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SAUDADE E GRATIDÃO | Editorial Voz de Lamego | 9 de junho

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A edição desta semana da Voz de Lamego tem como tema de capa o Corpo de Deus, apresentando no interior texto sobre esta celebração e a Homilia do Senhor Bispo D. António Couto. Na última página, exposição da Ordem de Santiago, da responsabilidade do Museu da Presidência da República, em parceria com a Câmara Municipal de Lamego e a Diocese de Lamego, no Museu Diocesano, assinalando o Dia de Portugal e das Comunidades, cujas comemorações se realizam na cidade de Lamego.

No interior do jornal, os ricos e diversos textos de reflexão, notícias da diocese e da região, a Visita Pastoral de D. António Couto na paróquia de São Tiago Maior de Magueija e o XII Festival da Canção de Mensagem (páginas centrais).

Vale a pena iniciar a leitura pelo Editorial, da responsabilidade do Diretor da Voz de Lamego, Pe. Joaquim Dionísio:

SAUDADE E GRATIDÃO

Amanhã é feriado nacional. Entres outras realidades, os portugueses vão assinalar festivamente a existência das comunidades lusas espalhadas por esse mundo fora. Em todas as nossas aldeias, vilas ou cidades encontramos antigos emigrantes ou famílias que esperam o período de férias para abraçar quem anda por longe.

Por causa disso, o grande Padre António Vieira afirmou que os portugueses são um povo que teve um pequeno torrão de terra para nascer e o mundo inteiro para viver. Somos assim: audazes para buscar novas realidades, capazes de nos adaptarmos às circunstâncias e de nos integrarmos nos novos espaços e culturas. Mas acompanha quem parte a preocupação de permanecer ligado às raízes e ao povo que deixou. Por causa disso, os portugueses inventaram a palavra “saudade” para traduzirem uma presença que se mantém viva, terem próxima uma herança de que se orgulham e preservarem uma identidade que os define.

Por isso, a nossa homenagem a todos quantos tiveram que partir e levaram consigo, não a revolta contra um país que não lhes deu condições, mas a vontade e a alegria de permanecerem unidos. E nunca será demais sublinhar os benefícios que o país conseguiu com esta gente trabalhadora e dedicada que partiu.

Lembrar, no dia 10 de Junho, as comunidades portuguesas da diáspora é assumir a nossa presença por esse mundo fora e agradecer a todos quantos, com a sua perseverança e boa vontade ajudam a manter viva uma cultura.

Mas é também um desafio aos governantes, para que reconheçam o esforço, dedicação e investimento que o país recebe com tais comunidades. E isso nem sempre acontece quando, por exemplo, se diminuem os serviços consulares ou não se facultam aulas de língua portuguesa. As nossas comunidades apreciam ser lembradas neste dia, mas anseiam por atenção todo o ano.

 

in Voz de Lamego, n.º 4317, ano 85/30, de 9 de junho de 2015

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