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Archive for 17/06/2015

Homilia de D. António Couto na festa do Sagrado Coração de Jesus

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(Imagem de Arquivo)

CORAÇÃO PARA SEMPRE ABERTO

  1. Passa hoje, no calendário litúrgico desta sexta-feira, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que assinala a presença viva, próxima e intensa de um amor sublime e de uma esperança nova, refletida no rosto, no coração e no horizonte de cada ser humano. Esse horizonte novo brota do coração aberto de Jesus Cristo, fogo ardente de amor e de sentido que enche de luz os nossos passos, tantas vezes andados na penumbra e no escuro. São Paulo diz bem aos cristãos de Éfeso que, antes de terem sido encontrados por Jesus Cristo, viviam «sem esperança e sem Deus no mundo» (Efésios 2,12). A questão, entenda-se bem, já não é apenas viver sem Deus, no desconhecimento (agnôsía) de Deus. É viver sem Deus no mundo, no meio de nós, pertinho de nós, connosco. Sim, se repararmos bem, sem a presença de Deus no mundo, também a nossa habitação fica desabitada, uma espécie de câmara escura, e fica sem sentido a nossa vida. Sem Deus no mundo, pode haver apenas pequenas e inúteis deduções, como quem deduz o céu da terra ou o Último do penúltimo.
  1. Com Deus no mundo, muda tudo. É o céu que desce à terra, é o Último que enche de sentido o penúltimo. Fica habitada a nossa habitação, e um sentido novo rebenta o nosso escuro duro. Sim, o coração aberto do Deus humanado enche-nos de luz e de esperança. Enche-nos de Jesus, de cujo lado aberto saiu sangue e água (João 19,34): o sangue do Cordeiro que assinala as umbreiras das nossas casas (Êxodo 12,22-23) e lava as nossas túnicas brancas (Apocalipse 7,14); a água, que é o Espírito Santo, que vem para nós da humanidade crucificada e glorificada de Jesus, e alumia a nossa inteligência e o nosso coração de filhos, ensinando-nos a dizer: Ab-ba! Do lado aberto do primeiro Adam adormecido nasceu Eva (Génesis 2,21-22). Do lado aberto do novo e último Adam adormecido nasce a Igreja!
  1. Aí está então, amados irmãos e irmãs, o mistério por Deus dado a conhecer e a amar (Efésios 3,8-19) (o conhecimento incha; só o amor edifica), a fonte da nossa vida verdadeira, as nossas habitações (êthos) habitadas de sentido, os nossos hábitos (éthos) luminosos e branqueados. Habitação diz-se, na língua grega, êthos. A habitação é a casa, é a Igreja, a Casa bela habitada por filhos e irmãos. Hábito diz-se éthos, de onde vem «ética», que é a norma para viver na Casa, é o amor e a alegria de que os filhos e irmãos, que vivem na Casa, devem andar sempre revestidos. Habitação e hábito! Oh admirável mundo novo, belo e sublime, que Deus não se cansa de oferecer aos seus filhos amados.
  1. Veja-se outra vez este admirável solilóquio divino, que o Livro de Oseias hoje nos oferece. Diz Deus: «Quando Israel era um menino, Eu o amei. Fui Eu que ensinei a andar Efraim, que os tomei nos meus braços, mas não conheceram que era Eu que cuidava deles! Com vínculos humanos Eu os atraía. Com laços de amor, Eu era para eles como os que erguem uma criancinha de peito contra a sua face, e me debruçava sobre ela para lhe dar de comer» (Oseias 11,1-4).
  1. Um Deus maternalmente debruçado sobre nós. A tão admirável amor condescendente, só podemos responder com adoração e contemplação, dizendo com São Paulo: «Àquele, cujo amor, agindo em nós, é capaz de fazer muito mais, infinitamente mais do que possamos pedir ou conceber, a Ele seja dada a glória na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Ámen» (Efésios 3,20-21).
  1. Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao vosso, neste dia belo e luminoso em que consagramos ao vosso Coração para sempre aberto a nossa Diocese de Lamego, as suas crianças, jovens, adultos e velhinhos.

