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Archive for Março, 2015

Paróquia de Avões |> Visita Pastoral de D. António Couto

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A Quaresma é tempo de preparação e reflexão para compreender e celebrar a ressurreição de Cristo e, como tal, é um período de clarificação e serenidade de espírito. Por conseguinte, para comprometer e conduzir a comunidade de Avões com Deus, o Bispo D. António Couto integrou a Visita Pastoral da paróquia.

No raiar da manhã do dia 8, Domingo, estreou-se a semana com o Sacramento da Extrema-unção aos doentes acamados, ação vista pelo grupo mais idoso como o bálsamo para a alma e o repouso da fé. Um momento de consonância com Deus abraçado por todos os presentes.

Depois desta ação a começar por aqueles que se encontravam numa situação mais debilitada, o resto da semana foi mesclada por alguns encontros e reuniões frutíferos com vários grupos da comunidade. Os primeiros foram os jovens a receber a Confirmação no Domingo seguinte, reunião esta em forma de diálogo apelativo e jovial proferida pelo Senhor Bispo, na qual se gerou a interação suficiente para elucidar os jovens nesta fase, nem sempre, clara e alerta para Deus.

Já na sexta-feira, participou num encontro com os vários grupos e entidades da freguesia, assim como a presença, em geral, dos fiéis, proporcionando-se um momento complementado de interações, esclarecimentos e interlocuções que se veio a expressar com maior proximidade, no dia seguinte, na ceia-convívio com toda a comunidade. Salienta-se, o facto, do Bispo D. António Couto prendar com palavras sábias e imbuídas de compromisso com a Fé o povo, de uma maneira sagaz e acessível à compreensão de todos, assim como toda uma atitude de proximidade e empatia.

Na última atividade da Visita Pastoral, a Eucaristia Dominical, enriquecida com a celebração da Confirmação de 6 jovens, foi presidida pelo Bispo D. António Couto e complementada pelo Pároco da paróquia Joaquim Silvestre.

Aponta-se com especial destaque a homilia proferida pelo Bispo da Diocese, na qual, entre outras coisas, debruçou-se na felicidade e na maldade, isto é, o desejar a paz ou a felicidade não é apenas um ato único de afagar o outro com bom espirito mas, também, ajudá-lo a alcançar o que anseia ou precisa, visto as coisas boas tomarem contornos maiores quando partilhadas. Ao focar o temor do povo hebreu com o veneno das cobras e o pedido de Moisés a Deus para os salvar de tal mal, o Senhor Bispo alertou para o veneno e a maldade que está latente dentro de nós e as proporções que isso toma quando infetamos outra pessoa, serão dois venenos a inebriar a visão que se tem do outro e do mundo que os rodeia.

O nosso mundo é volátil como muitos dos nossos pensamentos, daí aludir para o veneno que podemos estar a produzir, já que o perdão vem de Deus e as consequências da Vida.

Por último, um agradecimento a todas entidades e grupos que contribuíram para que esta Visita Pastoral fosse uma preparação carregada de fé, leveza de espirito, compreensão e partilha; em especial, ao Sr. Bispo D. António Couto por toda a proximidade com o rebanho e a bagagem conselheira e clara com que nos encaminhou pois, no fundo, a comunidade de Avões sabe que teremos tudo de Deus, quando Deus tiver tudo de nós.

Ricardo da Fonseca,  in Voz de Lamego, n.º 4305, ano 85/18, de 17 de março de 2015

PERGUNTA – RESPOSTA | Editorial Voz de Lamego | 17 de março

pergunta_respostaBem dentro da Quaresma, destaque da Voz de Lamego para a Procissão do Senhor dos Passos, na cidade de Lamego, presidida pelo Senhor Bispo, D. António Couto, e que foi precedida da habitual conferência na Sé Catedral. Mas muitos outros temas preenchem as páginas do Jornal Diocesano, a Visita Pastoral de D. António à Paróquia de Avões, encontro de formação, jovens do Arciprestado de Lamego, Jovens Sem Fronteiras de Vila da Ponte, presença do Seminário em Lalim, Via-sacra no mosteiro das Dominicanas, artigo no Ano de Vida Consagrada dedicado aos Franciscanos e à sua presença em Lamego; e o habitual comentário à liturgia dominical, artigos de opinião, notícias de alguns dos concelhos que compõem a Diocese, as intervenções do Papa Francisco.

