais, com as pessoas reunidas e ladeando as estradas, exprimindo a sua devoção filial a Maria.

Às 10.30 horas foi concelebrada a Eucaristia no recinto da gruta de Nossa Senhora de Lurdes com celebração mariana.

Dali a imagem peregrina da Virgem  foi transportada até á Paróquia de Souselo, passando por Fornelos, Moimenta, Travanca, Ponte da Bateira e  Couto. De Souselo partiu, pelas 15h00 para Oliveira do Douro passando por Espadanedo, Tarouquela, Piães e São Cristóvão de Nogueira.

Neste locais foi lindo ver grupos corais e movimentos das paróquias envolvidas, com carismas diferentes, prestarem culto á Virgem, com emoção, demonstrando cada um á sua maneira, uma inabalável confiança na mensagem que Nossa Senhora nos deixou em Fátima e paira nos céus deste país á beira mar plantado e abençoado por Ela.

Em Souselo e Oliveira do Douro tiveram lugar celebrações eucarísticas e marianas não havendo possibilidades de satisfazer todas as pessoas de outras localidades para estarem mais tempo junto da imagem por imperativos de horário.

Pelas 18h20 do dia 7 deste Agosto a imagem da Mãe de Cristo chegou a Aregos onde foi recebida pela zona pastoral de Resende do Arciprestado de Resende Cinfães.

A peregrinação que a zona pastoral de Cinfães fez por todo o concelho com a Virgem a presidir calou fundo nos corações de todos que viveram momentos emocionantes espelhados no rosto dos devotos que em número tão significativo prestaram vassalagem à Nossa Rainha em todos os locais por onde passou.

V. M., in Voz de Lamego, ano 85/39, n.º 4326, 25 de agosto

A simplicidade na oração em Taizé

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Em Taizé, três vezes por dia interrompem-se as diferentes atividades que ocupam os jovens: o trabalho, as reflexões bíblicas, as partilhas em pequenos grupos, o convívio. Os sinos chamam para a oração. Centenas, por vezes milhares de jovens dos mais diversos países dirigem-se à igreja e juntam-se aos irmãos da nossa Comunidade para rezar juntos.

Cânticos curtos, várias vezes repetidos, que procuram dizer em poucas palavras uma realidade fundamental facilmente assimilável. Depois, a leitura bíblica é feita em várias línguas. No centro de cada oração, o silêncio de alguns minutos é um momento único de encontro pessoal com Deus

Entre irmãos, ficamos frequentemente surpreendidos ao ver como os jovens participam nestas orações e depois as prologam ao serão, por vezes durante várias horas, em silêncio ou apoiados pelos cânticos meditativos. E os próprios jovens dizem-se muitas vezes espantados ao constatar o tempo que passam em oração em Taizé! Quando perguntamos aos grupos que encontramos no final de uma semana em Taizé o que mais os marcou, é raro a resposta não mencionar a oração.

Muitos dos que visitam a nossa colina dizem que em Taizé «se sentem em casa», que é como um porto seguro onde podem vir mesmo em momentos agitados. É impressionante ouvir estas mesmas expressões na boca de uma jovem professora lituana, de um jovem desempregado espanhol, de uma alemã estudante de teologia luterana, de uma estudante de enfermagem na Ucrânia ou de um informático húngaro. Ou ainda na boca de jovens africanos, latino-americanos e asiáticos que vêm a Taizé enviados pelas suas Igrejas, para passar três meses como voluntários durante o Verão

Será que podemos concluir que em Taizé nos esforçamos para nos adaptar aos jovens? Talvez, em certo sentido. Durante toda a sua vida, o irmão Roger procurou acolher e compreender aquilo que podia impedir alguém de confiar em Deus. Um dos primeiros irmãos da Comunidade, o irmão François, escreveu um artigo pouco depois da morte do irmão Roger onde dizia:

«O irmão Roger procurou sempre pôr-se no lugar dos jovens. O seu temperamento ajudava-o nesse sentido. Ele sentia e compreendia as coisas como eles. Ele pressentia facilmente o que era incompreensível para os jovens. (…) Ao ouvir o irmão Roger falar aos jovens, eu pensava muitas vezes na atitude missionária de São Paulo. Nas suas cartas, São Paulo adaptava o vocabulário aos destinatários, que eram extremamente diferentes uns dos outros, e integrava algumas expressões deles, com a única preocupação de poder ser compreendido. Uma elasticidade de espírito destas não é um sinal de fraqueza ou de temperamento versátil. Provém do facto do essencial ser mais firme do que tudo o resto.» («La Croix», 2 de Setembro de 2005.

