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Archive for 17/03/2015

4.ª Conferência Quaresmal de D. António: Ser discípulo de Jesus

Passos3

Por caminhos da Galileia até Jerusalém

Ser discípulo de Jesus

Foi este o tema apresentado pelo nosso Bispo na Conferência quaresmal do dia 15 do corrente. Com a Sé a abarrotar de gente, muitos à espera da Procissão do Senhor dos Passos que seguiria da Sé para a Igreja da Graça, na paróquia de Almacave, outros para ouvirem a palavra do Senhor D. António Couto e, depois, se integrarem na mesma Procissão; mas todos juntos ouviram com interesse a palavra do Senhor Bispo, que pôs diante de nós um tríptico tão instrutivo como simples de entender sobre o modo de mostrar que somos discípulos de Jesus.

Sob o signo do caminho, fomos convidados a olhar aquele que Jesus percorreu para ir da Galileia até Jerusalém, numa decisão por Ele tomada e que não dava a possibilidade de voltar atrás. «O rosto duro» com que Jesus iniciou a caminhada e que fazia lembrar a palavra de Isaías na descrição do «Servo do Senhor», indicava a dificuldade que Jesus encontraria na Cidade, mas não deixava de ser ocasião para alguns quererem tomar o mesmo caminho, indo com Jesus,

Assim nos aparecem as figuras do que quer seguir Jesus, mas a quem Ele responde que «o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça»; a dos que são chamados, mas querem ir sepultar seu pai ou despedir-se de toda a família e a quem Jesus diz a palavra «segue-Me» ou então «quem põe as mãos no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus».

Ser discípulo de Jesus

Discípulo é o enviado, o que se aproxima dos outros que dele precisam e os que ouvem a Sua palavra. Personificados nos que Jesus enviou, dois a dois aos lugares onde Ele havia de ir, no samaritano e em Maria, irmã de Marta e de Lázaro, foram caracterizados por Jesus como os que Ele veio procurar e ensinar para serem Seus verdadeiros discípulos.

Enviados sem saco ou alforge às costas ou sandálias nos pés, levavam consigo o «Evangelho da Alegria». «Assim partem de Jesus, que os envia, e voltam a Jesus, cheios da Alegria» de que foram transportadores e anunciadores: o seu ponto de referência foi Jesus.

O segundo quadro do tríptico andou à volta da parábola do samaritano. Um homem ferido e abandonado à beira do caminho; roubado e espancado, ali ficou como «meio morto»; sem nome, como aqueles que por ali passaram, houve quem passasse ao lado, mesmo tendo-o visto e com necessidade de ajuda; vendo-o, passaram para o outro lado do caminho e seguiram em frente.

Passou também um samaritano, aproximou-se para ver e logo pôs em acção a sua capacidade activa, criativa: tratou-o como pôde e levou-o à estalagem próxima, dizendo ao hospedeiro: «cuida dele e o que gastares a mais, repor-to-ei quando voltar».

Figura central na doutrina de Jesus, é a aproximação ao irmão, para ver melhor o que podemos e devemos fazer.

O terceiro quadro do tríptico leva-nos a Betânia, a casa de uma família amiga de Jesus, mas onde há possibilidades e necessidades de trabalho e atenção ao Mestre que chega. Marta pensa logo na refeição e depressa se queixa a Jesus, de que a irmã não faz nada; Maria, sentada, pensa em ouvir a palavra de Jesus. Conhecemos bem o diálogo da ocasião, com Jesus a ensinar que o verdadeiro discípulo «escolhe a BOA parte, que não lhe será tirada».

Quem é, então, o verdadeiro discípulo de Jesus? O que é enviado, o que se aproxima, o que ouve. Assim faz caminho para Jerusalém, caminho da Páscoa, caminho da Ressurreição. Hoje o nosso caminho, podemos nós dizer também.

Senhor dos Passos

Foi do nosso Bispo a palavra de oração com que terminou a conferência deste Domingo e que damos a conhecer aos nossos leitores:

«Senhor Jesus,

Senhor dos Passos

Serenos e seguros na caminho da vida e da Paixão,

Da Ressurreição.

 

Senhor Jesus

Senhor dos Passos

Sossegados e firmes, Resolutos,

Até à porta do meu coração.

 

Senhor Jesus,

Senhor dos Passos,

Dos meus e dos teus,

Finalmente harmonizados,

Finalmente lado a lado,

Os meus, atravessados pela tua Paixão

Os teus, sincronizados pelo pulsar do meu coração.

 

Sim,

Eu sei que foi por mim que desceste a este chão

Pesado, íngreme, irregular,

De longilíneas lajes em que é fácil escorregar.

 

Senhor Jesus,

Deixa-me chegar mais um pouco junto de ti,

Chega-te tu também mais junto de mim.

Segura-me.

Dá-me a tua mão firme, nodosa e corajosa.

Agarro-me.

Sinto sulcos gravados nessa mão.

Sigo-os com o dedo devagar

Percebo que são as letras do meu nome.

Foi então por mim que desceste a este chão.

O amor verdadeiro está lá sempre primeiro.

 

Obrigado, Senhor Jesus,

Meu Senhor, meu Irmão e companheiro.»

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, n.º 4305, ano 85/18, de 17 de março de 2015