Lamego, 12 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

+ António, vosso bispo e irmão

Publicada na Voz de Lamego, n.º 4318, ano 85/31, de 16 de junho de 2015

Pe. Duarte Martins Vaz na Paz eterna

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Deus Pai, rico de Misericórdia, chamou a Si o Pe. Duarte Martins Vaz. À família, às comunidades paroquiais em que serviu, as condolências do Presbitério de Lamego, encabeçado pelo nosso Bispo, D. António Couto.

O Pe. Duarte Vaz nasceu em 26 de março de 1925 e foi ordenado sacerdote a 3 de setembro de 1950. Nos últimos anos, colaborava na paróquia de Fontelo.

O funeral realizar-se-á amanhã, na Igreja Paroquial de Fontelo, na Zona Pastoral de Armamar, pelas 17h30.

Rezemos pelo Pe. Duarte Vaz para que Deus, na Sua benevolência, o acolha no eterno descanso.

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LOUVADO SEJAS | Editorial Voz de Lamego | 16 de junho de 2015

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A edição desta semana da Voz de Lamego, a começar pela primeira página, destaca o DIA DA FAMÍLIA DIOCESANA que se realiza no próximo dia 27 de junho, na Carreira Central do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, para que a Diocese, com as suas paróquias e movimentos, em clima de festa e de partilha de fé se encontrem para se sentirem parte integrante desta família diocesana.

como habitualmente, muitos outros temas, reflexões, notícias, eventos a realizar, na região, na Diocese, e no mundo. Destaque para a Visita Pastoral de D. António Couto no Arciprestado de Lamego, desta feita em Figueira e em Queimadela, que preenche as páginas centrais desta edição.

O Editorial, da responsabilidade do reverendo Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz eco da próxima encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si”, dedicada ao ambiente.

LOUVADO SEJAS

Na próxima quinta-feira, 18 de junho, o Papa Francisco oferece ao mundo uma nova encíclica, Laudato Si (louvado sejas), cujo tema é a questão ecológica. Um texto anunciado por Francisco há alguns meses e publicado agora para e alertar o mundo e sensibilizar os participantes que participarão na cimeira sobre o ambiente, em Paris, dentro em breve. Mais uma vez, a Igreja, pela voz do Papa, atenta e disponível para cuidar do que é de todos, cumprindo a ordem do Criador.

A ecologia, dito de forma simples, ocupa-se do estudo e análise da relação que existe entre os seres vivos e o meio que os rodeia. A palavra é formada por dois vocábulos gregos: “oikos”, que significa “casa”, e “logos”, que pode ser traduzido por “estudo”. Assim, ecologia pode definir-se como “estudo do meio em que vivemos”.

O mundo está cheio de vida. É verdade. Mas, como todo o vivente, é atravessado por doenças. E, digamo-lo com clareza, as doenças de hoje são violentas. Chamam-se amor ao dinheiro e ao consumo, a voracidade e o gosto pelo poder, mas também o saber sem moral.

A preservação deste mundo exige compromissos duradouros e abrangentes, por forma a não ser irremediavelmente deteriorado e assim “entregue” às gerações futuras.

Por mais que o conhecimento e os meios avancem, a sede do absoluto nunca será saciada com dinheiro, técnica, poder ou comunicação.

Não sabemos o que será a encíclica do Papa, mas as duas primeiras palavras “Laudato Si” que a designam (em latim, pelas quais será conhecida) oferecem um tratamento para curar as doenças: o louvor.

Admirar. Louvar. Reconhecer o que faz o outro, o que faz o Outro. Ali está a fonte de alegria.

in Voz de Lamego, n.º 4318, ano 85/31, de 16 de junho de 2015