Vamos ao Editorial, que nos coloca como discípulos diante de Jesus:

PERGUNTA – RESPOSTA 

O jesuíta Tomás Halik, no livro “Paciência com Deus” (p. 36), transcreve o que um dia viu escrito nas paredes de uma estação de metro. A par do que alguém escrevera, em jeito de alegre e convicto testemunho, “Jesus é a resposta”, outro mais céptico escreveu: “Mas qual era a pergunta?”.

Se a afirmação do crente deve ser assumida e divulgada (Jesus é a resposta), o exteriorizar da dúvida (Mas qual era a pergunta?) serve ao autor para sublinhar a oportunidade do perguntar. Porque sem isso não há lugar à resposta e “respostas sem perguntas… são como árvores sem raízes”.

Viver a fé é assumir a vontade de caminhar, assumindo o risco das opções e o desconforto dos limites, mas também a alegria de se saber e sentir acompanhado pelo Senhor que chama e por tantos irmãos que se dispõem a caminhar também, aventurando-se a ir. E na caminhada do crente também há lugar à dúvida, às interrogações, aos lamentos e desabafos e, quantas vezes, à tentação de desistir ou ficar parado.

O discípulo de Jesus Cristo sabe que a conversão é um processo, tantas vezes lento e árduo, que se concretiza com muito custo. E não perder de vista a pergunta, o sentido da vida, ajuda a não desistir na resposta.

Perante o atrapalhado Tomé que assume não saber por onde ir, Jesus apresenta-se como “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 6) e revela-lhe que o seguimento exige movimento e é um processo constante.

A quaresma pode ajudar-nos a tomar consciência deste movimento, exigente, que é seguir o Mestre, ajudando-nos a assumirmo-nos como “buscadores com aqueles que procuram e interrogadores com aqueles que se interrogam”, a exemplo de Paulo que se faz “tudo para todos”.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, n.º 4305, ano 85/18, de 17 de março de 2015

4.ª Conferência Quaresmal de D. António: Ser discípulo de Jesus

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Por caminhos da Galileia até Jerusalém

Ser discípulo de Jesus

Foi este o tema apresentado pelo nosso Bispo na Conferência quaresmal do dia 15 do corrente. Com a Sé a abarrotar de gente, muitos à espera da Procissão do Senhor dos Passos que seguiria da Sé para a Igreja da Graça, na paróquia de Almacave, outros para ouvirem a palavra do Senhor D. António Couto e, depois, se integrarem na mesma Procissão; mas todos juntos ouviram com interesse a palavra do Senhor Bispo, que pôs diante de nós um tríptico tão instrutivo como simples de entender sobre o modo de mostrar que somos discípulos de Jesus.

Sob o signo do caminho, fomos convidados a olhar aquele que Jesus percorreu para ir da Galileia até Jerusalém, numa decisão por Ele tomada e que não dava a possibilidade de voltar atrás. «O rosto duro» com que Jesus iniciou a caminhada e que fazia lembrar a palavra de Isaías na descrição do «Servo do Senhor», indicava a dificuldade que Jesus encontraria na Cidade, mas não deixava de ser ocasião para alguns quererem tomar o mesmo caminho, indo com Jesus,

Assim nos aparecem as figuras do que quer seguir Jesus, mas a quem Ele responde que «o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça»; a dos que são chamados, mas querem ir sepultar seu pai ou despedir-se de toda a família e a quem Jesus diz a palavra «segue-Me» ou então «quem põe as mãos no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus».

