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Archive for 01/07/2015

À conversa com o Diácono Fabrício Pinheiro

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No próximo dia 05 de julho, primeiro domingo do mês, às 16h00, o nosso bispo ordenará sacerdotes os diáconos Fabrício e Valentim. Para os conhecermos melhor, aqui ficam algumas palavras dos que se preparam para integrar o presbitério diocesano.

1- Para os nossos leitores, quem é o Diác. Fabrício Pinheiro?

O Diácono Fabrício Pinheiro sou eu mesmo (sorrindo). Um rapaz feliz e cheio de energia, que cresceu numa família cristã onde aprendeu valores humanos e de fé. Foi isso que me ajudou a crescer na vida e na vocação.

Sou um jovem de apenas 24 anos de idade, mas com um desejo constante de anunciar a Palavra e a pessoa de Jesus Cristo sem qualquer medo.

Para alguns que já me conhecem, durante as férias sempre tive um trabalho um pouco “invulgar”. Trabalhei alguns anos numa fábrica de pirotecnia e por todos os lados que passei, e foram muitos, nunca tive vergonha de assumir aquilo que era. Sempre me identificava como seminarista. Com isto comecei a ficar conhecido como o “padre fogueteiro”. Isto apenas para dizer que nunca tive vergonha de me identificar com Aquele em quem acredito.

Entrei na aventura de Cristo em 2005 no Seminário Menor de Resende e, hoje, permaneço nessa aventura, depois de 10 anos de estudos, com o desejo de servir cada vez mais e melhor este Senhor que me deu a vida e o dom da vocação.

Sou de Cristo sou feliz!

2- Como tem sido o teu estágio pastoral?

É difícil responder. Todo o serviço pastoral destes quatro anos foi diferente. Mas, não minto, que o deste ano, no Seminário Menor de Resende, marcou essa diferença.

Quando fui para o Seminário, em setembro passado, pensava para comigo: “Ah valha-me Deus e Nossa Senhora onde é que estes ‘senhores’ me foram meter!”. Porém, o tempo foi passando e a amizade entre a comunidade ia crescendo. Tanto da equipa formadora (excelentes amigos) como dos “meus meninos” (é deste modo que eu os vejo, pois penso que de algum modo me sinto responsável pela orientação de vida que, independentemente, cada um tome) trago um exemplo de vida, de família, com os seus momentos menos bons, como em todas as famílias, mas que não deixa nunca de ser família. É, também, nesta capacidade de ser família, de fazer família que eu quero viver de forma total e feliz o dom da Vocação que Deus me deu.

3- A partir da experiência entretanto conseguida, como vês a formação recebida no Seminário e na Faculdade de Teologia?

A formação é, sem dúvida, muito importante. Os valores como a educação, o bem-fazer das coisas, o respeito mútuo, o saber construir comunidade/família, são valores que nos ajudam a crescer, a sabermos olhar a vida de um modo diferente.

Se hoje sou o que sou devo-o ao Seminário, pois foi uma casa que me ajudou a ser um jovem que gosta de viver e de ser feliz, fazendo os outros felizes.

Quanto à Faculdade de Teologia muito teria para dizer mas o espaço do jornal é curto demais (sorrindo). Mas posso dizer que foram anos muito bem passados, onde através dos livros e da oração feita sobre os mesmos, foi um tempo no qual aprofundei o meu conhecimento teológico (estudo sobre Deus) de uma forma, desculpem a expressão, fantástica, com as suas dificuldades e exigências, mas que com empenho e interesse tudo se consegue alcançar. Na Faculdade fiz muitos e bons amigos que conservarei para toda a vida. Formarem-nos faz-nos ser as pessoas felizes que somos. Estudar faz-nos crescer. Ambos ajudam-nos a viver e a olhar para o mundo de uma forma diferente.

4- Uma palavra para os nossos seminaristas e aos que estão a pensar entrar no seminário?

Apenas dizer-lhes que não tenham medo. Cristo ama-vos. Ama-nos a todos pois todos somos filhos. É certo que pelo caminho aparecem muitas “pedras”, contudo cada pedra deve ser um degrau para subirmos em direção à meta.

Recordo aquele cântico “Te amarei Senhor! Te amarei Senhor! Eu só encontro a paz e a alegria bem perto de Ti”. Não tenho a menor dúvida deste amor cheio de paz e de alegria que o Senhor tem por cada um de nós. Por isso, a ti que O segues ou queres seguir não tenhas medo porque Ele está contigo. Entra na aventura de Cristo! O dom da Vocação não é teu nem meu, mas é d’Ele. Por isso deixa que seja Ele a guiar os teus passos.

in Voz de Lamego, n.º 4320, ano 85/33, de 30 de junho de 2015

À Conversa com o Diácono Valentim Fonseca

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1 – Para os nossos leitores, quem é o Diác. Valentim Fonseca?

