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ARCA E TITANIC | Editorial da Voz de Lamego | 14 de julho de 2015

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A Viagem Apostólica do Papa Francisco dá o tom à edição da Voz de Lamego desta semana, mas também a Missa Nova do Padre Fabrício, e também as Visitas Pastorais de D. António Couto às Paróquias de Várzea de Abrunhais e de Meijinhos, no Arciprestado de Lamego. Muitos outros temas, reflexões, notícias, eventos preenchem a Voz de Lamego que procura refletir a região e a diocese, a Igreja e o mundo.

A abrir a leitura, a ambientação do Editorial, do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, que nos fala da Arca de Noé e do Titatic, mas também da vida e da esperança e da proximidade.

ARCA E TITANIC

Nos primeiros anos do século passado, com o auxílio de novas técnicas e tecnologias, apoiados por novos materiais e habitados por grandes expectativas, os homens empenharam-se em construir um luxuoso e eficiente barco que ligasse a Europa à América em menos tempo e com maior segurança. Entre os muitos atributos divulgados, o epíteto de “inafundável” parecia o mais chamativo. Quem é que não sonha entrar num meio de transporte sem defeitos e com garantias de chegar “são e salvo”?

Mas, para tristeza de todos, o barco que fora construído com tanto cuidado e mestria para ser cómodo, seguro e rápido afundou-se na viagem inaugural sem nunca ter chegado ao destino.

Muitos séculos antes, sem a técnica e o saber que as gerações acumularam, com meios rudimentares e escassos materiais, a Bíblia diz-nos que Noé construiu uma Arca que lhe permitiu enfrentar o dilúvio.

Talvez a frágil barca não tenha servido para mais nada ou tenha sido desmantelada para edificar nova habitação, mas a verdade é que cumpriu a missão para que fora construída, permitindo salvar a vida e a esperança.

Quando o ser humano é descartável, a técnica monopoliza, o clique (distância) substitui o toque (proximidade), os mercados dominam, os números substituem as pessoas, a eficácia é exaltada, a misericórdia é esquecida, o espiritual perde visibilidade, o efémero e o exterior são endeusados… podemos dizer que a mensagem da Arca se perdeu.

Porque as cómodas instalações não fazem uma paróquia viva, os mais recentes electrodomésticos não fazem uma família feliz, muitas viagens podem não satisfazer os protagonistas, o conhecimento acumulado pode não ser sinónimo de sabedoria…

Só a paixão pode valorizar o simples e discreto, o frágil e aparentemente ultrapassado, a singularidade de cada um e a importância de todos para o cuidar de tudo.

in Voz de Lamego, n.º 4321, ano 85/35, de 14 de julho de 2015

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