Ser discípulo de Jesus

Discípulo é o enviado, o que se aproxima dos outros que dele precisam e os que ouvem a Sua palavra. Personificados nos que Jesus enviou, dois a dois aos lugares onde Ele havia de ir, no samaritano e em Maria, irmã de Marta e de Lázaro, foram caracterizados por Jesus como os que Ele veio procurar e ensinar para serem Seus verdadeiros discípulos.

Enviados sem saco ou alforge às costas ou sandálias nos pés, levavam consigo o «Evangelho da Alegria». «Assim partem de Jesus, que os envia, e voltam a Jesus, cheios da Alegria» de que foram transportadores e anunciadores: o seu ponto de referência foi Jesus.

O segundo quadro do tríptico andou à volta da parábola do samaritano. Um homem ferido e abandonado à beira do caminho; roubado e espancado, ali ficou como «meio morto»; sem nome, como aqueles que por ali passaram, houve quem passasse ao lado, mesmo tendo-o visto e com necessidade de ajuda; vendo-o, passaram para o outro lado do caminho e seguiram em frente.

Passou também um samaritano, aproximou-se para ver e logo pôs em acção a sua capacidade activa, criativa: tratou-o como pôde e levou-o à estalagem próxima, dizendo ao hospedeiro: «cuida dele e o que gastares a mais, repor-to-ei quando voltar».

Figura central na doutrina de Jesus, é a aproximação ao irmão, para ver melhor o que podemos e devemos fazer.

O terceiro quadro do tríptico leva-nos a Betânia, a casa de uma família amiga de Jesus, mas onde há possibilidades e necessidades de trabalho e atenção ao Mestre que chega. Marta pensa logo na refeição e depressa se queixa a Jesus, de que a irmã não faz nada; Maria, sentada, pensa em ouvir a palavra de Jesus. Conhecemos bem o diálogo da ocasião, com Jesus a ensinar que o verdadeiro discípulo «escolhe a BOA parte, que não lhe será tirada».

Quem é, então, o verdadeiro discípulo de Jesus? O que é enviado, o que se aproxima, o que ouve. Assim faz caminho para Jerusalém, caminho da Páscoa, caminho da Ressurreição. Hoje o nosso caminho, podemos nós dizer também.

Senhor dos Passos

Foi do nosso Bispo a palavra de oração com que terminou a conferência deste Domingo e que damos a conhecer aos nossos leitores:

«Senhor Jesus,

Senhor dos Passos

Serenos e seguros na caminho da vida e da Paixão,

Da Ressurreição.

 

Senhor Jesus

Senhor dos Passos

Sossegados e firmes, Resolutos,

Até à porta do meu coração.

 

Senhor Jesus,

Senhor dos Passos,

Dos meus e dos teus,

Finalmente harmonizados,

Finalmente lado a lado,

Os meus, atravessados pela tua Paixão

Os teus, sincronizados pelo pulsar do meu coração.

 

Sim,

Eu sei que foi por mim que desceste a este chão

Pesado, íngreme, irregular,

De longilíneas lajes em que é fácil escorregar.

 

Senhor Jesus,

Deixa-me chegar mais um pouco junto de ti,

Chega-te tu também mais junto de mim.

Segura-me.

Dá-me a tua mão firme, nodosa e corajosa.

Agarro-me.

Sinto sulcos gravados nessa mão.

Sigo-os com o dedo devagar

Percebo que são as letras do meu nome.

Foi então por mim que desceste a este chão.

O amor verdadeiro está lá sempre primeiro.

 

Obrigado, Senhor Jesus,

Meu Senhor, meu Irmão e companheiro.»

