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ECOLOGIA INTEGRAL | Editorial Voz de Lamego | 23 de junho de 2015

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No dia 18 de junho, foi publicada a segunda Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum, isto é, numa dinâmica de promoção do ambiente natural e humano. A primeira Encíclica deste Papa, Lumen Fidei, publicada a 29 de junho de 2013, foi escrita a 4 mãos. Sabia-se que o Papa Bento XVI tinha uma esboço bastante avançado da Encíclica sobre a Fé, depois de ter escrito sobre a Caridade e sobre a Esperança, como virtudes teologais. O Papa Francisco assumiu a herança do antecessor, acrescentou algumas notas mais pessoais, e ofereceu essa belíssima Encíclica à Igreja e ao mundo. Há já alguns meses que se vinha a anunciar que a próxima Encíclica papal teria como fio condutor a ecologia. Poder-se-ia quase dizer que esta é a primeira Encíclica de Francisco, pelo deve suscitar um estudo aprofundado.

No Editorial desta semana, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz a ressonância da temática desta carta Encíclica, que evoca o patrono do Papa, São Francisco de Assis, nessa comunhão com a natureza e com os pobres.

ECOLOGIA INTEGRAL

A encíclica do Papa retoma a invocação de S. Francisco de Assis, “Louvado sejas meu Senhor”, do Cântico das Criaturas que nos recorda que a terra, nossa casa comum, é como “uma irmã, com quem partilhamos a existência” e como uma boa mãe “que nos acolhe nos seus braços”. Revisitando a teologia da criação a partir do princípio do dom, o Papa desconstrói a tese segundo a qual o homem deveria “dominar a terra”, instrumentalizando-a.

Num texto denso, dividido em 246 parágrafos e distribuídos por seis capítulos, o Papa expressa o seu pensamento sobre um planeta que sofre e a responsabilidade do homem. Eis o convite para uma conversão ecológica, tão necessária para manter vida a esperança e louvar o Criador.

Entre o muito que ali se pode ler, destaque para o conceito de “ecologia integral” (n.º 137), que permite ao Papa ultrapassar a distinção entre uma ecologia que protege o ser humano e uma ecologia que não se interessa senão com a natureza. A preocupação pela natureza, a justiça para os pobres, o compromisso social e a paz são inseparáveis. Há quem defenda a água e os animais e se esqueça dos vizinhos; há quem defenda o bem-estar do vizinho e se esqueça de que os recursos são limitados. De resto, este conceito integra-se num outro já defendido pela Igreja, o de “desenvolvimento integral”, de todo o homem e de todos os homens.

A nossa época é marcada por um desmesurado antropocentrismo, propício a uma cultura do descartável, que justifica todo o tipo de despejo, seja ambiental ou humano, que trata o outro como simples objecto e conduz a formas de dominação, económicas e sociais. Protagonizar uma ecologia integral é ter uma preocupação inclusiva e empenhar-se num novo paradigma de justiça.

in Voz de Lamego, n.º 4319, ano 85/32, de 23 de junho de 2015

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