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PERGUNTA – RESPOSTA | Editorial Voz de Lamego | 17 de março

pergunta_respostaBem dentro da Quaresma, destaque da Voz de Lamego para a Procissão do Senhor dos Passos, na cidade de Lamego, presidida pelo Senhor Bispo, D. António Couto, e que foi precedida da habitual conferência na Sé Catedral. Mas muitos outros temas preenchem as páginas do Jornal Diocesano, a Visita Pastoral de D. António à Paróquia de Avões, encontro de formação, jovens do Arciprestado de Lamego, Jovens Sem Fronteiras de Vila da Ponte, presença do Seminário em Lalim, Via-sacra no mosteiro das Dominicanas, artigo no Ano de Vida Consagrada dedicado aos Franciscanos e à sua presença em Lamego; e o habitual comentário à liturgia dominical, artigos de opinião, notícias de alguns dos concelhos que compõem a Diocese, as intervenções do Papa Francisco.

Vamos ao Editorial, que nos coloca como discípulos diante de Jesus:

PERGUNTA – RESPOSTA 

O jesuíta Tomás Halik, no livro “Paciência com Deus” (p. 36), transcreve o que um dia viu escrito nas paredes de uma estação de metro. A par do que alguém escrevera, em jeito de alegre e convicto testemunho, “Jesus é a resposta”, outro mais céptico escreveu: “Mas qual era a pergunta?”.

Se a afirmação do crente deve ser assumida e divulgada (Jesus é a resposta), o exteriorizar da dúvida (Mas qual era a pergunta?) serve ao autor para sublinhar a oportunidade do perguntar. Porque sem isso não há lugar à resposta e “respostas sem perguntas… são como árvores sem raízes”.

Viver a fé é assumir a vontade de caminhar, assumindo o risco das opções e o desconforto dos limites, mas também a alegria de se saber e sentir acompanhado pelo Senhor que chama e por tantos irmãos que se dispõem a caminhar também, aventurando-se a ir. E na caminhada do crente também há lugar à dúvida, às interrogações, aos lamentos e desabafos e, quantas vezes, à tentação de desistir ou ficar parado.

O discípulo de Jesus Cristo sabe que a conversão é um processo, tantas vezes lento e árduo, que se concretiza com muito custo. E não perder de vista a pergunta, o sentido da vida, ajuda a não desistir na resposta.

Perante o atrapalhado Tomé que assume não saber por onde ir, Jesus apresenta-se como “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 6) e revela-lhe que o seguimento exige movimento e é um processo constante.

A quaresma pode ajudar-nos a tomar consciência deste movimento, exigente, que é seguir o Mestre, ajudando-nos a assumirmo-nos como “buscadores com aqueles que procuram e interrogadores com aqueles que se interrogam”, a exemplo de Paulo que se faz “tudo para todos”.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, n.º 4305, ano 85/18, de 17 de março de 2015