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, n.º 4305, ano 85/18, de 17 de março de 2015

SEMANA SANTA NA CIDADE DE LAMEGO | quaresma e solenidades

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MENSAGEM DE D. ANTÓNIO COUTO, Bispo da Diocese de Lamego

A quaresma é uma estrada entrecortada por estações de serviço de paz e de perdão. Uma avenida florida de oração. Uma praça de graça e contemplação. A quaresma é uma escada, que do céu desce, trazendo até nós a mão de Deus aberta, e ao céu se eleva, levando até Deus a nossa alma em prece. A quaresma é um caminho direitinho ao coração. É preciso limpá-lo de todo o lixo acumulado. E é preciso entregá-lo a Deus, assim limpo e cultivado. E enquanto, no caminho ou no campo, nos alegremos por ver a tua messe amadurar, também olhamos e vemos uma árvore seca a olhar para nós e a sangrar. Árvore seca, toco seco a rebentar em flor, é a tua Cruz, Senhor, a irrigar de amor a nossa vida. Ela lá está, plantada, sempre à nossa frente. Mas, para nosso maior espanto e admiração, a tua Cruz, Senhor, levanta-se e planta-se no nosso coração. Por tudo isto, Senhor, aceita a nossa procissão de amor e gratidão.

+ António, vosso bispo e irmão

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MENSAGEM DE FRANCISCO LOPES, presidente da Câmara de Lamego:

Semana Santa: uma caminhada espiritual

Inserida no calendário litúrgico do ano cristão, a celebração da Semana Santa de Lamego integra no seu programa geral atos religiosos e atos culturais que vão glorificar mais uma vez um património espiritual comum.

Vivida com uma especial devoção doutrinal, e conservando o seu sentido original, a tradição da Semana Santa adquiriu ao longo dos tempos variações que enriquecem o conjunto de demonstrações públicas de Fé e realizações populares que se enquadram no espírito das celebrações da Paixão e da Páscoa. Mais uma vez sob o ministério episcopal de D. António Couto, o Bispo da milenar diocese de Lamego, este ano os caminhos da Fé voltam a convergir a Lamego.

Tradição católica que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Cristo, a Semana Santa de Lamego é uma caminhada espiritual e penitencial. No âmbito da programação de excecional qualidade oferecida aos crentes, merece particular atenção a Procissão dos Passos, a Procissão das Sete Bandeiras, a Procissão do Senhor Morto, a Visita Pascal e a Visita às Santas Casas. O turismo cultural e religioso ganha por estes dias um dinamismo especial, com repercussões positivas nas atividades económicas e turísticas locais.

Tal como verificado em anos anteriores, acredito que o empenho e o envolvimento de todas as instituições locais e dos lamecenses vão garantir, uma vez mais, o êxito das Celebrações da Paixão e da Páscoa no Município de Lamego.

Aproveito ainda esta ocasião para desejar a todos uma Santa Páscoa.

Francisco Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Lamego

CONVÍVIO 1267 | Por terras de Alvite

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Foi ao começar este mês que a mesma equipa que preparou o Convívio Fraterno 1267 visitou os convivas 1267 de Alvite.

Alguns elementos do Grupo Jovens Sem Fronteiras de Alvite, atenderam, uma vez mais ao chamamento de Nosso Amigo Jesus Cristo, em participar no Convívio Fraterno que se realizou nos dias 14, 15, 16 do mês passado.

E foi passado alguns dias que a equipa resolveu descobrir como estava a correr o 4.º dia  de cada conviva, acompanhando estes, na Eucaristia presidida pelo Pároco Bráulio na Igreja Paroquial de Alvite pelas 11h00.

Foi com grande alegria, em nosso coração que recebemos estes maravilhosos instrumentos de Deus, estes instrumentos que nos ajudaram a ouvir a melodia que Deus nos envia! Ficamos maravilhados com a surpresa!

No entanto após, a Eucaristia, tivemos ainda um almoço de convívio, que se realizou no Centro de bem estar social e repouso da paróquia de Sever onde também recordamos os três dias do Convívio cantando alguns cânticos apreendidos lá.

 Assim fica um obrigado à equipa por esta surpresa em que Deus os enviou uma vez mais e também àqueles que se disponibilizaram para preparem o almoço para este dia. Bem hajam.

