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Archive for 03/06/2015

Peregrinação Arciprestal ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios

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No dia 31 de Maio, cumprindo-se a tradição já consolidada ao longo de várias décadas, uma multidão de fiéis, provindos das 24 Paróquias do Arciprestado de Lamego subiram da Catedral até ao Monte de Santo Estêvão, a fim de honrar e venerar a Padroeira da cidade de Lamego, Nossa Senhora dos Remédios.

Uma instalação sonora, que cobria o itinerário da peregrinação, auxiliava os peregrinos com cânticos marianos e a recitação do terço. Os Párocos do Arciprestado acompanhavam os seus paroquianos, identificados pelo estandarte da sua Paróquia.

O andor de Nossa Senhora dos Remédios, transportado aos ombros ao logo de todo o trajecto da peregrinação, é colocado ao lado do altar da celebração; e a sua imagem é o alvo de todas as atenções dos peregrinos, que enchem o recinto do Santuário para lhe cantar e rezar, ao mesmo tempo que participam, com profunda devoção, na Eucaristia presidida pelo nosso Bispo, D. António Couto.

Os estandartes das Paróquias, alinhados junto ao altar da celebração, testemunhavam a comunhão das Paróquias do Arciprestado, expressando, unidas, a sua piedade mariana.

No início da celebração, o Arcipreste de Lamego, saudava todos os presentes, convidando-os a professar, celebrar, viver e rezar a fé, com os olhos postos em Maria. A alegria e a emoção eram visíveis, porque todos vieram para manifestar o seu amor Àquela que tudo pode alcançar junto de seu Filho.

Celebrava-se a solenidade da Santíssima Trindade. Decorrem este ano as visitas pastorais do nosso Bispo no Arciprestado de Lamego, entre o mês de Fevereiro e o mês de Julho. Um cartaz faz menção do lema deste ano pastoral: “Com o Bispo construir a família de Deus”. 

À homilia, o Presidente da celebração referiu-se ao mistério da Santíssima Trindade, como um mistério que nos transporta ao Amor de um Deus que está próximo do homem, a quem criou à sua imagem e semelhança. Este Amor não pertence às coisas analisáveis, por isso, é sempre um mistério. Citou S. Ireneu, para dizer: “Empenhando-se na Criação e na Redenção, Deus manifesta o Verbo e a Sabedoria. Estes, como Filho e Espírito são suas “mãos”. Aludindo à carta aos Romanos, destacou a actuação silenciosa do Espírito Santo, sem a qual nem sequer saberíamos rezar: “Recebestes o Espírito de adopção filial pelo qual exclamamos ‘Abá, Pai’ ”.

É este Espírito Santo que está no interior de cada homem, esteja ele na África, na Ásia, na França ou na Alemanha, mesmo pertencendo a outras religiões. Por isso, antes que o missionário chegue aos lugares mais recônditos do planeta, o Espírito Santo já se encontra nessas pessoas. Aqui, aludiu também à coincidência de, no dia 31 de Maio, a Sociedade dos missionários da Boa Nova celebrar a sua Padroeira. Maria leva a Boa Nova “a toda a pressa”, visitando sua prima Isabel, atravessando os montes. Nas palavras do nosso Bispo, “aquele que tem uma alegre notícia dentro de si deve comunicá-la o mais depressa possível”. Assim fez Maria, aqui invocada com o título de Nossa Senhora dos Remédios.

No momento da Oração dos Fiéis, assinalou-se o ano dos Consagrados. Representantes de alguns institutos religiosos e seculares leram uma prece adequada à Liturgia do dia. Momento belo e testemunhal…

No final da Eucaristia, o Arcipreste agradeceu a todos os que de uma ou outra forma colaboraram para a realização desta tão rica manifestação de fé. Ao Sr. D. António Couto por presidir à Peregrinação e à Eucaristia, ao Sr. D. Jacinto, bispo emérito, pelo testemunho da sua presença, aos sacerdotes do Arciprestado, ao Sr. Comissário da Irmandade e membros da Comissão Administrativa, ao grupo coral, ao Seminário, ao Sr. Reitor do Santuário, às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, aos escuteiros de Lamego, Penude e Cepões e a todos os que no seu anonimato, mas com não menos dedicação e generosidade contribuíram para que tudo resultasse em louvor da nossa Mãe do Céu. Para os peregrinos, pediu a bênção de Deus e a recompensa de Nossa Senhora dos Remédios, juntamente com a sua protecção.

