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Archive for 05/03/2015

VISITA PASTORAL DE D. ANTÓNIO COUTO A LAMEGO | conferência

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A FAMÍLIA NO PROJETO DE DEUS

Na continuidade das atividades que o Sr Bispo D. António Couto, realiza junto das paróquias de Almacave e Sé, ocorreu no passado dia 26 de Fevereiro, no Auditório do Centro Social Paroquial de Almacave, uma conferência denominada “A Família no Projeto de Deus”, em substituição dos habituais Cursos Bíblicos que as mesmas paróquias organizam em conjunto, já há alguns anos, nesta altura do ano.

Assim, com a presença de inúmeros paroquianos o tema da Família foi abordado à luz da Palavra de Deus, a Bíblia, nomeadamente pela leitura e interpretação dos dois primeiros capítulos do Génesis, onde o orador se centrou para dar a conhecer como, no Antigo Testamento, se pode encontrar o projeto de Deus para a criação do Homem e da Mulher e a constituição da Família.

Partindo da alusão à carta de divórcio já descrita no tempo de Moisés e, no questionamento feito a Jesus sobre a situação da mulher no casamento, o orador demonstrou a preocupação que já na época existia para a criação de “mecanismos de proteção para a proteção da mulher, principalmente na situação de viúva, ou das que teriam a possibilidade de casas de novo” e que se encontram descritos nos textos bíblicos.

O primeiro Capítulo do Livro do Génesis, descreve toda a obra da Criação, mas a centralidade da comunicação versou sobre a Criação do Homem, um “ser com vontade e inteligência, livre, voluntarioso para colaborar com Deus à Sua semelhança”, num plano de elevação da imagem do Homem que “domine, pela serenidade e pela doçura, com mansidão, à maneira de Deus”.

Parte-se depois para a criação da Mulher que, como ser “côncavo” vai completar o ser “convexo” que é o Homem, numa “conformação dos dois sexos”,   que irão depois receber a “dádiva de Deus a todos nós” – a obra da Criação para que usufruamos dela numa “harmonia entre homens e animais que não têm que se guerrear”, mas antes viver em sã coexistência, para a “tarefa de transformar o mundo em mundo bom”, numa função infindável pelo tempo.

Salientou ainda D. António Couto que o Homem modelado com as mãos de Deus do “pó do solo – ser frágil” teve depois o alento de vida através do Seu “sopro” num ato de amor do Criador que de seguida, viu a necessidade de superar a sua solidão e assim, depois do “sono ritual, tomou um dos seus lados, para o transformar em Mulher” ficando assim o Ser humano constituído por dois lados numa unidade onde, quando se destrói um, também se destrói ao mesmo tempo o outro lado.

A descrição bíblica original diz que Deus criou “um auxílio para o homem” e, não como erradamente é traduzido em algumas versões “uma auxiliar”. Os dois são “uma unidade, onde nenhum é superior ao outro” mas nos tornamos “auxilio uns dos outros e somos lado de uma mesma humanidade”, como referiu o orador.

São estes dois seres a quem a “cobra – parasita que vive à nossa custa” tenta continuamente, através da idolatria e do mal e que vai “separar o homem em relação a Deus”.

Já a referência ao Matrimónio à luz da Bíblia, inicia-se com a alusão a Abraão, “figura chave”, onde se ilustra o “paradigma do ser humano” e da sua caminhada, que se “separa do amor antigo – os pais para, através da força do amor se unir ao amor novo – a mulher” formando assim uma unidade, que se deve auxiliar, por serem lado um do outro.

Esta comunicação a todos fez refletir sobre o sentido da criação do Homem e da Mulher que passam depois à vivência do Matrimónio, como seres que fazem parte do projeto de Deus para a continuidade da Humanidade pelo fluir dos tempos, que necessitam de cuidado e desvelo para que possam continuar a ser resposta a esse mesmo desígnio.

Isolina Guerra, in Voz de Lamego, n.º 4303, ano 85/16, de 3 de março de 2015

À CONVERSA COM… Presidente da Cáritas Diocesana de Lamego

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Dr.ª Isabel Mirandela

Presidente da Direção da Cáritas Diocesana

De 2 a 8 de Março decorre a Semana Nacional da Cáritas, organismo da Igreja presente na nossa diocese e para o qual foi, recentemente nomeada uma nova Direção. Para conhecermos melhor esta realidade eclesial e a sua missão entre nós, fomos ao encontro da Dr.ª Isabel Mirandela, Presidente da referida Direção.

Apesar de estar há pouco tempo nesta missão, como caracteriza a ação da nossa Cáritas nestes tempos de crise?