Jesus Cristo é Amigo, e vemo-lo no rosto de cada irmão no caminho que percorremos!

CF 1267- Martina Veiga, Jovens sem Fronteiras de Alvite

in Voz de Lamego, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015

CAMINHADA VOCACIONAL | Pré Seminário | SEMINÁRIO DE LAMEGO

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“O último presente”

O Seminário Maior de Lamego realizou, de 7 a 8 de março, em Braga, no Seminário Interdiocesano de S. José, mais um Pré-seminário. Neste, participaram três seminaristas do Seminário Menor de Resende que puderam contactar com a vida diária dos seminaristas, mais diretamente. Foram incluídas no fim de semana as visitas a alguns locais da cidade, momentos de oração, a visualização de um filme e momentos de reflexão. Este último ponto girou em torno de uma temática diferente…“Trabalho, dinheiro, amizade, conhecimento, problemas, família, alegria, sonhos, dar, gratidão, dia perfeito, amor… o derradeiro presente”. À primeira vista, isto é apenas uma sequência aleatória de palavras que têm um significado por si mesmas, mas sem ligação alguma às restantes. No entanto estas podem ser ligadas se dermos um “título” a esta lista. “Dons”/”Presentes” é o elo que organiza as ideias em torno desta espécie de exercício. Tudo isto são dons que fazem ou deveriam fazer parte das nossas vidas.

É necessário o trabalho para obter frutos, pois nada se faz sozinho e é necessário por o nosso suor nas coisas para lhes darmos o devido valor. É necessário o dom do dinheiro, não só para uso próprio, mas também para ajudar quem necessita mais do que nós. O dom da amizade e o da família que muitas vezes são desprezados/maltratados, o que torna necessária uma especial atenção aos laços afetivos que se estejam a “desfazer” de forma a repará-los. A sabedoria, por sua vez, é um caminho que, sendo guiado por Deus, nos leva à verdade, para além de ser uma ferramenta muito necessária no dia-a-dia. Os problemas, apesar do sofrimento que trazem, são também um dom pois é errando que se aprende a nunca voltar a cair nesse mesmo erro. A alegria manifesta-se por um simples sorriso, que tanto nos alegra a nós, mas também contagia os outros. Os sonhos também não devem ser esquecidos e quanto mais difíceis de realizar, mais contribuirão para o nosso desenvolvimento porquanto procuramos concretizá-los. Os dons de “dar e da “gratidão” interligam-se, pois tão  importante é dar, como receber e tão  importante é sentirmo-nos felizes por receber algo, como tornar os outros felizes por pela sua oferta, mesmo com um simples “obrigado”. Já o dia perfeito é, também, aquele em que somos felizes, mas contagiamos de igual forma quem nos rodeia. Por fim o amor, como o derradeiro presente. O presente mais perfeito, que nos é oferecido por Deus e que deve ser retribuído ao mesmo, mas também partilhado. Toda esta interpretação resume um filme, “O último presente” (de Michael O. Sajbel, 2017), em que o protagonista, Jason, tem que realizar uma série de trabalhos para adquirir os doze dons e no fim receber o derradeiro presente (como herança) do seu falecido avô. De seguida a estes doze dons, propôs-se um décimo terceiro: a vocação. A vocação, o tema base dos “pré-seminários”, como um dos destinos a que levam e para a qual são necessários os outros doze dons.

Ilídio Ferreira, SMR, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015

CAMINHADA VOCACIONAL | Pré Seminário | SEMINÁRIO DE RESENDE

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No passado fim-de-semana (7 e 8 de março), estiveram entre nós, no Seminário de Nossa Senhora de Lourdes-Resende, 12 rapazes inscritos no Pré Seminário, de forma a melhor conhecerem, de forma mais próxima a vida do Seminário e o ritmo dos seminaristas, e que colocam a possibilidade de uma futura entrada nesta casa. É o primeiro passo de uma caminhada.

