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JUBILEU – MISERICÓRDIA | Editorial Voz de Lamego | 24 de março

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A convocação do Jubileu da Misericórdia, feito pelo Papa Francisco, já agita positivamente a Igreja, que se prepara na reflexão, nos gestos, na abertura, no acolhimento. É este o mote para o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor do nosso jornal diocesano Voz de Lamego.

O Editorial ambienta-nos a cada nova edição da Voz de Lamego, que esta semana sublinha nas páginas centrais a Visita Pastoral à Paróquia da Penajóia, mas com muitos outros motivos para nos determos no jornal diocesano, jovens, encontros, dia mundial da juventude, família, matrimónio, acontecimentos, reflexões… Boa leitura

 

JUBILEU – MISERICÓRDIA

No início do terceiro ano de pontificado, o Papa Francisco anunciou o Jubileu da Misericórdia, entre a Solenidade da Imaculada Conceição deste ano (08 de dezembro) e a Solenidade de Cristo Rei do Universo do próximo ano (20 de novembro).

Para o recentemente canonizado Papa João XXIII, a misericórdia era o mais belo nome dado a Deus. João Paulo II, canonizado no mesmo dia, também testemunhou grande atenção ao tema, dedicando o segundo domingo de Páscoa à Misericórdia divina. E, sobre este tema, valerá a pena ler o livro do cardeal Walter Kasper (A Misericórdia – Condição fundamental do Evangelho e chave da vida cristã), de 2012 e agora publicado em português. Para o teólogo alemão, a misericórdia divina é um tema fundamental para o séc. XXI, em resposta aos ‘sinais dos tempos’ e sublinhar a sua importância, à luz da situação atual, representa uma “enorme provocação para a teologia”.

A par dos atributos divinos que resultam da essência de Deus (simplicidade, infinitude, eternidade, omnipresença, omnisciência, omnipotência…), a revelação bíblica mostra-nos um Deus que se compadece e sofre com as suas criaturas, porque “enquanto misericors, tem um coração (cors) junto dos pobres e para os pobres (miseri)”. E este desenhar da imagem de um Deus capaz de empatia aproxima quem anda longe, fortalece quantos desejam continuar, incute confiança a quem falha e alimenta a esperança dos que sofrem.

Celebrar a misericórdia divina não é um convite ao facilitismo diante de um Deus que tudo perdoa, mas uma oportunidade para tomar consciência do amor de Deus e da sua solicitude por todos, assumindo o compromisso de corresponder a este convite (provocação).

Quantas pessoas, vítimas de situações humanamente sem saída, não se levantam e caminham graças à revelada misericórdia de Deus?

  in Voz de Lamego, n.º 4306, ano 85/19, de 24 de março de 2015