No final, a multidão acompanha de novo o andor de Nossa Senhora, que agora se dirige do recinto para o interior do Santuário. Às vozes do grupo coral que animou a liturgia com cânticos de grande beleza artística, junta-se a multidão dos fiéis no comovente “Adeus, ó mãe, minha mãe adeus”. Acena-se com os lenços brancos. Os sacerdotes, em número de mais de uma vintena, entoam o “Salve Regina”. E encerra-se, deste modo, mais uma peregrinação anual.

Com os olhos postos em Maria, ninguém fica indiferente e ninguém fica sem resposta. Somos todos forçados a dedicar-Lhe um afecto filial e a aperfeiçoar os vínculos da nossa fraternidade.

Pe. Joaquim de Assunção Ferreira (Arcipreste de Lamego)

in Voz de Lamego, n.º 4316, ano 85/29, de 2 de junho de 2015

TEMPO E RITMO | Editorial Voz de Lamego | 2 de junho de 2015

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A primeira edição de junho dá especial destaque, a partir da primeira página, à Peregrinação do Arciprestado de Lamego ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, notícia desenvolvida no interior da Voz de Lamego. Outro tema, com o programa oficial apresentado é a comemoração do Dia de Portugal, este ano na cidade de Lamego. Os habituais textos de reflexão, abordando temáticas que nos desafiam a pensar e a melhorar a nossa vida na relação com os outros, com o mundo e com Deus. Chamada de atenção para a entrevista feita pelo reverendo Pe. Justino ao Selecionador Português, eng. Fernando Santos, católico convicto e assumido…

O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, no Editorial desta semana, ajuda-nos a refletir sobre o tempo, o cronológico, e o que nos dá a oportunidade de nos encontrarmos com Deus:

TEMPO E RITMO

Com a chegada o mês de Junho, tomamos consciência de que metade do ano está passada e temos a tentação de repetir que “o tempo voa” e que “não dá para tudo”. Diante do relógio que marca, assume-se o receio perante o escoar do tempo (kronos) irrepetível que não pára, concluindo que é um tirano que passa e desaparece sem atender a desculpas e sem segundas oportunidades!

Para o crente, também ele sujeito ao tempo que passa e não volta (kronos), o tempo é, sobretudo, o momento oportuno para o encontro com Deus, em que o Criador mostra a sua proximidade e oferece misericórdia e dedicação. O tempo deixa, então, de ser um bem raro, escasso, passageiro, transitório, para ser um lugar de encontro, o momento certo, a oportunidade que traz a possibilidade (kairós).

O tempo é limitado e, por conseguinte, deve ser vivido de forma consciente e cuidadosa. Para isso, é importante ter e manter o ritmo. Porque a ausência deste pode fazer com que alguém, apesar de poder dispor de tempo (kronos), perca o momento de graça e a possibilidade (kairós).

Confundir a perda de ritmo com uma crise de tempo, pode ser apenas uma desculpa para a irresponsabilidade ou o comodismo. Só o ritmo nos permite viver o tempo, já que é ele que dá conteúdo ao tempo. Como alguém disse “o ritmo é que produz o tempo; o relógio apenas o mede”.

O ritmo dá harmonia a qualquer coisa no tempo e ordena-a convenientemente, tal como afirmou Marius Schneider: “o ritmo é a liberdade ao serviço da ordem”. E se é salutar para o individuo, tem também uma função social: o ritmo une.

Oxalá o relógio não nos apanhe atrasos e, sobretudo, que o Senhor do tempo não nos encontre distraídos.

in Voz de Lamego, n.º 4316, ano 85/29, de 2 de junho de 2015