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À conversa com FERNANDO SANTOS, Selecionador nacional

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Fernando Santos é o atual treinador da Selecção Nacional. Já foi treinador do Estoril Praia, do Estrela de Amadora, do Sporting, do Club do Porto, do Paratinaikos e do AEK de Atenas. O que nem todos os leitores saberão, é a sua prática de fé católica. O jornal “A Bola” noticiou que Fernando dos Santos é “um homem de fortes convicções, um homem de fé, um homem que vê, na religião e no respeito pelos mandamentos, a essência da sua vida”. E o pároco de Cascais declarou a um diário: “Frequenta a igreja diariamente e só falta por motivos de força maior; a Missa é, para ele, um alimento de vida espiritual; é um homem com grande fé; rege-se por princípios, por valores morais e tem uma grande dimensão humana”. E o próprio, Fernando Santos, afirmou: “Um católico praticante é como um ciclista… pedalante! Que contra senso seria chamar ciclista a um homem que não desse ao pedal! Assim se compreende um católico… que não pratica”.

Em Dezembro, deu uma longa entrevista ao “Correio de Coimbra” (CC) do qual respigamos o que se segue.

CC – Quem é Fernando Santos visto por Fernando Santos?

FS – “É um homem comum, normal, com vivência normal, princípios normais da vida como a maioria dos 90 por cento dos portugueses. (…) Nasci no seio duma família simples, também normalíssima. Tudo o que hoje sou, tem a ver com aquilo que foi a minha infância. Obviamente que as coisas foram evoluindo. Nada parado, tudo é contínuo. Nunca deixei de ser quem sou».

CC – Frequentou a catequese…

FS – “Nasci numa família tradicional sem prática religiosa, mas crente como é normal nas famílias tradicionais de Lisboa. Aos seis anos fui para a catequese e fiz o meu percurso normal como tantos outros. Fiz a primeira comunhão, o crisma… (…) O meu pai era doente pelo Benfica e levava-me sistematicamente todos os fins- de- semana ver os jogos. Como sabe nessa altura e com esta idade as coisas perdem-se um bocado. (…) O facto de ter saído da frequência da missa, isso nunca me afastou da Igreja porque desde que me lembro, faço sempre a mesma oração, aliás, acho que nunca sou capaz de adormecer sem, em primeiro lugar, rezar. Desde pequeno ficou sempre dentro. (…) Houve a fase do 25 de Abril… que me levou a afastar um bocadinho da Igreja mas não da fé. Até porque casei pela Igreja. Batizei os meus filhos, coloquei-os em colégios católicos… Houve sempre uma preocupação nesse sentido. Também houve sempre uma relação com Fátima”.

CC – Um dia teve o seu caminho de Damasco, um pouco à semelhança do apóstolo Paulo… Foi assim um momento ou ele foi-se revelando aos poucos?

FS – “Há de facto um primeiro momento. Depois há uma relação contínua. No primeiro momento estava acompanhado por amigos e o coadjutor da paróquia de Cascais pediu-me boleia até à igreja da Ressurreição onde ele quis ficar e disse-me que um dia precisava de almoçar comigo. Foi um clik. No dia do almoço ofereceu-me um livro que é a “Fé explicada”. Depois de ter lido o livro, aconteceu outro clik… Tudo começou a partir daí. Um dia disse-me que precisava de conversar, mas não queria confessar-me. Depois acabei por me confessar… Obviamente que foi um momento decisivo mas que teve muito a ver com a entrada dos meus filhos nos colégios. Quando entraram para a catequese, fizeram a primeira comunhão e a preparação para o Crisma houve uma necessidade da minha parte para os poder acompanhar. E quando isto acontece, junta-se a fome com a vontade de comer. Uniram-se estes dois factores e isso foi decisivo para a minha reaproximação à Igreja. Um processo que foi aos poucos, começando pelos últimos bancos da Igreja até chegar à frente. A minha viragem ou o meu “renascer” dá-se com os Cursos de Cristandade”.

CC – É daqueles treinadores que pedem a Deus para ganhar um jogo?

FS – “Eu peço, sempre, a Deus para me orientar e me acompanhar. Isso, peço-lhe de manhã, quando me levanto. Mas não é por ser treinador. Se Lhe faço um pedido excecionalmente no dia do jogo? Não! Ele tem que olhar para todos. Não pode olhar só para Fernando Santos”.

CC – Do Concílio sobressaiu um grande apelo ao laicado, procurando-se que os leigos começassem a ter um papel mais activo na evangelização…

FS – “… Eu, durante muito tempo, orientei a catequese de preparação para o Baptismo, tenho amigos que o fazem ou que são catequistas, ministros da comunhão ou que fazem parte de uma equipa do CPM”.

Falou em seguida dos Papas: “Bento XVI era um teólogo fantástico, um professor fantástico. João Paulo II teve a sua forma de estar no modo como abriu a Igreja ao mundo e levou Cristo a todo o lado. Acho que o Papa Francisco está a dar-nos algo de novo e que a mim, pessoalmente, está agradar imenso. Tem muito a ver com a proximidade com as pessoas. Uma relação muito mais próxima, de simplicidade, etc.”

E termina a entrevista com mais um testemunho:

 “Há duas coisas que mudaram a minha vida. Uma tem a ver com a fé na Ressurreição. Quando encontrei o caminho e descobri que Cristo estava vivo, passei a acreditar verdadeiramente na ressurreição, e tudo mudou para mim. A segunda coisa tem a ver com o mandamento d’Ele – ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei’. Se nós andarmos afastados uns dos outros, se não estivermos mais perto uns dos outros… para que serve tudo isso?”

Nem todos leitores conheceriam a prática religiosa de Fernando Santos e de outros FS porque, como diz o Povo: – “O bem não faz barulho e o barulho não faz bem”.

Pe. Justino Lopes, in Voz de Lamego, n.º 4316, ano 85/29, de 2 de junho de 2015

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