Neste encontro, os pré-seminaristas nas idades entre os 11 e os 17 anos, oriundos de vários pontos da Diocese, foram acompanhados pelo sr Vice Reitor, pelo Diácono Fabrício e por 3 dos seminaristas que ajudaram na organização deste encontro: Sérgio Carvalho, Pedro Adriano e André Nascimento.

Depois de um acolhimento feito pelos seminaristas, houve uma pequena reflexão sobre a vocação. Depois desta reflexão houve um tempo para colocar o estudo em dia. Após o almoço, juntamente com os seminaristas os 12 rapazes caminharam até junto ao rio (Porto de Rei) onde rezaram e refletiram no meio da natureza criada por Deus. Depois do lanche seguimos até Rendufe para a Missa vespertina celebrada uma vez em cada mês numa capela particular da mesma povoação.

Ver a vida do Seminário é para todos uma grande curiosidade. Para estes rapazes, esta realidade, também, não é exceção.

Hoje mais do que nunca a Igreja precisa de vocações. A nossa Diocese não é exceção. Rezemos por todos aqueles que se sentem chamados a seguir, de forma mais próxima, o Grande Mestre que é Jesus Cristo.

Diác, Fabrício Pinheiro e Sérgio Carvalho, SMR

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015

PASTORAL VOCACIONAL | Ardor apostólico contagioso

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Nas últimas semanas, aqui foram publicados uns alguns textos sobre a importância e necessidade de uma pastoral ocupada e preocupada com a vertente vocacional. Porque, no fundo, toda a pastoral tem esta missão de anunciar aos homens e mulheres que são chamados e amados por Deus e que, por isso, não há vidas inúteis ou menos importantes. E se todos são igualmente chamados, a verdade é que também todos são igualmente responsáveis no anúncio desse chamamento.

Neste anúncio e neste recordar das responsabilidades de cada um, ocupam lugar importante os párocos, em virtude do acompanhamento pessoal e de grupo que podem protagonizar na comunidade cristã, tornando-se os primeiros promotores vocacionais. Uma missão que exige empenhamento na escuta dos fiéis, jovens ou adultos, para os ajudar no discernimento, mas também disponibilidade para o acompanhamento. Nesse sentido, nunca é demais formar e atualizar competências no campo da pastoral familiar, no voluntariado e na participação de fiéis leigos na promoção de uma cultura de vocações.

Assumindo a importância dos sacerdotes na missão eclesial de anunciar Deus que a todos ama e chama, aqui se sublinha e enaltece a vocação ao sacerdócio.

Neste particular, constatamos a sua diminuição na nossa diocese, onde os Seminários se esvaziam: as famílias não apoiam como antes, a baixa natalidade reduz os potenciais candidatos, uma identidade espiritual frágil e individualista, excessiva comunicação virtual, influências culturais que não favorecem esta opção, a radicalidade do compromisso assusta, alguma hostilidade e valores propagandeados… Diante das possibilidades que se oferecem aos jovens, o sacerdócio apresenta-se “pouco atraente”.

O Papa Francisco, comentando a escassez de vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, afirma que, frequentemente, isso se fica a “dever à falta de ardor apostólico contagioso nas comunidades, pelo que estas não entusiasmam nem fascinam” (EG 107).

Acreditando na Providência divina, também nos devemos comprometer a protagonizar um sacerdócio alegre, empenhado e cumpridor, preocupado em escutar e conhecer para melhor acolher e acompanhar, possibilitando um convite pessoal a outros para seguir o Mestre.

Os nomeados com responsabilidades de animação vocacional também devem diversificar a sua acção e presença, procurando o contacto com os grupos juvenis, estando presentes nas diversas iniciativas que congregam os mais novos, mantendo contactos regulares que aproximem e motivem, propondo percursos, organizando encontros, tempos de oração, mostras vocacionais, acampamentos, retiros vocacionais, jornadas…

Nesta missão compartilhada, a tarefa pode ser modesta, vivida como um contínuo semear que desconhece a colheita, mas concretizando o mandamento de lançar as redes, procurando passar de um recrutamento de voluntários para uma promoção de vocações.