Sou natural da freguesia de Almacave – Lamego, residente na Freguesia de Ferreiros, onde dei os primeiros passos, aprendi o saber das gentes entre a serra e o Douro.

Frequentei a escola primária na mesma freguesia. Aprendi nos bancos corridos da Igreja o que é ser cristão.

Dou graças a Deus por ainda estar entre nós a minha professora primária, bem como a minha catequista do primeiro ano da catequese. Com a minha professora aprendi a ser pessoa socializante, com a minha catequista aprendi a ser cristão assíduo.

Sou o mais novo de 10 filhos, nasci no seio de uma família profundamente cristã e participativa na vida da paróquia. Desde muito cedo comecei a ajudar na catequese paroquial e no Movimento da Mensagem de Fátima.

Desde tenra idade senti que a minha vocação era o sacerdócio, talvez pelo facto do meu irmão mais velho ter frequentado durante dois anos os Missionários Combonianos.

Estudei na Escola Profissional, na altura Agrícola, de Lamego onde muito conversei com o Monsenhor Ilídio, que Deus o tenha em sua presença. A minha vocação foi-se manifestando, durante este tempo.

Fiz o ensino secundário e curso de Teologia na cidade de Braga.

De volta a Lamego em 2007 iniciei o Curso Superior de Gestão Turística, Cultural e Patrimonial. Numa das atividades desenvolvidas neste curso foram umas férias Culturais, no Mosteiro de Salzedas, sendo Pároco o saudoso Sr. Pe. António Seixeira, e que muito me ajudou na entrada no Seminário de Lamego.

Trabalhei e cooperei na Obra Kolping de Portugal, como coordenador das famílias Kolping. No contacto com os párocos mais motivação senti em seguir em frente.

Não me poderia esquecer de falar de quem me abriu a porta para o cristianismo, o meu Pároco que me administrou o Santo Sacramento do Batismo, a 8 de dezembro de 1978. Nele vejo um sacerdote dedicado ao rebanho a ele confiado há já 48 anos, como bom pastor. Neste ano em que celebra os seus cinquenta anos de Sacerdócio rezo ao Senhor para que continue a comular com as suas bênçãos. O Senhor Padre Silvestre foi a pedra fundamental para a minha ordenação. Desde já o meu profundo agradecimento ao Sr. Pe Silvestre, pela força que sempre me deu, foi a mão de Deus que operou através deste seu servo.

No meu lema escolhido para a Ordenação Presbiteral “Vem e Segue-Me”, ouço a voz do meu pároco a que siga o Senhor da Messe.

Ajudai-me Senhor Jesus, nesta nova fase da minha vida, vida que espero que continue a ser uma entrega de serviço aos irmãos na Tua Igreja.

2 – Como tem sido o teu estágio pastoral?

O meu serviço desenvolvido no estágio pastoral prendeu-se com o apoio directo à catequese, aos Jovens, à Liturgia, ao Sr. Padre António Ferraz, no seu múnus de Pároco desta paróquia de nossa Senhora do Pranto de Foz-Côa.

Por terras do Douro Superior realizei o meu estágio Pastoral, numa terra distante da minha terra natal, novas gentes, novas realidades, novos costumes. Todas estas realidades no início fizeram com que ficasse muito apreensivo quanto a esta fase muito importante no meu processo de crescimento e de aprendizagem, com quem já tem mais de duas dezenas de anos de experiência de serviço em prol das comunidades confiadas ao Sr. Pe. Ferraz.

No decorrer deste tempo de formação/preparação, tentei manter o contacto com todos, pois só através de um conhecimento das realidades locais se pode desenvolver um trabalho mais assertivo. Neste tempo deu para ouvir as pessoas nos seus anseios e canseiras do dia-a-dia, numa região profundamente marcada pela desertificação e elevada emigração.

Tornou-se um estágio muito produtivo, tanto no conhecimento como na prática. Desde já o meu sincero obrigado ao Sr. Padre António Ferraz pelo acompanhamento e ajuda dada neste ano.

3 – A partir da experiência entretanto conseguida, como vês a formação recebida no Seminário e na Faculdade de Teologia?