No entanto, o irmão Roger não costumava falar em querer adaptar-se. Falava de simplificar. Muitas pessoas diziam que ele tinha uma linguagem que passava bem junto dos jovens. Mas ele não falava como eles. Nos seus textos, encontramos constantemente palavras bíblicas como «misericórdia», «compaixão», «comunhão»… Palavras que até parecem pouco acessíveis aos jovens. Apesar disso, surpreendentemente, na boca do irmão Roger, com as suas frases simples, os jovens não se assustavam com este tipo de vocabulário. No fundo, o irmão Roger conseguia dizer-lhes com simplicidade alguns aspectos exigentes da Fé cristã. Um pouco como nas parábolas do Evangelho, ele adaptava-se sem se adaptar. Falar com parábolas não é dizer tudo, mas deixar antever que há algo para aprofundar. Desta forma, sem compreenderem sempre tudo, os jovens percebem que há caminho a percorrer e algo mais a descobrir. É uma linguagem que não os desconcerta, mas que deixar espaço para avançar.

O irmão Roger procurava continuamente simplificar, tanto a forma de viver como a forma de se expressar. O melhor exemplo desse desejo de simplificação é talvez a nossa oração comunitária. Também nessa área, o irmão Roger deu um salto gigante: transformou pacientemente a oração, deixando de lado elementos que não são essenciais e que criam bloqueios inúteis. E tentou colocar nela tudo o que uma pessoa dos nossos tempos lá procura para aprofundar a confiança em Deus. Tornou contemplativa a própria oração comunitária.

A nossa forma de rezar, com cânticos simples e meditativos, teve a sua origem na vontade de tornar uma experiência interior acessível aos grandes números de jovens que nos visitam. Não que tudo tenha sido adaptado para a juventude. Os cânticos de Taizé não são propriamente feitos com músicas que se possam dizer «jovens». São cânticos profundamente enraizados na tradição contemplativa: através da letra, que vem frequentemente dos Salmos, da longa tradição de oração cantada que começou nas primeiras assembleias de Israel; e através do seu carácter meditativo e mesmo repetitivo. No fundo, no início a Comunidade cantava Salmos e hoje continua a fazer isso mesmo. Mas em vez de cantar todo o Salmo, ficamos só com um versículo, que meditamos juntos, deixando-o ecoar em nós e encontrar experiências que podem ser iluminadas.

Por isso não se trata verdadeiramente de uma adaptação, é preciso ir mais longe. O que toca os jovens em Taizé talvez seja o facto deles perceberem que nos esforçamos por tornar o mais simples possível a expressão da Fé, sem no entanto a nivelarmos ou a adocicarmos. Eles sentem, por vezes de forma emotiva e atingidos no mais profundo de si mesmos, que a oração que lhes é proposta não é a tradução na linguagem deles de uma realidade que lhes é estrangeira. É antes um convite a viver uma procura que os faz avançar e que, pondo na boca deles palavras de outros tempos, os obriga suavemente a saírem de si mesmos, libertando-os para novos horizontes.

Talvez os jovens sintam que, como Comunidade, ao termos em conta na liturgia a presença deles, procuramos alargar a nossa própria estrada, alargando a todos a intimidade que desejamos viver em Deus.

Para terminar, sublinho ainda dois aspetos da simplicidade que talvez ajudem a nossa oração a ser acessível, atraente e acolhedora para muitos jovens. Por um lado, ela não esmaga caminhos de Fé que podem ser muito tímidos e revelam até uma certa fragilidade. Por outro, centrando-se naquilo que é essencial, ela permite dar lugar à diversidade na expressão da Fé sem que cada detalhe seja motivo de discórdia. Hoje, para muitos jovens, a procura de unidade na diversidade não pode ser descuidada.

Irmão David, da Comunidade de Taizé, in Voz de Lamego, ano 85/39, n.º 4326, 25 de agosto