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015

PRESENÇA INCISIVA | Editorial Voz de Lamego | 10 de março

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A Voz de Lamego dedica parte importante desta edição, como o havia feito na semana passada, à Visita Pastoral de D. António Couto à cidade Lamego, com as duas paróquias da Sé e de Almacave. Esta semana centra-se sobretudo em Santa Maria de Almacave.

Mas nem só de Visita Pastoral se faz o Jornal Diocesano desta semana, é também enriquecido com notícias da Igreja e da região, com sugestões, como a Semana Santa na cidade de Lamego, artigos de opinião, reflexões várias e variadas, e ecos da 3.ª Conferência Quaresmal de D. António Couto, na Sé Catedral, no 3.º Domingo da Quaresma, aguardando-se a 4.ª Conferência, antecipada para as 16h00, na Sé Catedral, de onde partirá a Procissão de Nosso Senhor dos Passos, presidida também pelo Senhor Bispo.

Ambientando-nos a esta edição, o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, e que parte do Dia Internacional da Mulher.

PRESENÇA INCISIVA

O Dia Internacional da Mulher, proposto pelas Nações Unidas e calendarizado para 8 de março, comemora-se desde 1977, com o intuito de assinalar lutas laborais e eleitorais do início do século passado e motivar um contínuo e progressivo respeito pela dignidade e igualdade da mulher. E se há progressos a registar, a verdade é que tal reconhecimento continua adiado em muitos países.

Abordando o assunto, o Papa Francisco fala da superação das fases da “subordinação social” e da “igualdade absoluta”, assinalando a necessidade de um novo paradigma, o da “reciprocidade na equivalência e na diferença”. Isto é, a relação homem-mulher deveria reconhecer que ambos são necessários enquanto possuem uma idêntica natureza, mas com modalidades próprias.

A Igreja não se tem livrado das críticas (algumas merecidas), apesar do atual Pontífice afirmar que é necessário estudar critérios e modalidades novas para que as mulheres não se sintam hóspedes, mas membros ativos dos vários âmbitos da vida social e eclesial.

A este propósito, valerá a pena reler o que está escrito nos números 103 e 104 da Exortação “A Alegria do Evangelho”, onde se propõe uma “presença feminina mais incisiva na Igreja”, “nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes”. Para isso, o Papa convida a distinguir entre “poder” e “potestade sacramental”, entre a dignidade que vem do Batismo e a função exercida pelo sacerdócio ministerial, na certeza de que as funções “não dão justificação à superioridade”.

Na mesma passagem, lemos ainda o desafio papal aos Pastores e aos teólogos para refletirem sobre o assunto e para proporem caminhos novos que conjuguem fidelidade e criatividade.

O que seria da Igreja, das paróquias, comunidades, movimentos ou grupos sem a presença atenta e disponível das mulheres? Bem hajam!

in Voz de Lamego, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015

3.ª Conferência Quaresmal de D. António: Vai, a tua fé te salvou!

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Trilhar com ousadia o caminho de Jesus

Vai, a tua fé te salvou!

No final da sua visita pastoral às paróquias da cidade de Lamego, D. António Couto, apresentou mais um tema nas suas “Catequeses Quaresmais”. Fez uma breve retrospectiva da sua visita às duas paróquias da cidade e entrelaçou-a com alguns temas apresentados nas anteriores catequeses.