Estar à frente de uma instituição tão importante como a Cáritas Diocesana de Lamego, para mim é uma honra, mas ao mesmo tempo uma responsabilidade. Uma honra porque posso, de forma humilde e coerente, dar o meu contributo à diocese e ajudar aqueles que mais precisam; responsabilidade porque os tempos que correm não são fáceis e as solicitações são muitas. Apesar de estar neste lugar há muito pouco tempo (dois meses), já me apercebi que há muita gente a viver com grandes dificuldades, de modo particular idosos, os quais para além de terem de viver com parcas reformas e pouca saúde, têm ainda de sentir o peso da solidão. A Cáritas vai tentando enfrentar, na medida do possível, alguns desses problemas.

A esse propósito, quais os principais projectos em que a Cáritas tem vindo a participar ou deseja concretizar em breve?

Como já referi, estou a dar os primeiros passos na instituição. Poderá afirmar-se que estou numa fase de instalação e de adaptação.

Neste momento os projetos em curso estão relacionados com o apoio direto a quem nos procura, com o apoio a situações apresentadas por sacerdotes e com o apoio prioritário às crianças. Mais recentemente aderiu à campanha de recolha de roupas, a nível da diocese,  para serem enviadas para as crianças e jovens da Síria, em articulação com a conferência episcopal. No futuro, pensamos aderir a outros projetos que visem ser um contributo forte para a melhoria de condições de vida das pessoas mais carenciadas.

Como se concretiza a atuação/presença da Cáritas no vasto território da Diocese?

De facto este é um dos aspetos mais importantes a serem abordados, uma vez que a Cáritas Diocesana está sediada em Lamego. A sua área de abrangência é muito vasta, com 223 Paróquias, inseridas nos respetivos concelhos geográficos e distribuídas pelos 6 Arciprestados que constituem a Diocese. Importa pois referir que, para se poder fazer um trabalho coerente, seria importantíssimo que todos trabalhássemos em equipa, no sentido de irmos ao encontro do apelo feito pelo nosso Bispo “… formemos o mais rapidamente possível, – a tanto nos impele a urgência do Evangelho – em todas as paróquias Grupos de Caridade, Grupos Cáritas, para que ninguém se sinta sozinho, abandonado ou desfigurado,..”. Hoje a solidão impera em muitas paróquias, e enquanto cristãos, temos responsabilidades acrescidas no combate a este problema social. Nesta senda, o trabalho de articulação será a base fundamental para tentar minorá-lo e ao mesmo tempo ajudar a colmatar outros a ele associados.

Já algumas vezes afirmaram que a nossa Cáritas está algo burocratizada. Como ultrapassar este pormenor?

Hoje em dia fala-se muito em burocracia. Na verdade ela existe em todas as instituições e como tal na nossa instituição também. Há assuntos que requerem uma série de procedimentos formais, no entanto, dado estarmos perante um organismo que tem por missão várias linhas de atuação, entre as quais a de “atender à fraternidade universal, rosto cristão da vida global, conjugada com a prontidão de real partilha de proximidade”, somos de parecer que, desde que haja uma estreita colaboração e diálogo aberto com os párocos e/ou responsável dos diferentes Grupos de Caridade, muita dessa burocracia poderá ser minimizada.

A nova direção é formada por representantes dos diferentes arciprestados. Como se articula esse trabalho Diocesano?

Neste ponto relembro que esta nova Direção está a dar os seus primeiros passos. Dentro em breve, após um trabalho em equipa a realizar muito em breve com os representantes dos diferentes arciprestados, apresentaremos um plano de atuação ao nível da Cáritas Diocesana de Lamego, sempre numa perspetiva de articulação com o nosso Bispo, hierarquicamente nosso responsável máximo e Nosso Pastor.

Chegada há pouco tempo, como tem sido a sua integração na realidade da Cáritas, quer a nível local quer a nível nacional?

Em termos de integração na Cáritas, apraz-me salientar o apoio que tenho recebido diretamente no Paço Episcopal pelo Senhor D. António Couto, Monsenhor Vigário Geral Cónego Joaquim Dias Rebelo e Provigário Geral Pe. João Carlos, bem como o carinho, respeito e disponibilidade  pelos sacerdotes das diferentes paróquias  com quem já fui contactando, e outros sacerdotes que me têm apoiado sempre que solicito a sua colaboração. Não posso também deixar de referir a forma cordial como fui recebida pelas duas colaboradoras que exercem funções nas instalações da Cáritas, e de enaltecer a dedicação dos(as) voluntários (as) sempre que são solicitados.

A nível nacional, apenas estive presente numa reunião Interdiocesana em Aveiro para preparação do encontro nacional que vai decorrer brevemente no Porto. Fui muito bem acolhida e todos evidenciaram disponibilidade para me ajudarem a trilhar este novo caminho.

Agradeço o convite formulado para esta entrevista e espero, juntamente com os outros elementos da nova direção, ir de encontro ao desafio lançado pelo Senhor D. António Couto: “Edificar o bem comum: tarefa de todos e de cada um.”

in Voz de Lamego, n.º 4303, ano 85/16, de 3 de março de 2015