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Archive for 22/07/2015

Nota Pastoral de D. António sobre a Visita da Virgem Peregrina

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NOTA PASTORAL SOBRE A VISITA DA VIRGEM PEREGRINA

À DIOCESE DE LAMEGO

  1. A Virgem Peregrina de Fátima vai percorrer, entre os dias 26 de julho e 09 de agosto, os nossos caminhos pedregosos, até chegar à porta do coração destes seus filhos amados que habitam sobre o chão e sob o céu da nossa Diocese de Lamego. Muitas vezes somos nós que demandamos Fátima, procurando acolhimento e remédio no seu coração maternal. Agora é ela, nossa Mãe e Senhora, que vem carinhosamente visitar-nos a nossa casa. Recebamo-la, pois, amados irmãos e irmãs, com amor intenso, e com todas as nossas portas abertas.

  1. A Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a Visita da Virgem Peregrina às Dioceses de Portugal, de 15 de abril passado, recomendava vivamente que se fizesse desta Visita uma grande porta aberta para a Fé e para a Evangelização, e lembrava particularmente a participação na Eucaristia, a celebração dos Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Doentes, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a oração do rosário em família.

  1. Maria canta a música de Deus, e no seu íntimo guarda sempre as Palavras ardentes que lhe chegam de Deus, dos anjos, dos pastores, compondo-as (symbállousa) no seu coração maternal (Lucas 2,19; Bento XVI, Verbum Domini, nº 27). Maria não é, portanto, uma simples ouvinte da Palavra; ela é uma extraordinária compositora, sempre encantada, sempre ocupada na busca intensa de novos acordes para dizer o inefável.

  1. E é assim que ela vem, silenciosa e sorridente, ao nosso encontro, amados irmãos e irmãs: silenciosa, porque não pode perder a alta frequência que a faz caminhar em sintonia com os passos de Deus; sorridente, porque vem ao encontro dos seus filhos queridos. Talvez venha mesmo trauteando a melodia do Magnificat, e talvez nos envolva mesmo nessa enleante litania de amor. Esta é, irmãos e irmãs, a «via mariana» da simplicidade e da ternura e da proximidade de uma Igreja bela e evangelizadora, «em saída», como quer e pede o nosso Papa Francisco, que caminha apressadamente sobre os montes com o Evangelho no coração e nos lábios (Lucas 1,39), como o mensageiro de notícias felizes de Isaías 52,7.

  1. Recebamos, pois, amados irmãos e irmãs, a Virgem Peregrina, não apenas com simpatia e fidalguia, mas com o coração em festa e comovido, movido pelos mesmos fios da Palavra de Deus que Maria, com tanto amor, tecia e entretecia. Filha da Palavra, torna-se Mãe da Palavra. Um grande SIM a habita, uma grande Alegria irradia, um grande Amor lhe enche a vida. A bússola da sua vida é o seu Filho Jesus. É Ele que Maria embala e ostenta. É para Ele que aponta sempre. Que seja Jesus também, amados irmãos e irmãs, a bússola da nossa vida, agora e sempre.

  1. E peçamos a Jesus também, pelas mãos maternais de Maria que agora nos visita, que faça e nos ajude a fazer da nossa Igreja de Lamego a Sua Igreja bela, habitada só por filhos e irmãos. Experimentemos, nestes dias de Visita da Virgem Peregrina, tecer laços de maior filialiadade e fraternidade.

  1. Embala-nos nos teus braços, Mãe, e sorri para nós com o teu sorriso maternal. Enche-nos de graça.

Lamego, 19 de julho de 2015

+ António, vosso bispo e irmão

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VELHICE E SABEDORIA | Editorial Voz de Lamego | 21 de julho de 2015

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A abrir o Jornada da Diocese, Voz de Lamego, desta semana, a Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Diocese de Lamego, entre 26 de julho e 9 de agosto, merecendo a NOTA PASTORAL de D. António Couto, publicada também nesta edição. Outros temas específicos: Visita Pastoral à Paróquia de Britiande, Missa Nova do Pe. Valentim Fonseca, na paróquia de Ferreiros, o falecimento do Pe. Joaquim Manuel Pinto, Peregrinação Nacional do MMF, entre outros acontecimentos. Entre as reflexões propostas em cada semana, visitamos a do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, desta feita dedicada à idade anciã e à sabedoria que nos enriquece.

VELHICE E SABEDORIA

A propósito da memória litúrgica dos pais de Maria de Nazaré, a assinalar no próximo domingo, o olhar da comunidade humana volta-se para os avós e estende-se a todos os idosos. E vive-se festivamente o momento, louvando a vida e agradecendo o testemunho.

A Bíblia dá valor à velhice e à sua sabedoria. Porque o idoso vê as diferentes ligações da vida e mais facilmente contempla o percurso, compreende e pode tornar-se sábio, isto é, capaz de ver e entender melhor a razão que dá consistência à sua vida. Por outro lado, a velhice permite uma maior proximidade com a eternidade e perante o eterno, perante Deus, tudo o que é terreno se relativiza.

O envelhecimento da população é um dado evidente, mas falar de uma “sociedade envelhecida” em tom de censura e preocupação, pode dificultar aos idosos o aceitar sereno do seu envelhecimento, bem como o reconhecer de um sentido para a vida. Porque conceder valor à vida apenas enquanto se é jovem revela um certo infantilismo e leva a olhar a velhice como um estorvo.

Muitos idosos queixam-se de serem deixados à margem ou para trás, de serem ignorados ou de não valerem para nada, apesar do muito que dizem ter feito ou legado. Nem sempre se sentem preparados para aceitar o envelhecimento e, tal como na juventude, ainda querem sentir-se o centro das atenções.

Aceitar não é apenas resignar-se, mas tomar consciência dos próprios limites. E isso implica ser capaz de renunciar, embora saibamos que a renúncia é um processo doloroso. E dói muito mais quando se pensa que se perde valor e importância no momento em que renuncia.

O ideal será articular o combate à “cultura do descartável” com o distanciamento de uma postura de “insubstituível”.

in Voz de Lamego, ano 85/26, n.º 4323, 21 de julho