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Archive for 22/02/2015

PASTORAL VOCACIONAL: entrar e sair sem compromisso

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Muitos são os textos que tentam caracterizar a nossa sociedade, analisando e descrevendo a atualidade, ao mesmo tempo que fornecem pistas para nos ajudar a perceber como chegámos aqui. Mas, no fim de contas, a nossa época não é melhor ou pior que outras; há características que a singularizam e marcam a geração que lhe dá corpo. Aqui ficam algumas notas repescadas no que se vai vendo e lendo, possível ajuda para ler a realidade e comunicar com os nossos contemporâneos.

Apesar dos grandes avanços e das inúmeras possibilidades, afinal o progresso não é infinito e as ideologias têm pés de barro. Diante de semelhante constatação, o pessimismo pode instalar-se, desalojando perspectivas de futuro. A isso se soma a grave crise económica que a todos afeta e deixa marcas. Por isso, alguém chamou ao nosso tempo a “época das paixões tristes”. Contudo, talvez a presente crise permita enfrentar a irracionalidade do consumismo e a colocar mais razão na tarefa educativa.

Marcados por um quotidiano precário, facilmente se observa o crescimento de uma “geração incrédula” e onde a “visão vocacional da vida” se dilui numa imediatez que é dominada pelo episódico e com carácter provisório. Fazemos parte de uma geração que tem medo de ficar de fora, de não saber as coisas, de não estar atualizada e, por isso, aumenta a dependência da internet, da violência e da falta de respeito pela privacidade.

As relações humanas também são marcadas por uma “visão utilitarista do leasing”, em objecto de uso enquanto serve para mudar logo que possível. O que leva a uma crise das relações baseadas na reciprocidade e no dom de si. Observa-se muita emoção, mas sem interação, passando-se facilmente da proibição à tolerância permissiva, enfrentando com dificuldade o quotidiano e caindo numa fácil tendência para escolher atalhos evasivos do “tudo e rápido” marcado por um narcisismo e dependência.

O individualismo observável, subjectivo e consumista, não permite ou favorece a descoberta dos outros e do Outro. A família deixou de ser uma realidade que exige posturas éticas e impõe comportamentos, passando a ser alguém que escuta e consente, não transmitindo ou ousando valores, ficando bloqueada diante de filhos belos, mas frágeis. Uma infância “passada entre algodões”, hiperestimulada, com poucos reflexos com o Outro, sem guia nem regra, faz aparecer nos mais novos um “sentido de omnipotência”.

Há uma falta de definição pessoal que se visualiza no sentir ético da consciência, onde se vive uma espécie de ecletismo hedonista, sem ideais absolutos. Numa linguagem informática, corre-se o risco de encarar a vida como realidade onde se pode entrar e sair sem compromisso.

 

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4301, ano 85/14, de 17 de fevereiro de 2015

Educar na sobriedade e na temperança

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«Não é nada lógico dar aos meus filhos tudo aquilo que eles me pedem. Se o fizesse, converter-me-ia num “pai fixe”, mas esta expressão parece-me sinónima de “pai cúmplice”. Estaria a ser conivente com a sua falta de sobriedade. Penso que nós, pais, necessitamos da virtude da fortaleza para não transigirmos com os caprichos dos nossos filhos».

Sábias palavras pronunciadas por um pai de uma família numerosa. Nos dias de hoje, é necessária valentia da parte dos pais para proporem aos seus filhos um estilo de vida sóbrio e temperado. Um estilo de vida que não está nada na moda!

Primeiro, devem fazê-lo com o próprio exemplo. Já diz o famoso ditado: “quem não vive o que ensina, não ensina nada!”. Além disso, somente se os pais são sóbrios é que percebem que a sobriedade é um bem de enorme valor para os seus filhos.

Depois, é necessário dar aos filhos razões válidas pelas quais vale a pena viver um estilo de vida assim. Sendo conscientes de que as mensagens que os filhos recebem todos os dias na publicidade, nos meios de comunicação, dos colegas da escola vão, habitualmente, em sentido contrário: quanto mais consumires, mais feliz serás!

Raciocinar com os filhos com paciência. Que cada filho compreenda que é amado pelo que é, não por aquilo que tem ou pela sua “imagem”. Criar uma atmosfera familiar na qual se note que o verdadeiramente importante são as pessoas e não as coisas.

