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D. ÓSCAR ROMERO | Igreja beatifica arcebispo assassinado

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No passado sábado, em Roma, o Papa Francisco presidiu à cerimónia de beatificação de Óscar Romero, o arcebispo de S. Salvador, capital de El Salvador, América Latina, assassinado no dia 24 de Março de 1980, enquanto celebrava a eucaristia. Uma beatificação desejada por muitos e adiada durante ano, mas que o Papa Francisco agora concretizou.

A beatificação significa o reconhecimento de alguém como fiel testemunha (é este o sentido da palavra “mártir”) da vida e da mensagem de Jesus Cristo. Um reconhecimento em duas etapas principais: a beatificação que reconhece bem-aventurado, uma felicidade que vem da vontade de viver segundo os Evangelhos, e a canonização, a plena aceitação da santidade e a sua apresentação definitiva como modelo a seguir para os cristãos da nossa época.

Mais uma etapa

Sobre a figura deste bispo martirizado muito se escreveu já. Mas, na proximidade da sua beatificação, apareceu nas bancas mais um livro: “”Óscar Romero. O amor deve triunfar”, de Kevin Clarke, das Paulinas, cuja leitura nos permite conhecer melhor a vida deste bispo, bem como as circunstâncias em que a sua vida se desenrolou e a sua morte aconteceu.

Em El Salvador, a causa da sua beatificação foi aberta em 1993, mas a ortodoxia e a lealdade de Romero à Igreja só seriam “confirmadas” em Julho de 2005. Trinta e cinco anos após o seu assassinato, os devotos de “San Romero” estão mais perto de o ver nos altares.

Às possíveis causas para tanta demora não serão estranhas algumas reticências levantadas por aqueles que sempre tiveram dúvidas sobre a ortodoxia de teologia da libertação, questionando se não existiriam motivações políticas associadas a motivações espirituais. Uma confusão que se desfaz quando se conhece a realidade em que tal teologia nasceu e se desenvolveu e quando são dadas oportunidades aos seus interlocutores para se explicarem. O que sucedeu com o actual Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que, enquanto professor, passou algumas férias no Peru e se tornou grande amigo e admirador de Gustavo Gutiérrez, considerado o “pai” da teologia de libertação.

Um testemunho

Precisamente, este peruano e actualmente dominicano G. Gutiérrez, deu o seu testemunho a propósito da beatificação de Oscar Romero, a quem o povo rapidamente canonizou e a quem o bispo Pedro Casaldáliga proclamou de imediato “San Romero da América Latina”.

No texto escrito, G. Gutiérrez diz que Romero “não procurou o martírio. Encontrou-o no caminho da sua fidelidade ao compromisso para com Jesus Cristo”. Apesar de avisado do risco que corria, escolheu não abandonar o seu povo. E até no dia do seu funeral houve distúrbios e mortes de inocentes e só algumas horas depois, quase às escondidas, o seu corpo foi sepultado na catedral.

Para este dominicano, O. Romero foi, antes de mais, um pregador atento e meticuloso que escrevia as suas homilias, cuja “voz era ouvida em todo o país”. E na sua pregação “reclamava uma sociedade justa, respeitadora de todos os cidadãos, porque só assim, segundo a Bíblia, poderia haver paz. A sua pregação continha, para lá disso, uma insistência no que respeita aos direitos dos pobres e dos oprimidos, como o fazia Jesus”. Uma perspectiva com a frescura do evangelho, mas que se revelou cara. Com efeito, “a morte do arcebispo foi resultado de um assassinato, crime provocado pela sua atitude firme de pastor que não se calou diante do mau tratamento imposto ao seu povo, vítima de injustiças e mentiras quotidianas”.

Óscar Romero não se escondeu do perigo nem pintou a realidade de tons neutros. O próprio afirmava: “Seria muito fácil ser servidor da palavra sem incomodar ninguém, uma palavra muito espiritual, uma palavra sem compromisso com a história, uma palavra que pode ecoar em qualquer parte do mundo, mas que não seria de nenhuma parte do mundo”.

O bispo martirizado escolheu ser o pastor próximo do seu povo e a sua palavra quis incarnar o Evangelho na vida do povo e de todos. O seu testemunho permanece vivo e o seu exemplo continua, certamente, a ser seguido por muitos onde a Boa Nova se faz vida e onde a vida dos mais fracos é defendida.

JD, in Voz de Lamego, n.º 4315, ano 85/28, de 26 de maio de 2015

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