O cego de Jericó

O episódio oferecido na reflexão deste dia  é retirado de Mc 10, 46-52. Jesus vai a sair da cidade de Jericó e encontra um cego (Bartimeu) à beira do caminho que lhe suplica: Jesus, Filho de David, “faz-me graça”, “faz de mim um homem novo”, “recria-me, “embala-me nos teus braços maternais”… Chamai-o… Ele chama-te. E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus… Que queres que eu te faça? Mestre que eu veja! vai, a tua fé te salvou! E ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho. Jesus passa pelas pessoas e pára junto delas, dá-lhes atenção! Não passa à frente, com indiferença! E neste episódio Ele fica ao nível do cego, que estava à beira do caminho que seguia para Jerusalém. O gesto de acolhimento de Jesus e o convite para que o cego venha até Ele, provoca uma reação de total drespendimento e de liberdade ao ponto de deixar para trás a capa ou o “manto” que tinha para se envolver e depositar as moedas que lhe davam. Nada disso mais interessa. O que importa é aproximar-se de Jesus e fá-lo de modo radical, “tudo o que carrega” fica esquecido, não faz falta.

Jesus permite e quer que o cego diga o que quer, tal como “quer que nos digamos a nós”, “o que nos vai na alma e no coração”.

Os bons lugares

Aqui D. António estabelece um paralelismo e compara a “atitude radical”, decidida, corajosa, confiada, desprendida, do cego Bartimeu, no seguimento de Jesus, associando-lhe idêntica atitude de algumas pessoas que surgem no mesmo Evangelho de Marcos: a oferta da viúva pobre que deu tudo o que possuía, “deu a sua vida toda”, Mc 12, 41-44; e a mulher que vai ter com Jesus e derrama em sua cabeça todo o seu caro perfume que tinha, o frasco ficou partido, nada sobrou ou pode aproveitar-se, mas foi todo derramado na cabeça de Jesus Mc 14, 3-9; numa atitude bem diferente e contrastante estão outras personagens, algumas delas muito relevantes quanto à proximidade a Jesus, como é o caso dos Filhos de Zebedeu (Tiago e João), que querem um lugar bom, importante, “de quem está sentado”; a ambição dos melhores lugares, dos lugares principais. “Os outros dez começaram a indignar-se”… por inveja, porque também eles querem o mesmo, os lugares importantes! O mesmo pensava e ambicionava Pedro, esperando recompensa por terem deixado tudo para O seguir, mas com interesses, com cálculos… Bem diferente é a atitude do cego!

Neste grupo de “calculistas”, dos que não arriscam tudo para seguir Jesus, encontramos o “homem rico” que, não obstante cumprir os mandamentos, tem o seu coração preso ao dinheiro e às riquezas… (tal como os negociantes do Templo) e preferiu não seguir Jesus pelo caminho! Podemos ainda incluir neste “clube de meias medidas” a figueira que só tinha folhas, que não dá fruto, pois não era tempo de  figos. Jesus secou-a completamente para nos dizer que “a nossa fé não pode ser de épocas ou de estações”, e que a nossa vida deve ser, toda ela, tempo de fé com frutos.

Com o coração aberto

Hoje somos nós convidados a trilhar com ousadia o caminho de Jesus, sem medo. Para seguir verdadeiramente Jesus não há outra ou outras atitudes que não seja esta a do CEGO DE JERICÓ, da MULHER QUE UNGIU JESUS em Betânia e da VIÚVA POBRE. Todos os outros personagens permanecem à beira do caminho parados e fixados apenas na busca desmedida da satisfação das suas “paixões, ambições e instintos” que não deixam ser homens novos e livres; não sejamos cegos pelo ciúme e pela inveja, sacrificando todo bem que poderíamos ter e dar à ambição do dinheiro e ao poder, ao prestígio, aos “bons lugares”. Também nós podemos cair neste erro e tentação… esforcemo-nos por “atirar fora tudo o que pesa”, aquilo que não nos deixa avançar pelo caminho com Jesus, de forma “corajosa”, “destemida”, “decidida”, “descarada” e “desavergonhada”… não aconteça que, embora vendo, sejamos nós os cegos, que não vêem os outros “com o coração aberto”, livre, generoso  e disponível para ouvir o desafio e convite de Jesus que me diz mim e que te diz a ti: VAI! IDE!

Pe. Vasco Pedrinho, in Voz de Lamego, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015