Um ponto de capital importância neste esforço educativo é estimular a generosidade dos filhos com os mais necessitados. Fazê-los compreender que, geralmente, somente uma pessoa que é sóbria e temperada, consegue ter sensibilidade para as necessidades dos outros e fortaleza para os ajudar com generosidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4301, ano 85/14, de 17 de fevereiro de 2015

Ano de Vida Consagrada | Lamego | Dominicanas

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Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia

Monjas Dominicanas de Clausura

Na sua origem, as religiosas Dominicanas Contemplativas vivem segundo o carisma do próprio S. Domingos de Gusmão, Fundador da Ordem dos Pregadores, que fundou o primeiro convento em Prouille (França) que foi inaugurado no mês de dezembro, decorria então o ano de 1206. As Monjas da Ordem de Pregadores, nasceram nesse ano, quando São Domingos associou à sua “santa pregação” pela oração e penitência, mulheres convertidas à fé católica, reunidas no Mosteiro de Santa Maria de Prouille e consagradas somente a Deus. Pela sua maneira de viver a perfeita caridade para com Deus e para com o próximo, a monja Dominicana é chamada colaborar na salvação de todos os homens, seus irmãos. Chamadas por Deus, a exemplo de Maria, irmã de Lázaro, as monjas permanecem aos pés de Jesus, escutando as suas palavras. Esquecendo-se do que deixaram para atrás, entregam-se radicalmente ao que abraçam mediante a profissão dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, consagrando-se a Deus por votos públicos. Com pureza e humildade de coração, com fervorosa e assídua contemplação, amam a Cristo que está no seio do Pai.

A sua presença em Portugal, da qual o Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia em Lamego é herdeiro, foi restaurada em 30 de Abril de 1932 com a chegada a Leixões (Porto) do navio onde viajaram desde Bordeus (França) quatro religiosas dominicanas de clausura vindas do convento de Prouille e que com a ajuda de algumas almas beneméritas se instalaram então em Vila do Conde onde foi celebrada a primeira Missa conventual no dia 7 de Maio de 1932. Após várias tentativas e numa constante busca por um local mais adequado à vida em clausura ficaram instaladas na casa de Santa Ana em Azurara onde em 29 de Setembro de 1934 estabeleceram a Clausura papal, própria dos conventos femininos contemplativos. Nesse dia, houve a tomada de hábito das primeiras três noviças e os votos perpétuos de uma das Irmãs. Puderam também aí iniciar a Adoração Eucarística Perpétua pois haviam dado ao Mosteiro o título de Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia. Em 24 de Dezembro de 1952 e depois de por muito terem passado devido ao clima extremamente húmido de Azurara, instalaram-se na Quinta dos Cisnes em Azevedo-Campanhã, nos arredores do Porto, onde iniciaram algumas das tarefas que ainda hoje executam, tais como a feitura de hóstias. Do Porto vieram para a Cidade de Lamego, a partir de 1996, sendo para isso convidadas pelo Monsenhor Ilídio Fernandes e o Dr. Fausto Montenegro que foram os grandes impulsionadores da sua presença na Diocese de Lamego, com a aprovação eclesiástica do Sr. D. António Castro Monteiro que à data era o Bispo da Diocese. Durante todos estes anos de existência em Lamego, este Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia tem sido o pulmão espiritual da Cidade e Diocese de Lamego.

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Situado no cume do Monte de Santo Estevão, no cimo do Parque dos Remédios, este Mosteiro encontra-se “aberto” á hospitalidade de cada um dos amigos que o visita. Dele podemos sempre trazer uma palavra amiga e o bom conselho das Irmãs. Todas elas se encontram de idade avançada, mas de espirito sempre jovem, deixam sempre palavras de esperança e de carinho para cada um que as visita. Todos os dias é celebrada às 8:300, na sua capela, a Eucaristia onde participam muitos cristãos da cidade. A visita às Irmãs é possível das 10:00 ás 12:00 e das 14:00 ás 18:00. O grande dia de festa da Comunidade Conventual é o dia 8 Agosto, dia do Pai S. Domingos. É celebrada missa solene, normalmente presidida por Sua Exa. Rev.ma. o Sr. Bispo de Lamego,à  qual se segue um pequeno convívio com as monjas no claustro do mosteiro. Ler mais…