A Formação recebida no Seminário torna-se imprescindível, para o serviço. Ao colocar os seminaristas em estágio pastoral a partir do terceiro ano, no contacto com novas realidades, ver formas concretas de actuar no terreno, vai dando aos seminaristas um conhecimento mais aprofundado, o saber ser.

A Faculdade de Teologia ajuda no saber científico, o saber fazer, através do conhecimento das matérias abordadas no curso de Teologia faz com que na realidade se aplique aquilo, que muitas vezes durante o curso, achamos não ser relevante, embora na prática se torne exequível.

Aliando estas duas realidades, Seminário e Faculdade de Teologia os candidatos ao sacerdócio, no fim do seu percurso levam uma experiência, não indo completamente alheios às realidades que os esperam no seu serviço pastoral. Embora realisticamente a realidade ainda pode trazer alguns dissabores, que com a ajuda de Deus e dos irmãos no sacerdócio se consegue superar.

4 – Uma palavra para os nossos seminaristas e aos que estão a pensar entrar no seminário?

Aos nossos seminaristas e a todos os que estão a pensar entrar no seminário, gostaria de deixar uma breve palavra de encorajamento, vivemos numa sociedade que nos oferece mil e uma coisas, mas devemos centrar o nosso querer no Bem maior e Supremo que é a nossa Verdadeira Vida, Jesus Cristo, Aquele que no acto extremo de Amor entregou a sua vida por cada um.

Cristo continua a chamar, “Vem e Segue-Me”, saibamos nós responder ao seu chamamento com grandeza de ânimo confiando no poder da Oração e protecção.

in Voz de Lamego, n.º 4320, ano 85/33, de 30 de junho de 2015

FINALIDADE PASTORAL | Editorial Voz de Lamego | 30.junho.2015

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Mais uma edição da Voz de Lamego repleta de notícias, reflexões, eventos, na vida social, cultural e religiosa, com muitos motivos para dispensar largos minutos na sua leitura. Como sempre, apresentamos no blogue, com o mesmo nome, alguns textos, com a preocupação de serem os mais abrangentes, ainda que concretizando em espaços pastorais, paróquias, pessoas, movimentos, prevalecendo sobretudo as notícias ligadas à Igreja na Diocese de Lamego, mas sem descurar, seguindo a opção da Voz de Lamego, outras notícias ou reflexões sobre a região e sobre a Igreja no seu todo.

Como sempre, em cada semana, em cada nova edição, sugerimos de início o Editorial, proposta de reflexão e de desafio do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego. Esta semana, neste tempo que sobrevêm as festas populares de verão, reflexão sobre os motivos que nos levam à festa e as festas que se desviam na preocupação pastoral e religiosa…

FINALIDADE PASTORAL

Os cristãos sabem e sentem que são amados e, por isso, a alegria e a serenidade que são chamados a protagonizar é muito mais que o ruído exterior ou a aparência estéril. E mesmo quando não conseguem corresponder devidamente ao dom recebido, sabem que o amor de Deus sempre será maior que a sua queda.

Por isso, tinha alguma razão o filósofo que não compreendia os rostos tristes dos cristãos que observava ao saírem das celebrações. Como se pode estar triste quando se está junto de quem nos ama assim? Será porque algumas pregações se empenhavam mais em difundir o medo do que o amor de Deus? Certamente que ninguém se alegra quando tem medo; quer é sair dali o mais rápido possível!

Este período estival, sinónimo de festa e de convívio, é também oportunidade para testemunhar a alegria cristã. O homem precisa de festa, de expressar alegria e júbilo, afirmando a vida e a criação. Fugindo à monotonia dos dias, a festa expressa liberdade e pode proporcionar destaque ao génio peculiar de um povo, com os seus valores e expressões, bem como a socialização, fortalecendo e alargando relações familiares e comunitárias.

Mas, às vezes, a festa aos santos pode ser, do ponto de vista religioso, esvaziada do conteúdo especificamente cristão – a honra prestada a Cristo num dos seus membros – e transformar-se numa manifestação meramente social, folclórica, marcada pela mesa e pelo ruído. E quantas vezes, pessoas sinceramente empenhadas, julgando “fazer a festa”, se afastam do seu significado pelos comportamentos que protagonizam?

Assim, a verdadeira festa vivida em honra dos santos venerados pela Igreja exige uma apreensão da “finalidade pastoral” do culto dos santos: a glorificação de Deus e o compromisso de levar uma vida modelada no ensino e exemplo de Jesus Cristo.

in Voz de Lamego, n.º 4320, ano 85/33, de 30 de junho de 2015